sexta-feira, 29 de setembro de 2006

O canto silencioso


Conseguem imaginar o que é acordar com o som de gaivotas?... Pensei que estava a sonhar mas ao olhar pela janela percebi que os meus olhos já estavam realmente abertos! Estive três dias no Porto, um pouco para me habituar a viver sozinha, mas também para conhecer a cidade. Entretanto acabei por falar com o meu orientador de estágio, que continua a surpreender-me pela solidariedade, boa vontade, simpatia, e mais uns quantos adjectivos (já viram o artigo dele na Visão desta semana?... Fenomenal!!). Foram três dias com bons e maus sentimentos, bons e maus pensamentos... o tempo que passei sozinha fez-me pensar, e na nossa vida há coisas que não devem ser pensadas, repensadas e relembradas! Simplesmente porque não vale a pena, não nos leva a lado nenhum e apenas nos magoa.

Não me vou armar em "forte" e dizer que não me senti sozinha, sobretudo á noite, e que não senti (já) saudades... mesmo daquilo que não estava perto de mim em Coimbra. Há de facto pessoas que são logo relembradas quando nos sentimos mais desamparadas... vá lá alguém saber porquê! E não estou a falar de amigos, sobretudo dois que estiveram sempre a par do que me ia acontecendo e sempre me apoiaram (Obrigado!!!)... estou a falar de pessoas que não são amigos devido à distância mas que desejavamos que fossem mais. E não vamos ser arrogantes, todos nós quando vamos viver para sitios diferentes, seja dentro do país ou fora, sentimos saudades e temos momentos de pesar e desejo de voltar às origens, de voltar a algum tipo de passado mais longínquo. Quero sair de Coimbra porque estou mesmo a precisar, e porque é o curso normal da vida... mas é um processo moroso e que nos fragiliza!

Ontem às 5 horas da manhã ao contemplar a chuva junto à janela pensei na quantidade de pessoas que estavam à minha volta, com vidas diferentes, com histórias diferentes para contar e compartilhar com os outros, e de repente senti-me acompanhada e o sono finalmente chegou. O silêncio consegue ser mordaz quando o quer, ou quando nós deixamos!

Mas voltando à realidade pura e crua, ainda não tenho data marcada para iniciar o estágio. Eu e a Carina andamos em reboliço, a falar com os professores, com directores de estágio etc. etc., a telefonar vezes sem conta para o JN, mas parece que o nosso processo "está na prateleira". Entretanto o Miguel explicou-me ontem o que "pode" estar a acontecer... apesar de não poder dizer por este ser um espaço demasiado público, apenas posso afiançar que se trata apenas de desorganização! E espero sinceramente que para a semana me digam alguma coisa... todas as desorganizações tem limites!!

Nestes três dias a passear pela Invicta descobri que afinal o meu pai tinha razão: a cidade é fácil de conhecer se tivermos como ponto de referência os Clérigos (Já descobri três formas de chegar do jornal a casa e de casa para o jornal)! O mercado do Bolhão foi uma desilusão... até máquina levei para tirar fotografias mas afinal aquilo está a cair aos pedaços e não é bonito! Que desilusão... mas lá comprei umas coisas no meio de berros vindos de todos os lados!

E cá estou eu de volta... sei lá até quando... bah!

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

weee

Ele aceitou!!! weeeeeee :)

Quer dizer... há uns problemas porque estranhamente não tem formação universitária, mas tem experiência suficiente para me ajudar no meu estágio! E no relatório também... de qualquer forma vou informar-me se é obrigatório ser licenciado em alguma coisa... aii aii ainda estou nas nuvens!
O nome dele é: Miguel Carvalho, grande repórter da Visão!

Soube mesmo agora... e o email surpreendeu-me imenso visto que foi muito informal, contrastando com o meu que era muito formal, até porque nós nunca sabemos quem vamos encontrar do outro lado. Apesar de ser apenas dez anos mais velho do que eu, nunca imaginei que aceitasse e que me respondesse sequer... aliás, ainda hoje numa conversa de café comentei que já tinha perdido as esperanças que ele me respondesse, mas que estava decidida a procurá-lo na delegação da Visão no Porto... só era preciso ter coragem...

