sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

tocar violino

Há todo um maranhal de informação na minha mente sobre este assunto e não sei se saberei explanar tudo aquilo que me assalta a consciência. Falo do meu sonho, já um pouco esquecido, daquilo que me apaixonou tantas e tantas vezes mas que pela realidade e talvez pela parca coragem em enfrentar o sonho, perdi. De uma certa forma. Ou talvez não totalmente. Falo do jornalismo. Das histórias, das pessoas, das estórias tamanhas, da verdade e dos "outros" factos, da pesquisa, investigação pura e isenta se assim lhe quiserem chamar.

Para mim acabou ou está de molho por enquanto. Por várias razões. Sobretudo porque tenho a consciência de que me faltam algumas competências para entrar nessa área, que mais não é do que uma espécie de clube onde os associados se conhecem e são todos amigos. E por serem todos amigos arranjam facilmente empregos - não trabalho que trabalhar poucos o fazem - e têm bons ordenados. Mesmo muito bons, alguns poderão mesmo chegar a envergonhar um Eng.º ou Advogado. Os que chegam, imberbes como virgens adormecidas, têm de se sujeitar às condições que lhes são apresentadas ou deixar de ter amor próprio e exercer outras profissões sem descontos legais.

Mas o meu espírito crítico que funciona para tudo, também não se esmoreceu nas críticas ao que me vai passando pela frente. Falo do comportamento dos media, desde a rádio, televisão e não esquecendo os jornais e revistas que infelizmente não me fazem sentir vontade de os comprar. No final do ano passado tomei a decisão de deixar de ser assinante da Visão e já o era há mais de 10 anos, primeiro começou por ser a prenda do pai e depois a pagar do meu bolso. E eu e o pai decidimos que aquela revista já não valia o preço que custava. Ficaram as "primas": a Courier e a Visão História. E ficou um nó na garganta e muitas saudades...

Hoje deu-me para escrever sobre isto depois de ler que o Joaquim Fidalgo - um dos mestres do jornalismo em Portugal e um dos fundadores de um jornal que já foi de referência - estará presente no Congresso de Jornalistas no Teatro de S. Jorge, de 12 a 15 de janeiro, num painel onde se falará de ética. E perante esta presença talvez inusitada, ouviu de um colega: "O Titanic a afundar e tu a tocar violino!" E esta frase encheu-me o dia, a semana, o mês... sei lá. Já há muito tempo que algo não me fazia tanto sentido. Porque é mesmo isso: o barco está a afundar-se há muito tempo e na minha opinião a culpa não é dos jornalistas que ganham pouco, que têm ambição de crescer na profissão, ou nos estagiários... não! Isto são meramente desculpas ótimas para justificar o estado real onde chegamos... A culpa é dos séniores. Os jornalistas séniores quero eu dizer.

Mas como? Defendo isto porque tive experiências péssimas nos meus contactos iniciais à profissão e felizmente que não fiquei com esses exemplos para a vida. Ainda na faculdade pretendia ganhar experiência numa rádio, entrar e fazer noticiários e sobretudo respirar um pouco de comunicação ainda que numa fase muito inicial, mas para isso teria de ser admitida nessa mesma rádio. Na teoria íamos a uma entrevista com os diretores, também estudantes como eu, que nos avaliavam consoante alguns critérios. Na prática existia essa entrevista inicial mas só entrava realmente quem fosse amigo de quem estava na direção. E como nunca fui de ter muitos amigos ou sequer de os ter só por interesse - mea culpa sim - não entrei das duas vezes que tentei. Na segunda entrevista como já sabia da realidade do ingresso nem me esforcei e lembro-me de entrar já com a derrota no rosto. Sei onde estão e por onde passaram as duas pessoas que fizeram a minha avaliação. Crítica minha: não conhecem o código deontológico e têm uma fraca consciência de amor ao jornalismo puro. Isto justifica, de certa forma, tudo aquilo que se passou há anos em Coimbra. Entrei entretanto numa televisão também da academia onde não haviam estas restrições: entrava quem quisesse trabalhar e tivesse algum amor pela comunicação. E por lá fiquei a aprender, experimentar, a ganhar amor a estar atrás dos ecrãs.

