domingo, 27 de maio de 2007

Um conselho do Pedro Tochas

1º passo: Pensa em dez coisas que gostes.

2º passo: Faz uma lista com essas dez coisas.

3º passo: Olha para a lista e pensa quando as curtiste pela última vez.

Se não te lembrares, está na hora de repensares a tua vida... e para o próximo fim de semana já tens planos... é só olhares para a lista.

Este pensamento faz parte da minha campanha:
Curte a vida!!!!
Faz ( pelo menos) uma coisa que gostes por dia!!! ;)

As dez coisas que o Pedro Tochas mais gosta:
- Dormir até tarde;
- Queijos de todo o tipo;
- Brincar com cães;
- Fazer rir os meus pais;
- Fazer espectáculos de rua
- Dias cinzentos
- Filmes parvos
- Casas misteriosas
- Jogos de computador
- Sentir o vento na cara


P.S.: Toca a fazer a lista rápido!

quinta-feira, 24 de maio de 2007

O lixo é ... no lixo!

Ao entrar hoje na camioneta que liga a minha pequena aldeia à cidade de Coimbra, fiquei atónita ao visualizar o espaço em que me tinha metido. A dita viatura tinha dois andares, e porque gosto de observar o máximo de realidade, desloquei-me para o andar de cima. Quando entro para o corredor visualizo uma cena deprimente: sacos, pacotes do Macdonalds, bolachas, papéis, ou seja, lixo por todo o lado. Tento procurar um lugar minimamente asseado, o que se revelou infrutífero porque todos as cadeiras tinham lixo em baixo ou mesmo por cima delas, e ainda a sair dos pequenos contentores em frente.

Aparvalhada com a situação tento encontrar o "menos mal", e no meio de muitas andanças no corredor, para trás e para a frente, a ouvir os comentários das pessoas, lá encontro um local mais decente que o último. Sentei-me e pensei: "Mas que raio se passou aqui? Parece que houve um furacão!"... facto impossível por as janelas estarem intactas (piada... rir!...).

Perto da paragem de saída, ao lado do também imundo Mondego, desço antecipadamente e pergunto ao condutor o que se tinha passado. Ao que ele lá se foi desculpando, "Houve uma visita de estudo e deixaram a camioneta neste estado". Ao que eu retorqui: "E a rodoviária não deveria ter limpo isto? É que está imenso lixo lá em cima, pacotes inteiros do Macdonalds, guardanapos no chão, bolachas por todo o lado e até promoções do Happy Meal!" Ao que ele se desculpa e diz que não teve culpa, aquela tinha sido a camioneta que lhe tinha saído naquele dia e ainda não tinha tido tempo de a limpar. Para além de não ser suposto terem deixado a camioneta naquele estado... pois!

Aliás, não é obrigação dele limpar nada daquilo, foi o que pensei e lhe disse. E entretanto lembrei-me de quando tinha viagens de estudo. Por um lado não iamos ao Macdonalds, levávamos "farnel" de casa, o que era mais saudável e barato. E por outro lado, as professoras tinham a atenção de no final da viagem inspecionar a camioneta a ver se havia ou não lixo, para além de existir sempre uma saca para o lixo num canto qualquer. Mas, e acima de tudo, éramos bem educados e sabíamos de antemão, que o lixo não se deitava para o chão e por isso, muitos de nós já levavamos de casa sacos de plásticos direccionados para transportar o lixo, caso isso fosse necessário.

Achei que devia contar esta história porque me impressionou a falta de educação e respeitos dos alunos e professores que foram na dita viagem. Uns não receberam educação que lhes permitisse entender que o lixo não se coloca no chão, e outros porque não tiveram a decência de deixar o transporte como ele lhes chegou às mãos. O justo seria na próxima viagem de estudo daqueles alunos e professores, o transporte lhes aparecesse exactamente como o deixaram nesta última. Mas a vida não é mesmo justa...!

terça-feira, 22 de maio de 2007

Um caso de falta de ética

Joaquim Cardoso Dias acusa o Público de uso indevido de uma fotografia sua no suplemento Ipsilon. A dita imagem já havia sido publicada no Ensino Magazine, mas isso não foi referenciado no suplemento, juntamente com o nome do autor. Ele resolveu escrever uma carta de indignação ...!