Não caibo em mim de felicidade!!! Tenho acompanhado de perto o trabalho dele na Visão e a sua forma de escrever, de ver o mundo, de percepcionar todas as realidades é incomparável! E por isso o escolhi... talvez lhe possa chamar o meu ídolo, o exemplo que gostava de seguir. Mas sinceramente acho que nem daqui a mil anos vou conseguir.. só espero ter o meu próprio estilo e que alguém também goste dele como eu gosto do do Miguel. Nem que seja apenas uma pessoa. Talvez não o conheçam da revista (até porque muitas das vezes lemos as reportagens mas não olhamos para o jornalista que a escreveu) mas ele escreveu à pouco tempo um livro sobre o Álvaro Cunhal, em que nos dava a perspectiva humana deste político, tão poucas vezes visto desta forma. Para além disso já escreveu também outro livro (que está esgotado em todas as livrarias de Coimbra para grande pena minha!!) que se chama Dentada em Orelha de Cão, que é um título bastante sugestivo!

Estou mesmo feliz!... o dia hoje foi em cheio... até estou com medo do amanhã!

domingo, 24 de setembro de 2006

A entrevista de Cavaco Silva

Numa viagem quase acidentada não se falava de outra coisa na rádio: a entrevista do nosso Presidente da República ao El País, dois dias antes de Cavaco Silva (omissão do Professor por razões lógicas!) iniciar a sua primeira visita de estado.

É uma boa entrevista mas não gostei da entrada. Acho que não está imparcial e para além disso tem muitos lapsos injustificáveis. No lead notamos uma importância excessiva dada aquilo que Cavaco disse sobre a União Europeia, como se ele fosse alguém com um lugar de destaque na UE. Não tem, apenas é Presidente da República de um país que muitos europeus nem sabem que é independente de Espanha. Ao longo da entrada noto muitas opiniões do jornalista, totalmente desnecessárias nesta entrevista. O pormenor da gravata está interessante mas o lapso de não mencionar Manuel Alegre por ter sido o verdadeiro opositor de Cavaco Silva e não Mário Soares (que ficou em 3º lugar!), é muito grave. No meu ponto de vista pelo menos! Apresenta Cavaco como sendo uma referência, um ídolo, não mencionando aquilo que Cavaco não fez, ou aquilo que deixou por fazer (e foram tantas coisas importantíssimas!). E vamo-nos deixar de arrogâncias... ele apenas escreveu as suas memórias para continuar presente no campo político e mediático, apesar da ausência absoluta de dez anos. Clama a si a vitória do pacto existente entre PS e PSD na justiça como se nisso houvesse algum mérito da sua pessoa. E ainda diz que "O Presidente fala todas as semanas com o primeiro-ministro", parece que foi um hábito legado por Mário Soares, e não algo iniciado agora como ele quer transparecer. Ainda só passaram seis meses... acredito que um dia as coisas não irão correr assim tão bem, e depois quero saber o que ele dirá. Mas o melhor é ler a entrevista.

Sorry


Não sei como começar... nem sequer como dizer o que, depois de algum ajuntamento, não me deixou dormir mais de duas horas hoje. É a minha frieza que fica insuportável com as pessoas de quem mais gosto (e também estou a falar de amigos)... o medo de voltar a ser enganada, magoada e de voltar a fugir-me o mundo por debaixo dos meus pés, faz com que a frieza aumente a cada dia que passe. O facto de haverem tão poucas pessoas que merecem a minha confiança, amor escondido, carinho inexistente, faz com que a minha frieza já descendente familiarmente, aumente sem cessar. Sem justificações racionais, sem coibimentos, sem controlo... e depois de passadas as situações, o peso enorme na consciência é insuportável. O desejo de pedir desculpa aumenta, mas a coragem de o fazer é derrotada pelo medo de ser magoada novamente.

Se não dermos uma oportunidade nunca saberemos o que pode sair daquele "buraco", a teoria toda já a sei demasiado bem pelos conselhos que dou aos outros. Mas na prática o conhecimento é inexistente. Já não sei o que mais dizer... nem sei porque o estou a fazer aqui... talvez porque nem tenha coragem de contar o que realmente aconteceu... a atitude completamente estúpida que partiu de mim. Nem eu própria compreendo o que fiz, mas agora pensando melhor talvez seja bom contar o que aconteceu: mereço mesmo um abanão e dos grandes. Este crescimento irracional tem demasiados agravantes para ser deixado incólume!

Amanhã vou estar com uma amiga que deixei que se afastasse há uns tempos atrás... tempos pois! Há dois anos atrás... não vou contar como me custou este afastamento, não vale a pena! O que vale a pena referir foi a maneira fria com que a tratei quando ela se tentou aproximar ao dizer "Vamos combinar alguma coisa antes de ires embora!" E sabem que mais? Não acreditei que ela estivesse a ser sincera... até fiquei um pouco magoada na altura porque achei que estava só a ser simpática e agradável... só depois ( horas mais tarde) percebi por alguns pormenores, que não vale a pena referir, que estava a ser sincera! Mas antes da grande descoberta, tratei-a mal pelo medo...!

