sábado, 10 de julho de 2010

Faith no More - Memorável

Começou o concerto de uma forma irreverente, a tocar um instrumento, e vestido como se estivesse preparado para entrar numa igreja. Na primeira música surgiu o “monstro de placo” que Mike Platton encarna: segurou o microfone com os dentes, gritou, berrou, atirou guitarras. Só me perguntava: o que pode vir a seguir?? Isto não foi um concerto, foi um espectáculo memorável!!!

E o crowd surfing? Como é que um homem daquela idade faz aquilo? E quase fica sem um sapato, e chama besta ou bestiais, num português abrasileirado, ao publico e sorri! E chama nomes ao Ronaldo, com milhares de portugueses a aplaudir. Isto é que é um senhor sem papas na língua. Um homem do rock, do punk, do palco. Mas quem se ia lembrar de cantar uma música da banda, escrita originalmente em inglês, em português? È inacreditável!

Nunca acabem, Faith no More, por favor. Continuem a viciar-nos em vocês, e nas vossas músicas, estilo eclético, de show e amor ao público e à música, de camisas suadas e muita energia ainda por deitar para fora. Há tão poucas bandas como vocês. Continuem como Faith no More, por favor! Que o “até à próxima" seja mesmo verdadeiro! Memorável, Mr. Patton!

Alice in Chains - Rooster

Estou sem palavras. Parece que alguém ressuscitou nesta banda. Layne Stanley. Fenomenal este concerto. Arrepiei-me e nesta última música, tamanhas eram as semelhanças que fiquei um pouco comovida. Parece que este ilustre desconhecido de nome Will DuVall não deixou que os Alice in Chains desaparecessem, ressuscitou a banda pela sua voz incomparavelmente semelhante à do Layne, pela sua postura em palco, e amor ao rock e ao grunge, e a esta banda velha mas renascida. Jerry Cantrell já soma uns anos mas isso não se nota em palco. Sempre a cantar, a tocar, enfim, a ser um dos Alice in Chains com a postura que deve. Acho que só faltou dedicar uma música ao vocalista falecido, mas para mim todo o concerto foi dedicado a ele! Muitas saudades!

Quinta-feira não pude ir, mas eles prometeram voltar em breve! Conto com isso, e esperar...

sábado, 3 de julho de 2010

Portugal reconhece mais um grande homem: Miguel Carvalho

Sinceramente não me lembro qual foi a primeira reportagem que li assinada por ele, mas chamou-me a atenção. Li o artigo uma, duas, três e quatro vezes e sempre que chegava ao fim apetecia-me chegar ao início para recomeçar. O meu pai, depois de perceber que eu não estava louca e queria mesmo seguir o meu sonho dos 7 anos, tornou-se assinante da minha revista de eleição. A revista onde ele escrevia. Às Quintas-feiras quando a revista chegava, em dois minutos ia da primeira à última página à procura de algo assinado por dele. O curso era teórico, queria algo mais prático e foi quando surgiu a oportunidade de trabalhar como jornalista para o rugby. Aprendi uns passos mas ainda me faltava tanto, tanto, sobretudo saber como me devia comportar no terreno. Sim, porque o jornalismo faz-se no terreno e não numa secretária, fechada numa qualquer sala. O trabalho apenas fica completo aí. Ainda só gatinhava lentamente, queria levantar-me calmamente e tentar caminhar com uma bengala. Começar a andar...