"Não sei a quem dirigir este email. No entanto, tenho de escrever estas palavras de maior desencanto. Já remeti vários emails para o endereço ipsilon@publico.pt, mas não obtive qualquer resposta. O caso que seguidamente irei relatar não é inédito comigo. Os outros casos deixei passar em branco por falta de tempo ou por não ter deles conhecimento atempadamente.No passado dia 11 de Maio de 2007, e como é habitual, comprei um exemplar do Público, porque aprecio alguns artigos e redactores - alguns são meus amigos. Quando ainda na rua folheava, por acaso, o Ipsilon fico surpreendido com uma fotografia inserida na página 19, ilustrando um artigo de fundo com o título "O cantautor infame" da autoria de Joana Amaral Cardoso . Essa fotografia é-me muito familiar porque sou eu o autor dessa imagem. A fotografia que me refiro é do cantor Nuno Guerreiro. Chego a casa. Ligo o computador e entro na net. No Google escrevo o link “NUNO GUERREIRO À CONVERSA COM JOAQUIM CARDOSO DIAS” e imediatamente aparece a fotografia e a entrevista que realizei há alguns anos ao Nuno Guerreio e que foi publicada no Ensino Magazine. A fotografia estava diferente, mas mesmo assim a reconheci. Fiquei magoado, ofendido, surpreendido... Nem sei exactamente explicar como me senti e como me sinto ao escrever este testemunho. É lamentável e profundamente desonesto que um jornal como o Público faça semelhante atentado aos direitos de autor de alguém que escreve, fotografa e publica livros como eu – mesmo que eu fosse alguém anónimo merecia o mesmo respeito e consideração. Mas se o furto em si mesmo dessa fotografia é grave – mais grave é ainda essa fotografia ter sido manipulada como que para disfarçar o roubo; para camuflar a apropriação, o furto, roubo de algo que não lhes pertence. Isso é verdadeiramente infame. Agiram com má fé. Comportaram-se com verdadeiros impostores. Apelidaram, no artigo, o George Michael de infame. Resta-me dizer que infames são os autores deste roubo – autora do texto e chefes de redacção e sei lá mais quem. Já falei com amigos jornalistas e fotógrafos que me aconselharam a fazer um escândalo. Mas sou ponderado. Não gosto de ondas. Tento sempre procurar dias de mar calmo para navegar e fugir às tempestades que outros têm prazer em provocar.Para concluir, acrescento que este lamentável acontecimento (devo confessar) me entristeceu e revoltou imenso. Nunca imaginei que o jornal Público fosse capaz de tamanha safadeza.Informo que se não tiver uma resposta pública e um pedido de desculpas formal que me satisfaça irei tomar providências judiciais. Não pensem, no entanto, que quero apenas uma nota de roda pé no fundo de uma qualquer página do jornal. Quem me conhece, sabe que sou um ser humano simples e alérgico a fogos de artifício. Mas semelhante roubo merece e exige outro tipo de tratamento para evitar ataques deste nível ao trabalho dos outros. Se não sabem a conduta que um jornalista deve ter, eu posso dar-lhes lições sobre esse tema. Ou então vão plantar batatas. Talvez seja esse o nível a que muitos jornalistas estão. Vivemos numa tempo assim. E infelizmente outros profissionais competentes estão no desemprego ou a plantar as batatas que vocês não estão a plantar. Enfim. Quem tiver ouvidos que oiça."

Rui Araújo, provedor do Leitor do Público foi célere na resolução deste problema e já publicou a "resposta". Criticou o editor do Ipsilon pela sua atitude não ponderada e irresponsável de publicar aquilo que não era seu, não aceitando as desculpas da "pressa devido ao fecho da edição" como justificação plausível para o acto. Quero demonstrar o meu apreço pelo trabalho de Rui Araújo, apesar de provedor do Público, não se coibe nem um pouco de criticar o trabalho feito pelos seus colegas de casa, com rigor, exactidão e isenção.