Sei que é um problema de família, mas isso não o torna menos grave e irracional. Nem escrever sobre isto é fácil para mim (aliás, como tudo aquilo que está relacionado com os meus sentimentos).. surgem sempre uns textos frios, racionais e sem qualquer coerência. O que me apetece fazer é nem sequer publicar isto! Mas nas horas que não dormi decidi que o iria fazer... apenas porque já que o medo me impele a não pedir desculpas, pelo menos aqui fica publicamente o pedido de desculpa à minha frieza, a quem quer que já tenha sido atingido por ela.

Passam como flashes na minha cabeça todas as situações, todas as pessoas que não tive coragem (porque tive medo) de dizer o que sentia. Porque as deixei fugir... e um dia mais tarde sei que as irei reencontrar, já reencontradas por outra pessoa... e aí irei perceber o que deixei fugir, e o peso irá aumentar muito mais. No 1/4 de século que tenho aprendi que tudo o que é demasiado perfeito não pode ser nosso... pela simples razão de que não há vidas perfeitas! E por isso nunca ficamos com a pessoa que realmente amamos, nunca ficamos com os amigos perfeitos, com o emprego perfeito, com a família perfeita... enfim, com a vida perfeita! E por isso é normal que na vida de cada um de nós exista um amor "especial" que, se já foi concretizado, não deu certo apenas porque não tinha que dar... e se não foi concretizado era porque não tinha que ser. Mas ficamos felizes por saber que já amamos alguém da forma mais pura que há! E quando voltarmos a amar outra pessoa menos intensamente, numa outra perspectiva, a sombra existirá sempre mas como algo que nos dá conhecimentos. Sem friezas espero, sem constrangimentos carinhosos... o normal!

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Testemunho

Tenho andado um pouco ausente daqui e da própria Internet. A mudança, a casa que finalmente arranjei, o exame que tinha para fazer na quarta da outra semana e que apesar da chuva correu bem, o meu orientador de estágio (façam figas!!), uma parafernália de coisas que tenho de fazer (e quero) antes de me ir embora. Antes de não ter tempo para mais nada a não ser estar agarrada a um computador ou andar à procura de algo que mereça atenção.

Relativamente à casa já está tudo tratado. Infelizmente deixei isto para os últimos dias, e a escolha não foi muita. Apesar de não ser um palacete, é acolhedora e simpática, e por isso estou à espera de algumas visitas pela Invicta! Fica pertíssimo de algo que sempre quis conhecer no Porto: o mercado do Bolhão. Há uma semana, quando andava de mapa na mão, à procura da Rua Formosa passei por um edificio enorme que se identificava como o Mercado do Bolhão, e pensei: "Não pode ser perto... seria bom demais!" Mas afinal era mesmo bom demais e estou perto o suficiente para conseguir conhecer aquilo ao pormenor no meu primeiro dia no Porto.

Relativamente ao meu orientador, ainda estou à espera da boa ou da má novidade. Seria muito mais simples se tivesse preferido escolher algum dos meus professores, por já os conhecer, por saber do que gostam e do que não gostam, e também por eles já me conhecerem. Mas achei que um estágio como este era algo único na vida, e por isso quis ter alguém a orientar-me, a ensinar-me as 1001 coisas que não sei. A ajudar-me com o meu relatório de estágio, e resolvi sonhar. Alguém com a experiência que ele tem, e com a visão do mundo que nos fornece com as fantásticas reportagens que escreve, que me orientasse para que também eu descobrisse o mundo de outra forma. Claro que estou cheia de medo por ter sonhado tanto, por ele não aceitar, por não gostar das minhas notícias, e mais uns quantos medos (na verdade, o medo domina a minha vida)... mas o importante até ao desfecho final é ir sonhando! Ainda não disse o nome e nem vou dizer até ele aceitar (se o fizer). Lamento, acho que pode dar azar... mas se adivinharem eu admito que acertaram. O que será impossível, até porque só uma pessoa é que sabe quem ele é. Entretanto podem ir fazendo figas e rezando... nunca tenho sorte nestas coisas!

A fotografia do Pataco encabeça este post porque vai ser uma daquelas coisas de que vou sentir muita falta. Mesmo muita! Já estou habituada aos passeios (não na calçada) diários com o meu cão, com toda a calma que esta paisagem transmite, com a paz e certeza que o amor dos animais nos impulsionam. E que faz tão bem! Também vou ter saudades dos meus, estão preparados?, cinco gatos! Nunca na vida imaginei que um dia ia ter cinco gatos, e aposto que o meu pai também não... mas a verdade é que tenho! De entre um que a mãe perdeu, outra que apareceu cá ter a casa e logo arranjou um namorado, e outra que com medo também apareceu e resolveu ter os filhotes por estas bandas. Eram cinco gatinhos bebés, consegui dar três e sobraram dois. Perceberam como somando dá cinco? É confuso... mas eles são todos lindos e a dependência enorme que sinto em relação a eles já fez com que pensasse inúmeras vezes em levar um deles. O problema que sempre surgiu foi qual deles é que devia escolher. A vida é mesmo complicada (eheheh)!

