domingo, 26 de abril de 2009

Um bem-haja

Não vou mentir. Queria hoje fazer um belo texto de homenagem a um grande homem, mas o dia foi longo e agitado e o cérebro não pode mais do que aquilo que vai sair. Li pela segunda vez um livro sobre esse grande homem, e terminei-o há dias. No final das páginas as lágrimas cairam-me, a mim que sou adversa a elas, pela coragem com que lutou contra a doença, pelo sofrimento que lhe causou despedir-se de algo que ele amava, a vida. O homem de que falo faz parte dos meus poucos mas valiosos ídolos, e é conhecido como o capitão Salgueiro Maia.

Foi ele que deu origem a uma revolução sem sangue, que nos livrou duma ditadura maldita, um fechar de boca e de liberdades incalculáveis e nas quais eu não saberia viver. Ou viveria, presa numa qualquer cela, sem conseguir expressar tudo o que ia pela minha cabeça. Essa é cada vez mais a minha forma de viver, não nos vale de nada não dizermos aquilo que nos vai cá dentro, à excepção dos proibidos sentimentos que só cabem ao coração.

Ele era um militar de uma bravura incalculável, que não pensou duas vezes em morrer para nos dar liberdade, o direito ao voto, à igualdade. Quem o conheceu reconhece que mais ninguém sabia melhor mobilizar as tropas, convencer os incrédulos, ser optimista naquilo em que acreditava. Viveu e lutou por uma revolução, num dia que não deverá ter sido nada fácil mas que correu bem. No final descartaram-no, mandaram-no para longe do seu posto de trabalho porque ele falava demais, e falava daquilo que ninguém queria ouvir. Falava porque era para isso que tinha lutado, mas no fundo, talvez tenha lutado por uma utopia ou por um Portugal que ainda não nasceu. Um Portugal de igualdade, de trabalho, desenvolvimento, solidariedade, conjugados com muita alegria e divertimento... não apenas dos políticos mas também do povo. E talvez o povo ainda não estivesse e ainda não esteja preparado para isso.

Quem o conheceu também diz que não tinha um feitio fácil. Era teimoso, e tinha de levar avante aquilo que pensava. E levava. Era ele quem organizava as inúmeras viagens que fez com os amigos, e organizava-as ao milímetro, nenhum pormenor lhe escapava e se alguém ousasse dizer que havia uma melhor opção, ele amuava, e tinha de ser feito como ele queria. Mas mesmo assim todos o adoravam. Porque era íntegro, verdadeiro, especial. Não tinha medo de nada, amava a vida e todos os que o rodeavam. Não estava com ninguém só para conseguir algo, se estava era porque gostava da pessoa. Não perdia tempo com ninguém que não valesse a pena. E há tantas mais coisas para dizer sobre ele. Tantos mais livros para ler. Quem sabe um dia, antes de realizar o meu primeiro sonho de escrever um livro sobre uma estrela grunge, não escreva um livro sobre este homem que adorava ter conhecido e ter tido como melhor amigo. Segundo contam ele tinha todas as qualidades que eu adorava conhecer em alguém que quisesse ser meu melhor amigo, namorado, vizinho ou colega de corridas de cavalos. Alguém! Mas duvido que ainda hajam pessoas assim. Conheço uma no Porto, um Miguel muito especial, que só lhe falta fazer uma revolução. Em mim já fez e na minha paixão pelo jornalismo, e acredito que também já tenha feito outras revoluções na cabeça de outras pessoas.

Hoje é o dia do Salgueiro Maia. Cujo nome não ouvi hoje nos inúmeros discursos no Parlamento. Talvez por já ter morrido. Talvez por não se ter metido em bicos dos pés depois da revolução. Talvez porque não gostava de famas, e era humilde demais para ter achado que tinha feito algo glorioso. Para mim fez. E é o meu herói português. Ou um dos mais importantes. Obrigado pela liberdade. Obrigado pelo direito ao voto (mesmo que seja nulo irei sempre votar pelo respeito que tenho a este Senhor). Só tenho pena que muitos jovens, crianças e mesmo adultos não saibam quem ele é, a importância que tem na construção do Portugal que temos hoje. Tenho mesmo muita pena, e ainda hei-de pensar numa forma de diminuir esta falta de cultura pelo importante e apresentar uma solução a quem de direito. Hoje vou dormir sobre o assunto.