P.S.: Eu própria também já tive fotografias da minha autoria publicadas, com o denominado autor "arquivo"... mas como não me chamo Joaquim Cardoso Dias, e o dito jornal não é o Público, nem sequer me vou chatear. O facto é que os direitos de autor são uma realidade e é muito importante que saibamos reclamar por eles... até porque a vida está difícil para todos!

segunda-feira, 21 de maio de 2007

O direito de aprender rodeado de respeito

Miguel tem doze anos, é magro, delicado e já superou um cancro no sistema nervoso central. Miguel ainda não foi ás aulas este período, por ser mais um caso de bullying nas escolas portuguesas. Com total consentimento dos professores da Escola Básica 2,3 n.º 2 de Rio Tinto e dos pais das crianças que não entendem uma vida já tão diferente e sofrida.

A pedopsiquiatra de Miguel escreveu, este ano, uma declaração para a escola a relembrar que o menino tinha sofrido vários internamentos, quimio e radioterapia, que lhe deixaram sequelas como debilidade física, fragilidade emocional, dificuldade de reacção a pressões psicológicas e era vítima de bullying. A recomendar uma mudança rápida de turma e uma urgente intervenção clínica do Gabinete de Psicologia da escola junto dos jovens que agrediam Miguel. Em vão.

Depois de nada ter sido feito pela Directora de turma e pela Presidente do Conselho Executivo, os pais de Miguel preferem não arriscar um possível agravamento do estado clínico do filho para actos de auto-agressividade, e decidiram não levar o filho à escola depois das férias da Páscoa. Esperam por uma solução que nem eles sabem identificar qual será a ideal.

A Inspecção Geral de Educação já tomou conhecimento do caso e enviou uma carta ao Conselho Executivo da escola de Miguel para tentar alterar a situação, pensando sempre em primeiro lugar nos interesses, direitos e bem estar da criança. A recomendar a resolução do problema, ainda que para isso tenham de ser tomadas medidas de excepção. O conselho executivo defende que a suposta mudança de turma apenas deverá ser feita no próximo ano lectivo, por razões pedagógicas.

Pedagogia nunca ponderada no caso deste menino que, pelos vistos, não tem direito a uma educação como todas as outras crianças. O seu caso é diferente, por ser diferente, mas um acompanhamento e uma explicação aos colegas de Miguel, iria sobejamente ajudar e muito. O problema é que ninguém se preocupa com o problema desta criança, nem os professores, nem o conselho executivo e nem os colegas, que preferem tornar a vida de Miguel num inferno ainda maior.

Não sei o que os pais estarão a pensar fazer, mas a meu ver, a melhor solução seria mudar de escola. Começar uma "vida" nova, numa turma que desde o primeiro dia se visse confrontada com a situaçãpo de Miguel e a entendesse. Não o encarasse como motivo de chacota e divertimento... uma turma que fosse um verdadeiro escudo protector deste menino que merece bem mais da vida do que isto. Uma escola que respeitasse Miguel e a sua diferença, tornando-o igual a todos os outros.

E a nós também nos cabe tentar mudar este caso, tornando-o mediático de forma a que, a quem compete, tome as decisões acertadas. Finalmente...! E que sintam alguma vergonha pela letargia perante o problema... uma vergonha, sobretudo em termos de cumprimento dos direitos das crianças! Porque eles ainda existem...!

Consequências da piada

Um professor de inglês, trabalhador na Direcção Regional de Educação do Norte, foi suspenso por ter feito um comentário sobre a licenciatura de Sócrates. A directora do DREN classifica esse comentário como um insulto e assim justifica o processo disciplinar instaurado e a posterior suspensão de funções.

Margarida Moreira classifica o comentário como uma situação extremamente grave e inaceitável, sobretudo por ter sido feito no interior do DREN e durante o horário de trabalho. E remata: "Os funcionários públicos, que prestam serviços públicos, têm de estar acima de muitas coisas. O sr. primeiro-ministro é o primeiro-ministro de Portugal".

Fernando Charruas justifica-se numa carta endereçada às escolas onde trabalhou: "Transcreve-se um comentário jocoso feito por mim, dentro de um gabinete a um "colega" e retirado do anedotário nacional do caso Sócrates/Independente, pinta-se, maldosamente de insulto, leva-se à directora regional de Educação do Norte, bloqueia-se devidamente o computador pessoal do serviço e, em fogo vivo, e a seco, surge o resultado: "Suspendo-o preventivamente, instauro-lhe processo disciplinar, participo ao Ministério Público"".