Rapto?

Por tudo aquilo que ouvimos nos noticiários nacionais e estrangeiros e lemos nos jornais, definimos rapto como a retenção e captura de alguém contra a sua vontade. Mas quando se trata das retenções mal definidas ocorridas no Iraque ou noutros países em guerra, a definição de rapto muda drasticamente para outra palavra mais aceitável. Apenas é rapto quando as capturas tenham sido feitas por insurgentes que, afinal de contas, estão a manter acesa a chama da guerra...

Em Abril deste ano um fotógrafo da Associated Press (AP) foi capturado pelos militares norte-americanos, e hoje, 5 meses mais tarde, continua detido sem culpa formada, sem acusação concreta enunciada e sem defesa possível. A AP (uma das maiores agências a nível mundial!) e outras organizações de jornalistas exigiram ao Pentágono a libertação deste profissional da imagem, ou o rápido julgamento em tribunal. Mas, e com toda a arrogância característica, o Pentágono reitera que tem autoridade suficiente para o prender indefinidamente sem formular qualquer acusação, apenas porque acredita que o fotógrafo tem ligações aos insurgentes! Obviamente que deve ter ligações, ainda para mais sendo iraquiano, senão não iria conseguir notícias e as melhores fotografias...

A Federação Internacional de Jornalistas contabiliza 138 jornalistas mortos no Iraque ( a maioria iraquianos), desde o início do conflito em 2003. Já para não falar do sem número de raptos, violações e agressões a jornalistas que apenas estão a fazer o seu trabalho. Aliás, segundo um estudo do Comité para a Protecção de Jornalistas, o Iraque é o sitio mais perigoso para os jornalistas trabalharem. Este mesmo estudo conclui que em média três jornalistas são mortos por mês em todo o mundo. Assustador...

É uma profissão perigosa, disso toda a gente sabe. Mas no meio de tanto perigo, que surge de todos os lados, há a necessidade de se tentar arranjar o melhor furo, a melhor imagem. E pelos vistos agora temos de ter também algumas preocupações nesta investida, pois parece que podemos ser perseguidos e raptados pelas tropas que supostamente entraram no país para o libertarem da falta de liberdade. Mas que quando estamos detidos não nos garantem a possibilidade de nos defendermos, e pior ainda, estamos a ser acusados sem a sustentação de provas e sem a marcação de um julgamento, direito de todos os cidadãos. E tudo acontece num país que tenta ser democrático. Curioso não?

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Uma simples escolha de palavras


Hoje é Quarta-feira e como tal, Vasco Graça Moura usou o seu semanal direito opinativo no Diário de Notícias com este texto: O terrorismo do alvoroço hipócrita. Estranhamente e pela primeira vez em alguns meses, não discordo (mas não na totalidade do texto) do que este senhor escreveu. De facto o Papa Bento XVI não quis ofender os muçulmanos nem Maomé. O que aconteceu é que as televisões apenas transmitiram essa parte do discurso, sem o dito anteriormente e posteriormente e que explicaria na perfeição o que o Papa queria dizer com aquela citação.

Também não é mentira que toda esta "confusão" poderia ter sido evitada, se o Papa tivesse um pouco de bom-senso e preferisse não tocar neste assunto sensível. Mas esta situação também teria sido evitada por muitas outras circuntâncias, sobretudo se os media também demonstrassem bom-senso. Até porque, da primeira vez que ouvi esta notícia fiquei com a nítida e absoluta certeza de que o Papa tinha perdido a cabeça e que estava a ofender os muçulmanos e Maomé. E fiquei incrédula porque não entendia essa "suposta" atitude tão pouco racional. Mas pesquisei, li e reli e conclui que fui enganada pela notícia de 1 minuto que me apareceu na "caixa mágica". Eu e muitos outros! E não sou muçulmana porque se fosse teria odiado o Papa e desejado a sua morte. Esta é a mais pura das verdades!

Mas também acho que não condiz com a religião cristã a negação de desculpas apenas por orgulho. Parece ser muito difícil para este Papa pedir umas simples desculpas,que não iriam significar que de facto ele tivesse errado, mas sim que tinha havido um mal-entendido e para que ele terminasse ali, as desculpas seriam uma realidade. E uma realidade sincera! Mas por alguma razão mais estranha, essas desculpas não tiveram lugar no discurso de Domingo.