Hoje, e sempre, viva o Salgueiro Maia! Esteja onde estiver, que esteja feliz porque há muitos que se orgulham do seu feito maravilhoso e lhe agradecem por isso todos os dias. Um texto melhor há-de nascer um dia em que esteja menos cansada, prometo.

sábado, 25 de abril de 2009

Hoje é dia 25!

Hoje é um dia mágico. Para mim, e quero acreditar, que também para milhares de portugueses. A minha paixão por este dia não sei de onde derivou, mas ainda hoje de manhã ao voltar para a minha primeira "casa" ouvi o hino nacional e tive o ímpeto de levar a mão ao peito e berrar com emoção aquelas palavras que são somente nossas, portuguesas. Os jornalistas da Antena 1 não quiseram fazer a coisa por menos e colocaram de seguida o outro "hino", Grândola Vila Morena, e mais uma vez, a plenos pulmões a cantei, de cabelos e pêlos sentidos e puxados para cima. Não sei o porquê de tanta emoção, que por momentos me ia lacrimejando os olhos.

Há hora de almoço, também o meu pai se emocionou com um pouco da segunda canção que fizeram questão de deixar tocar no pequeno ecrã, depois de uma reportagem sobre um jantar de comemoração ao dia, em que uns capitães nos devolveram a liberdade. E também ele se emocionou, e lembrou que por sorte não estava naquela pelotão, mas mesmo assim o 25 de Abril foi especial, por alguém concretizar o seu sonho e pelas patrulhas que teve de fazer durante imenso tempo pelas Caldas da Rainha, local onde estava designado. Teve sorte, não foi para a guerra, mas foi ele quem me ensinou o valor da liberdade, e da justiça, e da igualdade social. E é incalculável! Talvez seja a emoção do meu pai, a paixão dele que me fazem vibrar tanto com esta data e sobretudo com uma pessoa, um dos meus grandes heróis: o Salgueiro Maia. Mais logo, também aqui nascerá uma pequena mas sentida homenagem a este que foi um dos responsáveis por eu poder estar aqui a escrever isto. Até porque se não fosse por ele não poderia ser jornalista, porque este é aquele que luta até ao fim pelo desvendar da verdade, com liberdade... Obrigado!

terça-feira, 21 de abril de 2009

Freedom!

Apenas um comentário: a vida tem de ser vivida com liberdade e paixão, e ninguém melhor do que este e outros homens para saberem o verdadeiro significado da palavra.
Ainda esta semana apresentarei outro dos meus grandes ídolos, que também respirava liberdade e justiça em cada inalação!

domingo, 19 de abril de 2009

Bolas

No meio da azáfama de chegar a casa, arrumar tudo e ver os emails, só agora constatei que o Benfica ganhou 4 a 0 ao Vitória de Setúbal. Estou tão chocada que tenho de partilhar. Como é possível? Será que assim o Quique já não vai embora? Ou alguns jogadores é que viram o seu lugar disputado? Ou uma equipa quando quer e se esforça até consegue ganhar uns joguitos?

Em Coimbra parece que houve mais um erro do árbitro. Não entendo o que anda a fazer o quarto árbitro e porque é que não tem acesso a imagens para tirar as dúvidas existentes em certos lances. Sejam do Porto, Benfica, Sporting, Académica, ou até mesmo do Vilanovense (é a equipa aqui do estádio ao lado... também tenho de torcer por eles).

sábado, 18 de abril de 2009

Porque fome?!

É com isto que fico verdadeiramente frustrada e fora de mim. Milhões a serem gastos nisto e naquilo, alguns com lógica e com ganhos evidentes no futuro, outros gastos estupidamente só mesmo para uma obra sem sentido. Há uma semana atrás li que num Hospital de Lisboa já é considerado normal aparecerem CRIANÇAS (e coloco em caps porque é bastante relevante) subnutridas e com fome. E hoje leio que cerca de 200 famílias de pescadores e respectivas famílias da Costa da Caparica, também passam fome. Sendo todos suficientemente orgulhosos para não se queixarem, ao contrário daqueles que chupam as casas de borla dadas pelas autarquias, na maioria corruptas, espalhadas por este país.

É muito revoltante viver num país onde constantemente ouço falar de fome, de uns e outros, e de fartura de uns e outros, a viver lado a lado. Uns que não tem de se esforçar, apenas ter cara de pau para pedir aquilo que não merecem ou que até o mereciam pelo seu trabalho que não realizam, e a lástima de nada ter de outros que por culpa das adversidades nada têm para comer. Não sei o que andam as assistentes sociais deste país a fazer, a ganhar uns trocos por fora com certeza, mas que não semeam a justiça pelos mais necessitados disso não tenho dúvida.