Neste momento Fernando Charruas, ex-deputado da Assembleia da República pelo PSD durante um ano, já não está suspenso. Depois da interposição de uma providência cautelar para anular a suspensão preventiva e antes da decisão do tribunal, o ministério decidiu pôr fim à sua requisição na DREN. Como o professor, que trabalhava actualmente nos recursos humanos, já não se encontrava na instituição, a suspensão foi interrompida. O professor voltou assim à Escola Secundária Carolina Michäelis, no Porto.
Comentários ao caso? Não tenho muitos:
  1. Em primeiro lugar, questiono se ainda vivemos num país democrático, e consequentemente, com liberdade de expressão. Espero que casos como este não se repitam, e não se tornem moda.
  2. Em segundo lugar, penso que devem haver quezílias entre as duas personagens desta história. Uma é socialista e directora-geral, e o outro social-democrata e um mero funcionário, talvez sonhador diário do cargo da primeira.
  3. Em terceiro lugar, de destacar a forma simples e rápida como o caso se resolveu. O senhor deixou de ser funcionario da DREN e assim se fechou o caso. Porque a justiça portuguesa não funciona assim em todos os casos?
  4. E por último... com tantos professores no desemprego, havia uma vaga para este determinado docente na escola do Porto? ... Há gente com sorte...!

domingo, 20 de maio de 2007

Ainda este caso...o mesmo!

Mais de quinze dias passados o tema ainda permanece nos cafés, os directos sucedem-se nas televisões, ao almoço e ao jantar a pergunta repete-se diariamente: "Já se sabe mais alguma coisa da menina inglesa?"

Confesso que há muito para falar sobre isto, sobretudo no que diz respeito ao comportamento dos media portugueses e ingleses, mas o mais importante é destacar que Madeleine não foi a única criança que desapareceu em Portugal... para não mais voltar! E isto começa a indignar muitas pessoas, depois de nos habituarmos à ausência da criança, nos familiarizarmos com esta história, e nos mentalizarmos que ela só poderá ter um final... que não será, certamente, muito feliz. Começamos a pensar nas outras que desapareceram e ainda não surgiram... anos e anos depois! Os números não são exactos, com uns media a ditarem 8, outros 12, e outros mais de duas dezenas de crianças desaparecidas em Portugal e que ainda não foram encontradas. Para mim, basta que tenha desaparecido uma para o assunto se tornar bastante, demasiado, grave!

Esta questão foi amplamente debatida no Prós e Contras de há uma semana atrás: "porque não foi dado este mediatismo aquando do desaparecimento de outras crianças portuguesas? Será preciso termos uma desaparecida de nacionalidade estrangeira para ser dada tamanha importância ao caso?" As respostas não foram dadas com clareza. Entre desculpas vãs de, "agora estamos mais atentos a estes casos", a "os media ingleses deram um grande destaque, o que ajudou o mediatismo", não justificaram nada! A indignação da mãe de uma criança desaparecida há muitos anos, talvez por não ter sido dada a mínima importância ao caso do seu filho quando ele desapareceu sem ela saber que rumo tinha tomado, chocou-me. E envergonhei-me por viver num país em que os "os outros, os de fora" parecem ser mais importantes, ou pelo menos, ser-lhes dada mais importância, do que a nós próprios. Até a estadia em Portugal dos pais de Maddie, o governo se prontificou a pagar... Talvez também devesse ponderar pagar as consultas de psiquiatria, os internamentos e medicamentos da mãe daquela criança portuguesa, que mal conseguia falar no Prós e Contras...

Parece um discurso demasiado patriótico este, mas não o é nem tenta sê-lo. Obviamente que acho que o mediatismo, até certo ponto (bastante ultrapassado neste caso...), pode ajudar no aparecimento de desaparecidos. Mas também acho que essa "ajuda" devia ser permitida a todos, e não apenas a alguns, aos que têm maior possibilidades financeiras ou maiores poderes. Sempre defendi um tratamento igual para todos, pretos, brancos, ricos, pobres, chineses, marroquinos... e isso também nos engloba, a nós portugueses, e é neste ponto que discordo.