Não estou aqui para defender os muçulmanos e as suas reacções depois das palavras proferidas por Bento XVI. Nada justifica a morte de um cristão, ou a destruição de símbolos. Mas, e não me estranhem, consigo compreender melhor os muçulmanos (se bem que não apoio aquilo que fazem, e as respostas que arranjam para os ataques proferidos por outros países ou por simples pessoas, é importante destacar isto). Vivem há anos e anos mortificados por ataques de toda a espécie de países do Ocidente, e estão cansados disso. Visivelmente saturados de nós ocidentais, não os aceitarmos como eles são, com a cultura que tem, a religião, as opções políticas, as vidas que preferem, tudo o que os caracteriza. São um povo oprimido e deprimido que arranjou um amparo forte na religião. E por isso, tudo aquilo que tocar na religião será como um tiro certeiro no centro do coração destes homens e mulheres. O escritor paquistanês, Tariq Ali, explica melhor esta ideia numa entrevista que vale a pena ler. E justifica, com uma razão incrivelmente verdadeira, porque os países do Oriente estão sempre a ser chacinados, invadidos, violados. Porque nós ocidentais não vamos resolver os problemas de outros países menos pobres, e sem petróleo.

O que é facto, e perante o desenrolar dos acontecimentos, é com grande pesar que considero que os media foram um dos maiores culpados neste caso! Se o objectivo das notícias fosse a informação total e não o sensacionalismo e o escândalo, nada disto teria acontecido. Mas os media nacionais e internacionais preferem ter as maiores audiências, mas dando-nos um produto medíocre e sem base informativa.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

sábado, 9 de setembro de 2006

Apito volta a brilhar



Novos dados sobre o caso do Apito Dourado voltaram a aparecer nas páginas dos jornais. O Público foi quem deu o potapé de partida para mais uma bomba no mundo mediático. Conseguiu desviar as atenções do Caso Mateus porque ressuscitou um caso que já estava adormecido nas nossas memórias (até porque muitas das queixas estavam a ser arquivadas por falta de provas), e ainda porque coloca algumas dúvidas quanto ao bom ou mau jornalismo que foi feito.

A minha questão é: se as escutas reveladas fazem parte do Processo Apito Dourado, como é que são publicamente conhecidas por um Jornal? Como é que o jornalista teve acesso às transcrições? Não era suposto estas conversas estarem protegidas por segredo de justiça?

Ontem saiu a notícia no Público sobre o Luís Filipe Vieira e a nomeação dos árbitros, "Escutas apanharam LFV a escolher árbitros para o Benfica", e hoje saiu uma outra notícia mas sobre Pinto da Costa, "Indicou árbitro para o final da Taça de 2002/03". Não notam alguma diferença no teor das notícias?... aliás, até nos títulos se nota a diferença de que falo (bem-haja seminário que me ajudaste a perceber sem perder muito tempo...). E mais: onde está a transcrição da conversa de Pinto da Costa? (não sei se vem no jornal impresso, mas na edição online não vem... a transcrição de LFVieira vinha ontem no online)

Não sei se hei-de acreditar no Vieira, e há muitos pormenores nesta recambolesca história que não estão explicados. Mas de uma coisa tenho a certeza, e só vou mudar de opinião quando os jornalistas que escreveram estas notícias o negarem. Estas histórias foram nitidamente enviadas para os jornais com um objectivo muito claro, denegrir a imagem do Benfica! E digo isto com esta certeza e talvez arrogância porque o teor da notícia é bastante incriminatório ( e se quiserem posso demonstrar onde, em que palavras, em que omissões, em que acentos!), e não há um espaço na notícia que sirva para dar a voz a LFVieira, para este se defender. O que é um direito habitual quando nos fazem uma acusação. Geralmente os visados não querem responder às acusações, ou não querem prestar declarações, e isso é publicado juntamente com o texto incriminatório. O que não foi feito neste caso! O Público online escreveu e publicou apenas na edição online, aquilo que Vieira disse à hora de almoço na conferência de imprensa... mas devia-o ter feito antes, na edição imprensa, ao lado da acusação. Porque?

E depois volta-se ao mesmo problema que ocorreu com o Processo Casa Pia: a violação do segredo de justiça. Claro que muitas vezes não são os jornalistas que o violam, porque só o iriam violar se assaltassem um tribunal ou comarca e roubassem os processos em que estavam interessados. Mas o triste é que cooperam com essa violação, e cooperam com os interesses intrínsecos a uma violação. Tal como uns meses mais tarde, ficou provado o "porquê" de algumas violações do Processo Casa Pia, este caso do Apito Dourado também se vai resolver, e daqui a uns tempos iremos entender estas duas notícias (ou será que ainda há mais?)!