A segunda experiência foi no estágio curricular na sede de um jornal diário nacional. Entre muitas coisas que julgo que não corriam bem, destaco a inveja e desconfiança dos jornalistas da casa pelos estagiários... sobretudo eu porque não concebia estar num jornal e não fazer pelo menos uma reportagem por semana. A única coisa que eu e algumas colegas estagiárias eram dignas de fazer era tratar os press releases enviados pela Lusa para não serem publicados ipsis verbis. Era estúpido e fazia-nos sentir ainda mais estúpidas. Não aceitei e tenho de agradecer ao meu orientador - um jornalista ao contrário de 99% dos meus colegas que escolhiam professores sem experiência na área - que me dava muita força e esperança e vontade de lutar uma e outra vez por aquilo que eu queria. E foi o que fiz. E tantas vezes na vida acho que se tivesse alguém a puxar por mim como ele fez - a puxar e a dar auto-estima, a afirmar assertivamente de que ia correr tudo bem ou nem precisava de o dizer, bastava olhar para ele nos olhos e simplesmente ler isso - tudo teria sido diferente! Nesse mesmo jornal, e perante alguma da minha curiosidade fui ouvindo histórias de alguns jornalistas que por ali estavam: o pai de uma era amigo do dono do jornal, a outra tinha como amante X, mas haviam alguns que mereciam o lugar que ocupavam e que representavam a profissão com algum brio. E com base neles ainda acredito numa reviravolta no jornalismo em Portugal.

Mas pegando nestes exemplos o que poderia eu, imberbe miúda, entender da profissão? Se tivesse uma carinha laroca e um corpo jeitoso podia tentar a minha sorte assim, ou poderia passar de ser amiga e aturar determinadas pessoas só porque teria algum benefício nisso. Como isso não faz parte do meu ADN, não joguei nestes dois partidos e aqui estou eu jogada no lixo e metida para canto.
No outro dia fiquei a saber que o filho de uma conhecida jornalista e autora de livros infantis, com nome na praça e uma carinha bonita, já trabalha em dois jornais de referência em Portugal mesmo ainda não tendo 20 anos e ainda estando a estudar. Não discuto o valor dele ou o esforço que está a fazer ao trabalhar e estudar em simultâneo, mas pergunto se ele fosse filho de outra pessoa se teria as mesmas oportunidades. Talvez não. E imagino-o daqui a uns anos como diretor de um jornal. Se será um bom diretor? Só o tempo o dirá mas talvez não o fosse se fosse outra pessoa.

Podem falar de blogues, redes sociais, precariedade no jornalismo, salários baixos, conteúdos patrocinados. Tudo isso calca o jornalismo e vai matando-o aos poucos. Mas há coisas mais importantes: o amor à profissão (toda a gente sabe que os jornalistas, regra geral, nunca foram muito ricos... eram sim pessoas que dedicavam uma vida à profissão e por isso eram puros e isentos..), a capacidade de olhar o mundo e aquilo que preocupa e anima as pessoas (e as redes sociais são ótimas bases para isso), conhecer o povo e as suas angústias (tantas vezes ouvi falar do táxi ser o melhor informador de um jornalista), a isenção (sem ela não há informação), separação óbvia e visível de interesses políticos e económicos (e há tantos diretores e jornalistas que não separam e nem tem vergonha de o admitir). O importante não é rótulo, o apelido, os amigos, os amigos dos amigos, o namorado ou o amante, o importante está lá dentro. No coração, na cabeça. A substância dos que exercem a profissão. E enquanto isso não for falado e discutido não levaremos este barco a um bom porto. E temo que vai piorar, as influências, os péssimos jornalistas a prevalecerem perante os bons, o dinheiro e interesse acima de tudo o resto.