Não venham os críticos dizer que a culpa é única e exclusivamente do governo, do primeiro-ministro ou de um outro qualquer ministro. A culpa é de todos nós que temos a realidade à frente dos olhos e preferimos ignorar e olhar para um lado mais agradável. Quem me dera que ainda existissem os sonhadores dos capitães que fizeram o 25 de Abril, e sonhavam com um país mais justo e livre, sem grandes diferenças (porque inevitavelmente elas haverão sempre...).

Afinal ter relações sexuais é dedutível no IRS...

Mandaram-me esta história para o email e achei que tinha tanta lógica e era tão engraçada que mereceu a publicação neste mísero blog. Aqui vai:

"Um casal de jovens chega ao consultório de um médico terapeuta sexual.
O médico pergunta: O que posso fazer por vocês?
O rapaz responde: Poderia ver-nos a fazer sexo?
O médico olha espantado, mas concorda.
Quando termina, o médico diz: Não há nada de mal na maneira como fazem sexo . E cobra 70,00 euros pela consulta, o que se repete por várias semanas.
O casal marca um horário, faz sexo sem nenhum problema, paga ao médico e deixa o consultório.
Finalmente o médico resolve perguntar: Afinal, o que estão a tentar descobrir?
E o rapaz responde: Nada. O problema é que ela é casada e não posso ir a casa dela. Também sou casado e ela não pode ir a minha casa. No Hotel Tivoli, um quarto custa 120,00 euros, no Holliday Inn custa 100,00 euros e aqui fazemos sexo por 70,00 euros, temos acompanhamento médico, é passado um atestado, sou reembolsado em 42,00 euros pela Médis e ainda consigo uma restituição do IRS de 19,25 euros."

Haverá melhor justificação para não fazer sexo?

Cansada mas feliz

Ontem sai do trabalho às 9 horas da noite. Hoje às 7 horas, mas como fui jantar fora cheguei a casa quase à meia noite. Amanhã é Sábado e o dever chama e lá terei de voltar, para a praça ao lado do Dragão, para uma manhã de trabalho. Apesar do cansaço, deste stress que adoro mas que nos mata por dentro e nos faz ingerir vícios, hoje sinto-me muito feliz, mesmo! Porque adoro o que faço, numa cidade que me acolheu de braços abertos, com um grupo fantástico e que nunca me deixa de apoiar mesmo sem saber porque nem sempre sorrio com vontade. Tinha mesmo de escrever isto hoje porque o tinha de dizer a alguém, e infelizmente as paredes de hoje em dia ainda não falam, e gosto sempre de obter resposta.

P.S.: Agora tenho um colega do trabalho que me "melga" à hora de almoço para não pegar no vício. Até me deu umas dicas de como fazer para me disciplinar, e como me fez lembrar alguém que já se foi e de quem tenho tantas saudades. Mas voltando à pessoa existente, no início tornou-se irritante, mas hoje deu-me um berro de tal forma que me pus em sentido e guardei o que tinha na mão. Obrigado se leres isto. Pelo menos ganhei mais umas horas de vida :p

P.S.2: E também eles já descobriram que sou super desconfiada, mas também já descobriram que raramente tenho razões para as minhas desconfianças. E agora vou dormir que estou a desfalecer. Afinal viver para o trabalho não é assim tão mau...

Sei que ando a passar muito tempo no YouTube, mas este filme, apesar da melosisse (será assim que se escreve) é um dos meus favoritos. Pelo actor (lindo, lindo, lindo mas que infelizmente já se foi...), e pela forma como toda esta história de amor se foi construindo. Numa brincadeira idiota surgiu uma paixão assolapada. Uma mulher fria, e com medo de amar e um homem que não procurava o amor mas que o encontrou por acaso.

Adoro, adoro quando ele lhe oferece uma flor como se fosse uma preciosidade, a beija forçosamente, não lhe dá um beijo quando ela mais espera (porque o fácil nunca foi o mais saboroso), quando ele lhe dá o presente que ela sempre sonhou, quando se preocupa com ela (não será a preocupação a maior prova de amor que podemos dar a alguém?). Mas o que adoro mesmo muito, muito é quando, perante uma plateia de uma equipa feminina de futebol lhe canta uma canção linda, sem que ela esperasse, com os polícias atrás dele, e com o consentimento e conivência da banda que o ajuda na música. Lindoooo! Podemos nós mulheres sonhar com um homem assim, e um amor assim?