O texto de hoje não condena Pinto da Costa porque, ao contrário de Vieira, ele já foi constituído arguido no processo e portanto o caso não é tão grave, seguindo a perspectiva do jornal. Mas não digo mais nada porque estou cansada disto, leiam os dois textos e vejam se não há qualquer coisa aqui que não bate certo. E se a cabala de que o Vieira fala até não terá alguma lógica.

Mas neste caso há de facto pormenores que não consigo entender. O Presidente do Benfica disse ontem que era normal os clubes aceitarem ou não nomes de árbitros para as meias-finais e finais das Taças de Portugal. A que propósito? É que se é verdade, é uma manobra que permite facilmente aos clubes meterem uma "cunha"!!! E assim, a Liga de Futebol, a Comissão de Arbitragem e sei lá mais quem, apenas vão estar a cooperar na sua máxima força com um futebol injusto e recheado de favorecimentos. Não acho nada normal! Mas se de facto é normal não vejo onde a conversa possa ter algum interesse público para ser noticiada.

Para responder a alguns benfiquistas que estão descontentes com o seu Presidente e envergonhados por serem deste clube, sinto pena. Porque o Benfica, tal como todas as equipas nacionais, não são os seus Presidentes ou até mesmo alguns jogadores que apenas jogam por amor ao dinheiro e não à camisola. O Benfica é muito mais do que isto que se está a passar e por isso não devemos ter vergonha, mas sim orgulho pela nossa história.

Por aquilo que representa para acomunicação social, sobretudo pela violação do segredo de Justiça, o Público terá de rever o seu modo de fazer jornalismo. Tanto prima por ser um jornal de referência como o seu director tanto clama aos céus, como por vezes (e nos últimos tempos, vezes demais) prima por um sensacionalismo demasiado barato. Esperamos pelos próximos desenvolvimentos redigidos nas páginas do Público com alguma ansiedade!

P.S.: E o Expresso hoje saiu com nova cara... mas duvido que venda mais que o Público depois de publicada a "bomba" de ontem, e a "bomba" de hoje! Coincidências, ãh!?

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Pequena história do Valentim


Andei a pesquisar umas coisas sobre esta "personagem" do futebol português e encontrei uns dados demasiado importantes para não os comentar aqui:
  • Com apenas 20 anos, Valentim foi acusado de falsificar a assinatura de um colega na Escola do Exército para poder fazer compras na loja da Escola. É expulso de imediato.
  • Em 1965, tinha 27 anos e comandava o Depósito de Víveres em Angola, quando adjudica o fornecimento de batatas a um comerciante pelo preço de 4$, quando na verdade o preço era de 3$50. Desses 50 centavos (há tanto tempo que não dizia ou escrevia esta palavra... saudades?), ele ficava com 35 e outro oficial com os os outros 15. Na altura Valentim era capitão e usurpou assim o equivalente a 15 mil contos actualmente. É expulso do Exército e reintegrado e promovido a major em 1980. É de imediato colocado na reserva.
  • Em 1973 foi multado pelo Banco de Portugal por emprestar aos clientes das suas lojas de electrodomésticos dinheiro para jogar na Bolsa.
  • No ano da Revolução de Abril, era um dos financiadores do Movimento de Libertação de Portugal (MDLP), e aproveitava-se disso para "fazer negócio" (por isso é que eu digo que ele não faz nada sem um propósito esclarecido). Ao que parece ficou com o dinheiro de um livro que ia ser editado pela Igreja de Braga e terá estado profundamente envolvido na morte de Ferreira Torres. Obviamente que sempre negou tudo isto.
  • Em 1980 foi condenado no Tribunal de Pombal a uma pena de prisão por injúrias a um soldado da GNR. Esta pena foi depois miraculosamente substituída por uma multa. Quinze anos mais tarde voltou a ter problemas com a polícia por ter chamado "analfabeto" a um elemento da polícia presente num jogo do Boavista, apenas por este não ter reconhecido Valentim. E há uns dias li uma nótícia em que a história se repetiu ao intimidar um fiscal da GNR que lhe passava uma multa por excesso de velocidade. "Segunda-feira já não vai ter emprego", terá sido a ameaça que deu origem a um desejo do fiscal de fazer queixa contra Valentim, mas mudou de ideias depois de ter entrado no posto policial...
  • Em 2002, Valentim volta novamente a ter problemas com a polícia, mas desta vez devido à sua mulher. Um polícia proecedeu à identificação desta, por ela ter estacionado o automóvel em cima do passeio e no enfiamento de uma passadeira. Valentim recusou identificar-se perante o agente da autoridade, apenas porque: "Ele conhecia-me. Naquela esquadra todos conhecem e sabem onde moro. Ele até me tratou por senhor major - sabe quem sou".