A deontologia existe. Façam-na como uma realidade.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

sorrir aos sons

Dizem que o bebé já ouve os sons nesta contagem da gestação (estamos nas 17 semanas, quase a meio da viagem) e hoje resolvi ouvir a música que me faz sorrir e acalmar. Grunge, rock... já passou de tudo um pouco, Pearl Jam, Nirvana, Soundgarden, e até as Hole.
Mas no meio das minhas cantorias lembrei-me de que não tenho nenhum vídeo teu a ladrar, a falar, para ele ouvir... tenho muita pena. É nestes pensamentos que descobrimos que não aproveitamos o tempo da melhor forma e foram tantos anos e oportunidades para te gravar para memória futura..
Depois ocorre-me que irás falar com ele de outra forma, nem que seja através das memórias e fotografias que ninguém me irá tirar :)

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

o vazio a preencher

Querido Pataco,

Desapareceste da minha vida, sendo um dos mais importantes amigos que tenho no meu parco círculo, num dos momentos mais felizes e bonitos que podia estar a viver. estou grávida como imagino que já saibas. é um momento bonito e especial para qualquer futuro pai ou mãe, avô (não irias reconhecê-lo, nem agora e nem no dia em que foste para outra paragem, o dia em que ele finalmente demonstrou o quanto gostava de ti!) e avó, tio e tia e até primos (a Sofia está radiante, e não pretende ficar-se apenas por ser tia... sonha em alguém lhe chamar "mainha" como ela fez comigo), e gostava tanto de o partilhar contigo. Foste quem mais me ouviu, me escutou, me amparou, por isso decidi que não pretendo fazer mais esta viagem sem ti porque não teria sentido fazê-lo, haveria sempre um espaço para ocupar.
Pensei em escrever num pedaço de papel as minhas deambulações mas dei por mim a pensar que podem um dia, amparar alguém, tal como muitos me tem amparado nos meus medos, confusões, dúvidas, e por aí fora.

Estou na 15.ª semana e já se desconfia do sexo do bebé mas prefiro ainda não o clamar aos sete ventos. Imagino que fosses ficar feliz por ser menino ou menina, e é nos momentos em que penso nisso que me lembro da tua elegância e cuidado com a Sofia há cerca de 8/9 anos quando ela teimava em querer passear o Pataco de trela junto à estrada. E o medo que tinha por algo errado acontecer, tu puxares muito a trela, ela pôr-se a correr contigo com a trela na mão junto àquela estrada onde passam carros desvairados. Mas tudo correu sempre bem, a tua paciência, a tua bondade e sorriso no olhar, o olhar para trás a ver se a miúda estava bem. Magia é a única palavra que me ocorre. Foram momentos que ficarão sempre cá por dentro, na minha memória e no meu coração.
E como queria ir agora passear-te por estes caminhos da Senhora da Hora. Junto ao mar. Ouvir o silêncio do mar contigo, absorver a energia do mar e da lua em conjunto. Contigo teria outro sabor e o que daí retiraria ainda seria mais poderoso.

Uma das coisas que mais me tem custado nestes últimos meses é estar com pessoas. Talvez porque uns amigos foram se afastando deixando de falar mesmo comigo, outros estão emigrados e apenas comunicamos através de processos eletrónicos e outros vivem longe de mim e que só consigo estar com eles em momentos escassos. A somar a isso as pessoas que tenho conhecido não valem grande coisa, aquilo que me fez apaixonar pelo Porto - pessoas verdadeiras e genuínas - não estou a encontrar por aqui. Outras há que surgem e simplesmente não tem nada muito em comum comigo e acabo por me afastar. A verdade é que me sinto deslocada e sozinha e talvez poir isso seja complicado interagir com pessoas, ir a locais públicos muito povoados. A auto-estima está baixa e pouco estável talvez derivado das hormonas. Sinto uma necessidade enorme de sorrir com vontade e com uma gargalhada estridente e tenho tantas razões para isso, de tão abençoada que fui e sou. Mas falta algo, sinto um vazio enorme e oco e não sei como o preencher. Sei que não estás aqui para me aconselhar pelo olhar, mas se to permitirem manda um sinal de como resolver isto, uma dica simples mas acessível à minha razão. Estou sempre contigo em pensamento por isso não te deverá ser difícil :)


domingo, 2 de outubro de 2016

Pestanejar a sorrir

Querido Pataco,

Hoje queria contar-te uma notícia, sobre aquele assunto de que tantas vezes tínhamos falado. Estou à tua espera na varanda, à espera da estrela mais cintilante para te contar da novidade. Desconfio que já saberás mas quero dizer-ta saindo as palavras e pensamentos do meu coração. Como tu mereces.
A Luna não me deixou sozinha hoje um minuto. E sinto que tu também não...
Obrigado pela benção. Sinto-me grata. Agradecida. A pessoa mais feliz do mundo. Um sentimento ímpar e demasiado bom para ser elaborado por palavras.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Um amor numa estrela cintilante

Foi há uma semana. O relógio contava as 15.30 horas mais ou menos. Estava demasiado concentrada em não verter uma lágrima enquanto respirasses, tentava ser o mais forte que conseguisse por ti e a contabilização das horas e dos minutos era o que menos importava. Pelos anos que me acompanhaste sempre com um sorriso, mesmo quando passava grandes temporadas longe, tentei ser quem não sou e fui bem sucedida.