P.S.: E, Meu Deus, como ele devia beijar maravilhosamente bem...devo estar a entrar "naquele momento" do mês para escrever um texto tão ridículo mas já o escrevi e não me apetece apagá-lo...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Saudades...

não dos Blind Zero, mas também, mas sobretudo daquilo que me movia nos concertos do antigamente. Provavelmente só uma pessoa sabe do que falo, mas essa pelos vistos já não lhe interesso. Sinto saudades do sentimento, do friozinho, do nervosismo saudável e que despoletava imeadiatamente um sorriso sincero.
Ainda me lembro num qualquer concerto, pendurada nas grades, ao lado do namorado actual mas irreal, olhar para trás e cruzar o olhar meloso com o teu. Será possível repetirmos isso? E porque é que há certas coisas que parece que só sentimos uma vez na vida?

domingo, 12 de abril de 2009

Um por todos e todos por um!

Tenho por opção ser optimista, mas realista, muito realista. Que a situação do país não é boa, já todos nós sabemos há muito tempo. Que existe uma coisa a que chamamos défice, e que cresce sem parar por estes lados, também não é novidade sobretudo desde que Manuela Ferreira Leite foi ministra das Finanças e fazia questão de nos lembrar isso frequentemente.

Agora li que estamos na lista dos 20 países mais endividados do mundo. Haverá razões para preocupações? O meu optimismo diz-me que não, visto que o Japão, sim o Japão, ocupa o 2.º lugar da lista e nós o 19.º, a Itália de Berlusconi também figura pelo 10.º lugar, tal como a Grécia no 8.º. E as conclusões ditam que a dívida portuguesa está ao mesmo nível da alemã, sim essa grande potência, e melhor ainda, a nossa situação económica está melhorzita do que a francesa. Ou seja, haverão razões para preocupações? A mim parece-me que não.

Tudo isto é justificado pela crise, e consequentes planos de estímulo económicos, combinados com o apoio às empresas e ao sector financeiro de forma aos países não irem por água abaixo como aconteceu pelas terras da Islândia. Com tantas ajudas, é inerente que as despesas do estado tenham aumentado, o mesmo acontecenco com a dívida contraída ao exterior. Estima-se que a dívida portuguesa venha a atingir os 85,9% do PIB no próximo ano, mas os especialistas ditam que as contas nacionais não estão ao nível das irlandesas, gregas ou italianas, perto da bancarrota. Segundo concluem os especialistas, o problema das finanças portuguesas está relacionado com a realidade exterior de crise e falta de financiamento e investimento.

Não vejo razões para alarmes de maior. A única coisa que me preocupa são as eleições no final deste ano, que por tudo aquilo com que mexem, irão também mexer negativamente na economia. Uma maioria absoluta é necessária mas não previsível, mas acredito em Portugal e nos portugueses e que vamos sair desta melhor do que alguma vez pensamos. Apenas temos de atentar que o trabalho é algo que tem de ser feito, mesmo quando parece que não vale a pena, por isto ou por aquilo. Mas se pararmos estamos a prejudicar o nosso país, que tanto trabalho deu a construir pelos nossos antepassados. Vamos vencer a crise!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

But I can see you every (day and) night free

Acabei de ler um desafio imposto às minhas palavras. Nunca fui muito boa nestas coisas, nas palavras ditas ora escritas, aquelas que são sentidas aqui por dentro. Que nem sempre são fáceis de explicar,nem para mim própria, mas sei que é necessário para ultrapassar o medo, tentar e prestar uma justa homenagem a quem de direito o merece.