Devíamos, todos nós, meios de comunicação incluídos, ter mais amor e preocupação àquilo que se passa no nosso país, não descurando, obviamente o resto do mundo. Há tanta coisa que merecia ser referenciada nos meios de comunicação social, tanta coisa merecedora de discussão e mediatismo, procura e investigação, que ter este olhar redutor me faz uma certa confusão.

Ricardo Dias Felner do Público reflecte exactamente sobre o comportamento dos media no caso da menina inglesa: da quantidade de versões ditas e desmentidas no mesmo dia ou em dias seguintes, da quantidade de pessoas destacadas para o Algarve, no exagerado mediatismo que o caso atingiu, um pouco por culpa da Sky News, com mais de três dezenas de pessoas apenas para cobrir o caso de Maddie. No inferno em que se tornou a vida dos familiares, amigos, colegas de trabalho do único suspeito até há uns dias atrás, Robert Murat. Na casa onde residia com a mãe, vigiada 24 sobre 24 horas por dia, sem eles saberem bem o que queriam que saisse daqueles portões.

Cada jornalista permanecia no sul do nosso país na esperança de encontrar algo que pudesse ajudar a polícia nas investigações. Como se de uns verdadeiros detectives se tratassem! Mas o facto, já ponderado por muitos, é que tanto mediatismo tem um lado menos positivo. Por um lado, permitiu que a imagem de Maddie viajasse pelo mundo fora, indo do Festival de Cannes à final da Taça de Inglaterra. Mas por outro lado, isso pode ter prejudicado Maddie, onde quer que esteja. Ter em posse uma criança, com uma cara conhecida e procurada mundialmente, pode não ter ajudado na permanencia da sua sobrevivencia.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

O porquê de tamanho mediatismo!?

No fim-de-semana duas pessoas inquiriram-me: "Tu que percebes este tipo de fenómenos explica-me: porque é que o caso desta rapariga inglesa está a ter todo este mediatismo?" Sorri e neguei qualquer especialização neste tipo de assunto, mas de facto, há coisas que me parecem óbvias. Como em toda, ou quase toda a blogosfera, não se fala de outra coisa, resolvi que este humilde e familiar blog não deveria ser excepção.

Uma as primeiras razões é o desaparecimento ter decorrido no Algarve (ou Allgarve, como na publicidade!). É uma região que vive do turismo (apesar de eu ainda sonhar em arranjar um emprego lá...na área da comunicação, espero!), e sobretudo do turismo estrangeiro, nórdico, inglês. Quando a notícia se espalhou a região começou a ser vista como pouco segura, e tenho a certeza de que muitos pais de crianças desmarcaram as férias que tinham planeadas para a zona sul de Portugal. Talvez não tanto os ingleses que têm a confiança como uma das palavras de ordem, mas alguns portugueses devem-no ter feito. Este acontecimento foi mau para a publicitação da região turística, e como tal, os esforços tiveram de se unir para conseguir descobrir a criança. Para isso, o melhor seria dar a entender aos media que tudo estava controlado e tudo estava a ser feito, e fazer todos os dias, ou pelo menos no início era assim, uma conferência de imprensa para dar conta dos desenvolvimentos do caso. Apesar de sentirmos que o caso não se estava a desenvolver e a polícia estava cada vez mais baralhada!

Outra das razões é a nacionalidade da criança e dos pais. São ingleses! A Inglaterra é um país poderoso, respeitado, com boas relações com Portugal e com o mundo inteiro, salvo raras excepções como o Iraque...! O embaixador inglês em Portugal envolveu-se neste assunto desde o primeiro minuto, e com os conhecimentos inerentes à função, conseguiu mover mundos e fundos para solucionar este problema. Por isso, destacou a melhor força policial e de investigação para encontrar a criança perdida.

A terceira razão, a mais importante do meu ponto de vista, é a qualidade das televisões portuguesas. Deplorável a forma como têm tratado o caso! No início, na ânsia de encontrar respostas, cada canal tinha a sua informação não verificada e iam mandando hipóteses para o ar, para logo de seguida as desmentirem. Em cada telejornal, jornal da tarde ou jornal da noite são dados em média cerca de dez minutos, ou mais, para este caso, repetindo exaustivamente os mesmos factos, quando os há! Nos jornais não vejo um mediatismo tão grande como nas televisões, apenas relatam os últimos acontecimentos, procedimento normal e aceitável até ao desenrolar deste caso. Também a destacar neste último ponto, a forma como os media ingleses estão a tratar o caso. Criticam a polícia portuguesa, a forma como está a ser tratado o caso, esquecendo-se de que no seu país desaparecem mais crianças (cerca de 700 mil por ano... número demasiado assustador...) do que em Portugal. E que não são encontradas... pela polícia inglesa.