O veterinário chegou e sem pestanejar entrou e acabou com o teu sofrimento. Sim, o teu. Porque comparado com o meu era de um tamanho ainda maior... o meu não era físico ao contrário do meu. E envergonhada senti-me aliviada com a picada no teu corpo, quando choraste pela última vez. E sempre a segurar-te na mão, a dizer mesmo não acreditando que ia ficar tudo bem. Porque ainda ficaria tudo bem se ficasses comigo, iria ficar mais ou menos bem porque deixarias de ter menos dores e farias a tua última viagem comigo enquanto Pataquinho, o meu bebé cãozinho, especial todos os dias e com um olhar doce e ternurento. Um amigo. Um ouvinte. Alguém que esteve sempre comigo nos bons e maus momentos mas sobretudo nos maus. Fui tantas vezes a ti buscar a força da alegria do teu olhar para garantir forças contra as intempéries da vida. E conquistaste o coração de outros, o Daniel amou-te como nunca amou um cão amigo, o meu pai que antes tinha receio de ti demonstrou um amor enorme por ti, e a minha mãe, a tua dona todos os dias e quem sempre cuidou de ti amava-te de uma forma que nem ela acreditou ser possível amar assim um cão.

Já te tinha dito que quando fosses só irias fisicamente porque não te deixaria em paz e aqui estou a cumprir a promessa. Já há uma semana que a cumpro como sabes... falo contigo todas as noites quando as estrelas cintilantes estão mais perto do meu coração. Tu és uma delas, meu Pataco. Não me deixes sozinha porque eu também nunca te vou deixar. Prometo lutar por ti, por mim, por nós e pela nossa alegria juntos.. e espero um dia ser tão feliz com um cão como fui contigo. As fotos falam melhor do que as minhas palavras meu amor...




quarta-feira, 20 de julho de 2016

Uma viagem com 4 portagens


Sei que nada disto faz com que o desejo avance, ou se concretize com mais rapidez. Se tudo aquilo que desejamos se concretizasse com a velocidade que ambicionamos éramos todos muito mais felizes. E a vida seria tão mais simples que nem daríamos por ela passar.
Ontem, antes de me deitar, olhei para a metade da droga que habitualmente tomava à noite e reparei que tinha sido reduzida, que tinha conseguido. Apesar de já andar a tomar a mesma dose reduzida há já 15 dias, só ontem fiquei a olhar para o ¼ de comprimido e pensei onde já estava no meu percurso. E dei graças a mim, ao mundo, e aos deuses por me terem ajudado a chegar aqui! O feito não é assim tão glorioso porque ainda só estamos na primeira parte de uma estrada que tem 4 portagens, e há medida que vamos avançando as portagens tornam-se mais complicadas, os medos voltam a surgir e a parca esperança diminui por inerência a tudo o resto. Mesmo numa luta assoberbada com o desejo que é maior do que muito do que existe no mundo, tenho a noção de esta vai ser uma luta contra mim própria, os meus devaneios e medos infundados, a vida, o stress, as relações interpessoais que não existem. E tenho algumas dúvidas, que já não deveriam existir, se sairei vitoriosa!...
Para ajudar a autoconfiança ou algo do género, hoje inscrevi-me num fórum de mães ou que estão a tentar ser progenitoras. Num primeiro impulso achei que estava a fazer bem porque isso iria dar-me força, puxar por mim, ficar feliz com as alegrias dos outros e, em simultâneo, sonhar com as minhas. Aquelas nas quais estou a pensar - se chegarem - por obra do destino ou do criador ou da luta que estou a travar contra mim própria, ou da junção de todos estes fatores. Depois do impulso de me inscrever, de ler “mãe de x ou y”, “vou ter x ou y daqui a z semanas” achei que tinha dado um passo maior do que as minhas pernas. Fiquei feliz por todas as histórias, dúvidas, preocupações que li mas senti aquela inveja que caraterizo como boa, aquela em que apesar de sentirmos inveja, que pressupõe ser um sentimento mau, desejamos aos outros o mesmo que a nós na mesma situação.