Tudo o que não nos sai da cabeça, aquilo que chamamos de especial, não acontece felizmente muitas vezes ou não seria considerado especial. E já senti um género de "plim" por duas vezes na vida, um com uma música e outro com uma pessoa. Um dia acordei com o rádio ligado pela minha irmã, e uma melodiosa música fazia-se ouvir. Enquanto acordava, pensava em como aquilo soava bem, e já cantarolava umas partes da música. No final os meus ouvidos pediram-me mais e perguntei à irmã mais velha de quem era aquela coisa tão bela. A resposta foi um insaciável "não sei". Coincidência ou não, dois dias depois, a mesma irmã apareceu em casa com uma cassete (sim, essas belas coisas em vias de extinção) e no meio de muita música de diferentes bandas, lá estava a "minha" música. Chama-se "Come As You Are - Nirvana" e estranho é pensar como tantos anos passados ainda me lembro de tudo como se estivesse agora a suceder. A magia do momento, da descoberta! A cassete foi imediatamente raptada e a fita foi ouvida vezes sem conta durante esse dia. Na escola perguntei se alguém conhecia, e ninguém me ajudou em alargar o meu conhecimento. Sentia-me desesperada, com fome de mais, de ouvir aquela voz, aquela melodias. Outras melodias. Saber mais sobre a banda, quem eram, de onde vinham, quando começaram, quantos álbuns já tinham editado.

Até que me apareceu a Baby, a minha grande professora do grunge, a minha grande amiga desses belos tempos de adolescência. Os irmãos, mais velhos, eram loucos por tudo aquilo que vinha de Seattle. Um deles assistiu mesmo ao concerto dos Nirvana em Portugal em 92. Como o invejei. Era-me impossível sequer sonhar com isso, ou conquistar um "sim" do meu pai em relação a isso. Sobretudo quando na televisão e nas revistas, os Nirvana apareciam como uns drogados, com música dita "pesada" para os mais velhos, e vestidos como uns maltrapilhos. Influências não desejadas por um pai estremoso como o meu. Nunca na vida eu poderia passar a minha adolêscencia e juventude a adorar personagens deste género. Lá tive de me acalmar nas compras das revistas que traziam o que quer que fosse sobre eles, na compra das cassetes e até numa t-shirt que ambicionei durante demasiado tempo.

O orgulho em gostar de uma música tão especial era tanto que me apetecia berrar aos céus que os adorava. Explicar como os adorava, o porquê e porque eles eram, sem sombra de dúvida, os melhores do mundo e arredores. Como contei no post anterior, infelizmente não gostei muito tempo dos Nirvana antes do Kurt Cobain ter falecido (como não acredito na história do suicídio, nunca direi que isso possa ter acontecido mas esta parte fica para um post posterior, escrito num dia em que esteja suficientemente frustrada com a vida de forma a transparecê-lo para aqui). Num Sábado de manhã, mal tinha acordado e, já estava a ouvir na rádio essa realidade. Senti-me perdida. imaginei que não podia ser possível. Eu queria continuar a crescer, a ouvi-los, a ter a possibilidade de ir a um concerto mesmo não podendo. Durante muito tempo não aceitei a veracidade dos factos, não me conformei e comecei a tornar-se numa adolescente frustrada. Muito frustrada. Uma altura houve em que me senti tão irritada e frustrada que nem conseguia ouvir as milhentas cassetes que já tinha em casa e preferia não pronunciar sequer os nomes deles. Julgava que ouvia uma coisa que já não existia, que tinha morrido no dia em que o coração do Kurt Cobain deixou de pulsar. Um grande amigo dessa data encontrou-me no outro dia, e lembrou-me que eu escrevia várias músicas dos Nirvana, do início ao fim, nos cadernos dele enquanto as cantarolava. Todos sabiam desta minha paixão assolapada, até alguns dos professores da época.

Quem não consegue entender a ferosidade das músicas. O som característico de toda uma alma conturbada. Quem não entende aquele fechar doloroso de olhos quando canta o Where do You Sleep Last Night no Unplugged in New York. O cansaço de milhares de fãs que o adoram como músico mas nunca perguntaram como ele seria como pessoa. De como nem sempre é simples cantar para milhões de pessoas com as quais apenas consegue sentir empatia, não sabendo se elas apenas gostam do Kurt músico, esquecendo-se da pessoa sensível, carente e cheio de amor para dar a quem o merecesse. Alguém que cresceu saltitando de casa em casa, sem uma família estável que lhe soubesse dar um afecto quando ele mais necessitava. Uma desilusão de ver a sua adorada família trespassada por uma separação que antes dos 10 anos é difícil de entender. Um crescimento demasiado rápido para ser feito de uma forma saudável. É assim que entendo que ele seria. Sensível, carente, desejoso de conhecer quem o amasse pelo que ele era e não por ser uma estrela rock.