Preciso de dizer mais alguma coisa?...

terça-feira, 5 de setembro de 2006

O estado do futebol



Já andava desde ontem para falar deste assunto e de uma dada personagem, mas como o assunto estava pouco desenvolvido preferi esperar, esperançosa de que algo iria surgir. E hoje tive uma surpresa pouco espantosa pela novidade, mas sim pela divulgação dessa mesma novidade!

Na Segunda-feira à noite o debate no programa da RTP1, Prós e Contras, era supostamente o debate do mês: o Caso Mateus. Obviamente que lado a lado estavam presente o Presidente da Liga de Futebol, Valentim Loureiro (no próximo post explicarei porque não lhe chamo Major), e o Presidente da Federação de Futebol, Gilberto Madail. Todos sabemos que eles não tem as melhores relações, e por isso o debate prometia momentos acessos e talvez algumas revelações menos desejosas mas incontroladas pela fúria do momento. Também todos desconfiamos que, apesar do Madail ter mais poder no futebol, é bastante controlado pelo Valentim. E a confirmação veio da FIFA que, numa carta endereçada à Federação mas entretanto divulgado nos media, concluiu de todo este caso, que a Federação não tinha qualquer controle sobre a Liga, apesar de esta última lhe estar subjacente e não o contrário. O debate não foi aceso como se esperava, e não falaram nos assuntos fundamentais. Tudo correu lindamente bem, e pouco discutiram fervosamente como se esperava. Apenas nos minutos iniciais o estúdio aqueceu um pouco, com estes dois participantes a limparem o suor e a puxar a indumentária para trás para refrescar um pouco.

O debate contou ainda com a presença do Secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, e António Arnaut (ainda não entendi o que é que ele faz...). Laurentino situou o Governo neste caso, falou, falou, falou mas pouco disse. Aliás, todos falaram muito mas pouco disseram sobre o que fazer com este caso. A Federação vai invocar "interesse público" e espera que com isso consiga resolver o problema, o que não me convence. Sobretudo depois de ouvir o representante jurídico do Gil Vicente. Entretanto como já desconfiava, o Valentim trazia algo na manga, mesmo para o caso de o atacarem de forma a que ele não pudesse retorquir algo mais forte. Cunha Leal demitiu-se da Liga naquela tarde de Segunda-feira e apenas às 23horas é que os meios de comunicação social tiveram conhecimento disso. Obviamente que esta foi uma (das milhares?) de informações que o Valentim resolveu não difundir para poder ficar com esta "poderosa bomba" e a usar na altura certa. O que de facto aconteceu!

O imbróglio já se tornou demasiado denso para conseguir ser resolvido com serenidade, e para além disso, neste momento começo a acreditar que há muita gente que deseja que isto não se resolva e que não participemos nas provas internacionais. A segunda melhor equipa da Europa e a quarta do Mundo!! É vergonhoso, ainda para mais porque o mais podre do futebol português ainda não veio ao de cima... ou já veio mas entretanto já foi esquecido. Mas afinal o que se passa com o futebol português?

São os Valentins, os Loureiros, os Pintos (que está a safar-se de todos os processos judiciais por falta de provas... mas convenhamos que ninguém neste país é tão estúpido que acredite que um Presidente de um clube de futebol vai tomar café com o árbitro da partida que irá decorrer daqui a dois dias, para falar do bonito sol que está lá fora... já para não falar do Apito Dourado e da graciosa indemnização que está a pedir ao Estado) e todos os outros que insistem na vitória, mesmo quando não é merecida. São as Ligas e as Federações que não funcionam bem, e é neste ponto que concordo com o Luís Filipe Vieira quando defendeu, em plena Festa do Avante, a extinção da Liga. E não é apenas por ser do Benfica (até porque o Benfica também tem muitos "problemas" deste género, e não estou a falar do Vieira...) que digo isto, é por andar demasiado atenta ao que se passa à minha volta... ou talvez neste momento nem seja preciso andar atenta... Por um lado é bom o derrotar do futebol porque as pessoas irão ficar mais atentas ao que se passa nas outras modalidades, mas por outro lado, gosto de futebol e sinceramente não gostava de o ver "na lama" como ele se encontra agora.