Hoje ouvi que há novos dados sobre este desaparecimento e espero, sinceramente, que a criança apareça e que alguns pais tenham aprendido alguma coisa com tudo isto. Deixar crianças sozinhas nunca foi aconselhável, pelo que pode acontecer... que não é previsivel. E como diria o Scolari, espero que Nossa Senhora de Fátima possa, de facto, fazer um milagre e ajudar...!

Por amor...

A curda de 17 anos, Doaa Aswad Dekhil, foi barbaramente apedrejada até à morte por pessoas da sua família. A razão é banal para nós mas justificável para eles: o amor por um jovem muçulmano tinha-a levado a converter-se à sua religião, o Islão.

A agonia do apedrejamento durou trinta minutos, os quais ficaram marcados na memória de um telemóvel de um habitante da cidade do Iraque. As imagens estiveram no Youtube durante 20 minutos, tendo depois sido retiradas por serem consideradas demasiado agressivas. Contudo, com uma simples pesquisa no google encontramos o vídeo deplorável da morte desta jovem curda, e ainda outros apedrejamentos, sobretudo em páginas de recrutamento de Maomé.

De acordo com o El País, o caso remonta ao dia 7 de Abril, quando Doaa foi vítima da ira de oito a nove homens que a apedrejaram, quando regressava a casa. Uma multidão de duas mil pessoas figuraram como o público do acto bárbaro.

Há muitas práticas não aceites por nós mas justificáveis por se tratar da cultura e hábitos de determinados povos. Mas esta, e muitas outras, por irem contra os direitos humanos é totalmente recusada e reprimida e deviamo-nos insurgir, verdadeiramente!, contra estes actos bárbaros e humilhantes no século XXI! A bem dos homens e mulheres que são vítimas deste tipo de injustiças... e falando de injustiças no Iraque, deveríamos também falar dos cerca de cem mortos diários, na sua maioria civis, vítimas inocentes de uma guerra que não pediram! Continuo à espera de ouvir a voz de todos os apoiantes da invasão do Iraque... como se este desfecho não fosse previsível!... Sintam-se responsáveis por ele... no mais profundo da consciência!

terça-feira, 8 de maio de 2007

Fascista ou democrata camuflado?

Para mim é inconcebível colocar Adriano Moreira numa mesa a falar de democracia, como ontem aconteceu no Prós e Contras... não consegui ouvi-lo mais que cinco minutos! Tal como também não suporto que ele possa ter uma página na Visão, reservada às suas opiniões...!

Foi Ministro do Ultramar entre 1961 e 1963... e um não-salazarista depois do dia 25 de Abril de 1974! Saiu (fugiu será o verbo indicado!) de Portugal quando se deu a revolução da democracia, para só voltar anos mais tarde ligado ao CDS, depois de um convite de Freitas do Amaral e Amaro da Costa. Uma biografia notável em termos de trabalhos realizados na área do Direito e da política, o que apenas denota o grande estudioso que é!

Vale a pena ler este artigo redigido pelo professor universitário, Adriano Moreira, dias depois de Salazar falecer!

P.S.: Por vezes sinto que a democracia é demasiado frágil. Ontem ao ouvir este homem no Prós e Contras, numa sala silenciosa, com todos a escutá-lo atentamente... senti fragilidade, muita!

segunda-feira, 7 de maio de 2007

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Alguém muito corajoso

Antonio Salas é o pseudónimo de um jornalista de investigação que conseguiu infiltrar-se no movimento neonazi espanhol, durante quase um ano. A questão do anonimato é fulcral por motivos óbvios, e por já ter recebido inúmeras ameaças de morte por aquilo que fez.

Mas este não é o único caso de perigo, infiltrações, câmaras ocultas e microfones escondidos na vida deste jornalista. Desde 2000 que já se infiltrou em perigosas seitas, grupos de crime organizado e movimentos extremistas, sempre com câmaras ocultas e microfones. Para que nada fique perdido, nem mesmo se Antonio, ou qual seja o seu nome verdadeiro, morra em serviço. Muitas destas gravações já foram usadas em tribunal!