Em quantos concertos ele cantava com a boca junto ao microfone, os olhos fechados, o cabelo levado pelo vento, de uma forma calma, transparecendo toda a raiva que lhe ia na alma, tudo o que sentia e não conseguia transparecer de uma forma racional para as suas letras. Apenas de uma forma abstracta, até porque a maioria das letras dos Nirvana não tem um início, desenvolvimento e final completos e lógicos. Mas sim um misturar de emoções e sentimentos, misturados com muita energia e muitas histórias entendidas nas entrelinhas. Não é fácil compreender os Nirvana, e muito menos o Kurt Cobain. É uma personagem enigmática para a maioria das pessoas, para mim nunca o deixou de o ser.

No final da sua curta vida, sinto que ele estava cansado de ser uma rock star com tudo aquilo que isso implica. Que preferia optar por estar na sua casinha, sossegado a fazer música para os netos, e não para um público amorfo que histericamente apenas o adorava como rock star. E ele era bem mais do que isso. As drogas seriam um dos seus problemas, mas não seria a causa de uma morte sem sentido, sobretudo quando existia uma criatura linda com a qual queria passar o resto da sua vida. Um dia ele disse: "prefiro ser odiado por quem sou do que ser amado por aquilo que não sou." E penso que é uma frase suficiente rica para tirarmos as nossas conclusões.

O carisma não passa despercebido a ninguém. Músicas como Rape Me, Drain You, School, Big Cheese (o meu álbum preferido, ao contrário da maioria, é mesmo o primeiro)e tantas tantas outras espelham o que ele era por dentro, de uma forma confusa que as suas letras não são fáceis de percepcionar. A facilidade com que ele tocava e cantava a Polly, a raiva que imprima na Territorial Pissings, a boca que mal se abria mas de onde saiam verdadeiros berros sonoros com muito desespero pelo animar das hostes. Já ouvi explicações estranhas sobre o significado das letras, outras sem sentido, outras incompletas e que não espelham quem era o autor das ditas canções. O modo divertido e espontâneo com que tocava cada música não é habitual, e nunca mais encontrei nenhuma banda assim.

Infelizmente nunca os pude ver ao vivo. Algo que me deixa totalmente incompleta como fã, por não sentir a vibração vinda das guitarras, dos acordes, do grunge que todos eles respiravam. Não faço ideia do que poderia pensar e sentir, mas certamente seria um dos melhores dias da minha vida. Não consegui escrever um texto bonito como o Marco, até porque acho que este meu "amor" pelos Nirvana é bastante menor do que o amor dele pelos Pearl Jam, até pelo simples mas importantíssimo facto de já os ter visto ao vivo muitas vezes. Ter sentido tudo aquilo que nunca poderei sentir. Por um lado imagino, por outro sinto pena, mas não hei-de ir embora deste mundo sem concretizar o meu sonho de Seattle, Aberdeen, todos os cantos e recantos, bares e cantinhos onde os Nirvana pisaram o solo. Sentir o local onde tudo nasceu. A boa música, o denominado grunge, não se fica pelos Nirvana, porque também existem os famigerados Pearl Jam, Soundgarden, Alice in Chains, Melvins, Smashing Punpinks e tantos, tantos outros.

E uma pessoa só morre quando nos esquecemos dela, não é?
Para sempre, Nirvana!!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

The one's

Não sou muito boa nas palavras como este meu colega blogista, que por simples palavras conseguiu transmitir tudo, ou quase tudo (acredito que muito ainda ficou por dizer), o que lhe vai na alma sobre a sua banda de eleição. A magia de todos estes anos em que se auto-intitulou fã de uma qualquer banda. Mais um dos fãs.

Eu, como qualquer outra pessoa, também tenho uma banda especial. Que todos conhecem. Hoje infelizmente não é um bom dia, 8 de Abril não é a melhor das datas a serem recordadas. Hoje faz anos, e prefiro nem quantificar, que Kurt Donald Cobain fui encontrado morto. Fatídico dia em que acordei de manhã e ouvi a fatídica notícia na rádio, comprovada na televisão à hora de almoço. Era fim-de-semana e passaram-me demasiadas coisas pela cabeça. Uma delas foi a incredulidade total da realidade. A falta de não ter ninguém com quem chorar a morte de alguém que não devia ter ido tão cedo. A incredulidade de alguém como ele ter optado pela morte antes da hora. A certeza de que me restavam apenas as cassetes, os CDs, os vídeos dos inúmeros concertos, as paredes do quarto repletas da sua imagem (para pesadelo do meu pai). E sei que a partir deste dia nunca mais acreditei que um dia pudesse atingir o auge total num qualquer concerto. Até hoje.