Entretanto, hoje é Quarta-feira e como é habitual o meu "ídolo", Vasco Graça Moura, escreveu no Diário de Notícias, isto. São opiniões, mas discordo (para variar) na parte em que atribui total responsabilidade à Federação de Futebol. Acho que a responsabilidade do caso ter chegado até aqui e ter tomado estas proporções cabe totalmente à Liga, e se não conseguiram resolver o problema é por alguma razão muito forte (o Valentim nunca faz nada sem um objectivo claro). Agora que a situação está incontrolável é que acho que a Federação devia usar o seu poder como orgão máximo do futebol e agir com preserverança. Entretanto dou um conselho a este colunista tão agraciado por este blog: devia ter ouvido o programa de Segunda à noite, porque aí teria entendido porque é que um clube de futebol não deve agir como fez o Gil Vicente.

... To be continue...

sábado, 2 de setembro de 2006

world crumbling


all of the love we left behind
watching the flash backs intertwain
memories I will never find
memories I will never find

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Caso Eduardo Cintra Torres VS RTP


Ás vezes sinto-me mesmo sozinha nas minhas opiniões, mas pelo menos desta vez sinto-me mais amparada. O que Eduardo Cintra Torres disse e fez com tanta preserverança não pode ser justificado pela existência de fontes que não desejam ser reveladas. O que um jornalista deve fazer quando tem em sua posse uma informação (grave como neste caso) será investigar a veracidade do facto antes de o expôr em praça pública. O que ele não fez!
Vale a pena uma vista de olhos pelo Blog de Francisco Rui Cádima (posts de 31 de Agosto de 2006)!

Aí podemos encontrar tudo, desde o dossier super organizado do Clube dos Jornalistas que, ao contrário do que alguns críticos defendem, consegue expôr os dois lados da questão: o ponto de vista do Eduardo Cintra Torres e da RTP. Para além disso ainda há um conjunto de textos sobre a questão dos incêndios que nos dão uma fabulosa ajuda na compreensão deste caso!

O mundo de Bush



«George W. Bush justificou ontem a presença americana no Iraque com a necessidade de combater um terrorismo islâmico que mais não é que o sucessor do nazismo, do fascismo e do comunismo.

O mundo de Bush, dos seus estrategos e dos seus indefectíveis, é assim, a preto e branco, como nos filmes de cowboys. Há os bons e os maus. Sendo que a bondade que atribuímos a nós próprios se constrói a partir da diabolização de um inimigo. Pouco importa que rosto ou motivações tem esse inimigo. Importa mesmo que não tentemos percebê-lo, porque assim se torna mais fácil tudo confundir. Só dessa forma a História nos pode fornecer permanentemente um eixo do mal, que nos quer abater e que, em última instância, se torna razão da nossa existência. Os nossos valores já apenas se afirmam por oposição.

É por isso que, no mundo de Bush, Hitler, Estaline, Fidel Castro ou Ben Laden são a mesma coisa - inimigos. Da democracia e do Ocidente, numa difusa mistura em que predomina mais a religião que a política.

Foi essa cegueira conceptual que nos conduziu ao patamar mais perigoso que o mundo viveu desde as ameaças reais de uma crise atómica.

A seguir ao 11 de Setembro, a América reagiu da melhor maneira. A invasão do ninho de terroristas do Afeganistão e o reforço das medidas de segurança interna, mesmo com sacrifícios das liberdades, mereceram aplauso geral e, passados cinco anos, o balanço é francamente positivo.

Mas a pulsão evangelizadora da Casa Branca confundiu um simples, embora sanguinário, ditador com um patrono de terroristas e o mundo foi conduzido para um atoleiro de consequências mais nefastas do que a mera enunciação diária da lista de dezenas de mortos em atentados.

A aventura do Iraque, pela desmesura de meios despendidos tendo em conta os resultados, as fundas divisões que criou na comunidade internacional e a descredibilização da própria América, fragilizou irremediavelmente o lado "dos bons".

Agora que o mundo está, de facto, perante a ameaça real de um Irão radical, apoiante de terroristas, a trabalhar para a bomba atómica, pouco mais podemos fazer que aguardar estupefactos por um improvável assomo de bom senso. Porque, seja o que for que a América ou "nós" fizermos para conter os fanáticos de Teerão, teremos sempre de contar com a resposta do vespeiro de terroristas que Bush criou ali ao lado, no Iraque
João Morgado Fernandes, Diário de Notícias
E depois de tudo o que já aconteceu, que deveria servir para tirar conclusões obvias ainda há quem não entenda o que neste momento está em causa. Continua a defender a guerra acima de tudo, mesmo com as consequências que daí advirão.