Quando cheguei ao final do curso, tinha obrigatoriamente de fazer um estágio curricular, o qual necessitava de um orientador de estágio. Alguém que me ajudasse, a minha bengala de que tanto sentia falta. Todos os meus colegas escolhiam professores, actuais ou de anos anteriores, mas tirando 3 deles, os outros não tinham experiência de jornalismo na prática. Não me convenciam! Queria alguém que me ensinasse a andar no terreno, que me explicasse por palavras ou gestos o significado puro da palavra jornalismo. E, um grande amigo, desafiou-me ao perguntar: Quem é para ti o melhor jornalista português? E dei-lhe o nome, mas logo acrescentei "mas ele nunca vai querer ser meu orientador. Deve ser uma pessoa super ocupada, ..." Tal como o meu amigo disse, inventei desculpas para não tentar, mas ele chateou-me logo nesse dia para não desistir. E já tinha o plano: eu tinha de ligar para a minha revista preferida e pedir o email, ou o número de telefone, a morada, sei lá! Teimosa que sou, não me convenceu. Mas ele é mais teimoso. No dia seguinte voltou ao contra-ataque, e fez-me prometer-lhe que ia ligar para a Visão e pedir os contactos. E sorriu, quase como a dizer-me "Sua hippie, finalmente estás a crescer na cabecinha e a realizar o teu sonho".

Telefonei. Deram-me o email. Enviei um email a explicar tudo. Passou um dia, e nada, dois dias e nada, mas ao terceiro lá veio a resposta (ele não estava em Portugal e daí o delay): SIM! Explodi! Senti-me tão feliz como poucas vezes na vida. Entretanto o estágio ia começar no Jornal de Notícias no Porto, e eu ainda não conhecia o Miguel. Numa semana que estive no Porto para conhecer essa grande cidade, encontramo-nos na Fnac perto do Bolhão. E a partir daí ele ficou ao lado da minha meia dúzia de ídolos. O estágio começou bem, mas pouco tempo depois ficou um pesadelo para mim, seja no estágio ou num emprego: não tinha nada para fazer. O trabalho que havia era distribuído pelos jornalistas de serviço e não pelos estagiários. Desesperei. Lembro-me que um dia estava mesmo de rastos quando cheguei a casa, os meus pais ligaram e menti a dizer que estava tudo maravilhosamente bem, mas sentia um espinho dentro de mim. Precisava de alterar aquela situação. Liguei ao Miguel, melguei-o até não poder mais, e ele sugou todo o medo que estava dentro de mim. No dia seguinte fui ter com o meu editor, o coração pulava a 200 à hora, e disse-lhe que estava desconfortável com a situação por não ter nada para fazer. Ele disse-me que não podia fazer nada porque, de facto, não havia trabalho. Mas deu-me liberdade: "Porque não escolhes um tema, pesquisas, investigas e fazes uma reportagem sobre isso? Pensa em alguns temas, desenvolve-os e depois falamos". Fiquei eufórica! Até porque ele disse que a minha atitude era nova, nunca tinha acontecido, os estagiários geralmente comiam e calavam... eu ripostei! Graças ao Miguel :)

Já conheceram alguém que tem pureza nos olhos. Amabilidade, honestidade, solidariedade (e tantas outras coisas) em tudo aquilo que faz? Alguém que faz tantas coisas merecedoras de dizer "eu sou o maior", e no final é a pessoa mais humilde que conheceram?? O Miguel Carvalho é isto e muito mais. Soube da notícia há cerca de uma hora: Miguel Carvalho venceu o Grande Prémio Gazeta 2009! E já lho deviam ter dado há tanto tempo! Estou tão orgulhosa! Saltaram-me umas lágrimas marotas de alegria quando li a notícia. Nem queria acreditar. Mas não há ninguém que mereça mais este prémio do que o Miguel!

Hoje vou beber uma cerveja ou qualquer coisa em tua homenagem, para celebrar o teu prémio, para te celebrar. Celebrar que ainda há pessoas como tu!! Estou em Coimbra, e os meus amigos terão de cooperar (e vão fazê-lo porque sabem o quanto te admiro e até eles vão querer festejar) e festejar comigo :) Yeah!!!! (Vamos esquecer a Argentina por hoje, ok? Agora não vou torcer por ninguém...odeio o Mundial!)

Vou passear o Pataco e contar-lhe e vamos celebrar juntos. E vou contar aos meus pais, e à minha sobrinha e até ao sobrinho que está ainda na barriga! Apetece-me berrar para todo o mundo ouvir :)