Um dos meus fracassos, ao contrário do meu colega blogista, é nunca poder ver os meus ídolos ao vivo, vibrar com os acordes, as letras, a música, o espírito. Nunca! E essa será uma das frustrações com as quais terei de viver o resto dos meus dias.

P.S.: Para colmatar este desespero já tenho prevista para este fim-de-semana uma longa conversa e longas bebidas com um amigo de longa data, igualmente especial, que sabe como adoro os Nirvana, como consegui concretizar o meu sonho e me conhece melhor do que muitos dos que me rodeiam. E sinto-me feliz por isso... por ir estar com ele! Por lhe poder voltar a contar novamente todos os meus segredos. É bom olharmos para alguém e percebermos que afinal ainda conseguimos sentir alguém como muito especial, sendo o sentimento recíproco passado pelos nossos olhares.

P.S.2: E para responder aos meus colegas de trabalho, um dos meus sonhos é ir a Seattle, Aberdeen, durante dias suficientes para conhecer todos os cantinhos adorados pelo meu ídolo. E o outro, mais impossivel de concretizar, seria escrever um livro. Sobre o qué? Isso terão de descobrir...

P.S.3: Hoje também me mostraram isto. Uma verdadeira homenagem. Vale a pena ouvir, fechar os olhos e imaginar que é mesmo ele quem está a ouvir. E rezar para que venham ao Porto dar um concerto, e eu possa beber o suficiente para conseguir imaginar que estou, de facto, a ouvir os Nirvana. Que bom seria!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Ainda há vida

Felizmente ainda não foi desta que perdi mais uma das minhas "bases". O Pataco está a melhorar a olhos vistos, pelo que diz a minha mãe, come imenso e salta ainda mais, o que significa que está a melhorar. Estou feliz e mais relaxada. Ainda não foi desta e, a partir daqui vou aproveitar ao milímetro todos os momentos que estiver com esta minha preciosidade. Obrigado ao destino ou a quem quer que seja. Não preciso de dizer que nos próximos tempos não ficarei pelo porto, com medo de que mais uma coisa destas possa acontecer.

domingo, 5 de abril de 2009

Não

E como nada na vida parece querer ser perfeito surgiu mais uma mancha. O Pataco está doente, tem um papo duro enorme debaixo do pescoço e pode ser uma mísera inflamação que passará com o tratamento, como pode ser algo mais grave que não passará... O pior é que amanhã vou ter de o deixar... felizmente que esta semana apenas tem 4 dias de trabalho. Na quinta já estarei de volta para o bom ou para o mau. Mas parece que só o mau soa na minha cabeça como um eco. Não sei se será o meu pessimismo a falar ou apenas o realismo. Mas estou com medo, muito medo. Não quero perder mais uma das razões que me faz voltar aqui.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A magia

Ontem mostraram-me o caminho para a praia. Hoje, depois das 7 horas não resisti a não passar no Freixo, e segui pelo D. Luiz para sair junto ao rio, mais ao longe, junto ao mar. E durante mais de uma hora caminhei como se a areia não tivesse fim, como se o vento arrepiante vindo directamente das ondas e do final do dia não arrepiassem a pele do meu pescoço. O pôr-do-sol de uma praia qualquer de hoje foi a coisa mais linda dos últimos tempos. O equilíbrio de que precisava há tanto tempo, a calma que ansiava por sentir há demasiados dias.

Passear num qualquer dia à beira-mar, em silêncio, a ouvir apenas o bater das ondas, o terminar de mais um dia, uma semana, descansa o cerébro, leva embora as más memórias recentes e transporta-nos para um futuro que, por momentos, acreditamos ser possível. A magia do momento é inexplicável, demasiado perfeita para um ser como eu conseguir transpô-la por palavras demasiado vãs. Soou bem, cheirou ainda melhor e será um hábito a repetir se possível, todos os dias. As pernas doem mas o coração agradece. A mente sorri e sente-se mais liberta. Não sei o que mais podia fazer hoje para me sentir mais em paz... talvez nada! Hoje sinto-me completamente feliz... obrigado magia!

P.S.: A fotografia não é do pôr-do-sol que visualizei no dia de hoje, mas assemelha-se. Para a semana não me irei esquecer da máquina para memorizar o momento para sempre, e se possível, o sentimento.