"Diário de Um Skin" (publicado em Espanha em 2003 e prestes a originar um filme ou uma série) é uma confissão de tudo o que se passou duranto o ano em que esteve camuflado sobre uma identidade falsa e uma personagem credível. A entrevista a este corajoso jornalista, publicada na Visão da última semana, aguçou-me a curiosidade e hoje, numa ida a uma livraria, não resisti e trouxe o livro. Prometo voltar a este assunto quando o tiver terminado, mas já agora aqui fica a publicidade... já li umas linhas e promete! Parece-me bem escrito e muito, muito, muito revelador!

Atchimmm!

Dói me o corpo todo...

Os olhos choram sem ninguém lhes pedir...

O nariz funga e funga sem parar...

Os lenços povoam a base do cesto do lixo... os pacotes vazios amontoam-se uns em cima dos outros...

A cabeça explode, ora de um lado ora do outro, de frente ou de trás... ou em todo o lado simultaneamente...

A garganta tosse e tosse e dói e dói e arde e arde e puxa e puxa para coisas brancas...

Tenho imenso frio e calor... sem que a roupa ou as mantas ajudem ou piorem...

Estou a morrer... mas não estaremos todos?

P.S.: Estava quase quase a bater o meu record de "não ter amigdalite há um ano"! Snif...

P.S.1: Um blog também precisa destas divagações ou incoerências ou idiotices ou o que lhe queiram chamar! E o meu não há-de ser diferente por isso! Um dia destes, sem que ninguém o espere ou deseje, aparece por aqui uma declaração de amor... nunca se sabe...!

terça-feira, 1 de maio de 2007

A inevitável mudança

A França está ao rubro! Depois de uma primeira volta nas eleições presidenciais muito participativa, com 85% dos eleitores a exercerem o seu direito de voto, a próxima etapa será escolher entre um candidato de esquerda e outro de direita. Direita versus Esquerda! Ou Homem versus Mulher!

Este duelo final culminará no próximo dia 6 de Maio, com a 2ª volta das eleições, e no entretanto, tudo é possível para se vencer a denominada "guerra civil". Dum lado temos o conservador Nicolas Sarkozy, filho de aristocratas húngaros imigrados em França (engraçado ele ser filho de imigrantes e mesmo assim, estar contra a imigração...), e do outro, Ségolène Royal, filha de um oficial do exército e mãe de quatro filhos. A única certeza é o culminar do reinado de 26 anos do defunto socialista François Miterrand e do Presidente ainda em funções, Jacques Chirac.

As reformas em França foram sendo adiadas, ou impostas com alguma brutalidade, o que no futuro não poderá acontecer pela esperança depositada num destes candidatos. As expectativas são muito elevadas e o não cumprimento pode desembocar numa guerra civil no futuro... com mais carros ardidos e violência nos bairros dos subúrbios de Paris, e outras cidades!

Segundo todas as sondagens- a França é o país que mais sondagens consome - Sarkozy será o vencedor, apesar da distância entre este candidato conservador se estar a encurtar relativamente à sua rival de esquerda. Sarkozy que ontem proclamou: "Desafio os franceses a romperem realmente com o espírito, com o comportamento e com as ideias de Maio de 68". Não sou francesa mas se o fosse não ia gostar destas palavras...!

Jean-Marie Le Pen foi um dos derrotados da primeira volta destas eleições, mas o vencedor numa outra batalha. Como ele próprio reconhece: "ganhámos a batalha das ideias - a nação e o patriotismo, a imigração e a insegurança foram postas no centro da campanha por adversários que ainda ontem repudiavam estas noções com um ar enojado".

A (quase) inevitável vitória de Sarkozy assusta-me mas lembro-me um dia de alguém dizer que a história é feita de ciclos, bons e maus. Talvez tenhamos de passar por um tempo de ditadura, e ausência de liberdades, discriminação e outras coisas que Sarkozy promete. Tenhamos de recuar cinquenta anos para assim darmos um passo verdadeiro! rumo ao futuro. Talvez assim haja uma nova revolução! ... verdadeira!