Mas antes tenho de clarificar o porquê de isto ser tão difícil. Muitos dirão que é apenas difícil da minha cabeça mas a verdade é que mesmo engravidando, nunca terei uma gravidez normal. A verdade, aquilo que tenho de aceitar a 100% mas que ainda está numa fase de 10% de negação, será contado em breve. Quando tiver coragem e clarividência mental para o fazer.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Planear um sorriso

Não tem de estar um sol brilhante ou um céu cinzento e água a molhar os passeios. Apenas tem de existir bocas e sorrisos, oriundos vá se saber de onde. Desenhar um sorriso, neste corre-corre do dia-a-dia, é cada vez mais complicado julgamos nós porque a maioria saem por simples conivência com o sorriso do outro ou com o momento que assim o exige.
Mas e um sorriso sentido ou provocado sem grandes pensamentos, apenas sentimentos? São raros. E senti-los dentro de nós como se uma flor rejuvenescesse tudo aquilo que habita no nosso "eu". Um sorriso sincero é das coisas mais valiosas que podemos sentir e provocar no outro, ou no mundo, na nossa sala de habitar. Receber um desses sorrisos é gratificante e valoriza a nossa estadia por estes cantos.
Sorrir na natureza é fácil. A água com o seu silêncio a correr remete-nos para uma calma e um momento mágico que não deixa fugir um sorriso, ou dois, ou três, ou horas repletas deles. Um sorriso que além da cara vai diretamente até ao coração sem pedir permissão.
Parece que há uma reserva de sorrisos sinceros e intrínsecos em cada um de nós a cada dia que passa e que se vai esgotando ao longo do tempo. A inocência da infância vai-se esbatendo à medida que pensamos antes de sorrir e deveria acontecer o inverso. Sorrir, sempre, sem pensar. Gargalhar, alto e bom som se assim o sentirmos. Ser feliz apenas e fazer os outros felizes. Tornar o mundo num sorriso. Pode ser?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Acho que acabei de conseguir. Algo novo para mim. Nunca tinha conseguido e agora só me apetece quebrar todas as regras para celebrar este dia, se é mesmo verdade e não estou a sonhar.
Na realidade se fizesse um raio-x à minha neste momento sairia um papel completamente manchado e triste. Já há muito tempo que não parecia tudo tão virado do avesso mas é mesmo nestas alturas que temos de marchar e dizer "estou aqui, vida. E vou continuar.. de sorriso sempre ou só de vez em quando, mas estou a postos." Ou a realidade é sempre esta e sou eu, apenas, que não a quero aceitar porque ela nem sempre se mostra totalmente, muitas vezes deixa o rabo de fora, e apenas mostra o lombo, a sua parte mais bonita. mas a sacana sabe esconder aquilo que é o mais feio para nos fazer crer que ainda há esperança num amanhã. a verdade é que há esperança, e muita!, num amanhã, num e noutro e noutros, amanhãs! sempre que eles queiram vir cá estarei. em meditação ou a olhar para aquilo que o mundo acha que tenho direito. aviso já que vou lutar por mais um pouco. tenho esse direito. quero ser feliz, sentir-me preenchida, sem vazios, com o coração a flutuar de felicidade e realizações.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Sangue do meu sangue

Dizem que a vida é como um gelado... temos de o aproveitar e saborear rápido ou ele derrete-se num ápice. E esta é uma verdade. Há dias, semanas, momentos que nos fazem parar, estagnar no meio da noite e do dia, e geralmente são estes os momentos que mais magoam e que mais se prolongam nos tempos.

Até por via das circunstâncias já pensei muito no meu sangue, esse tal que tem uma disfunção que me irá obrigar a ter cuidados redobrados para o resto da vida. Já o aceitei assim, custou mas já fiz as pazes com ele e seremos eternamente os melhores amigos. Mas talvez esse facto genético não tenha sido obra do acaso. Nos últimos tempos, e já há muitos anos que tenho sentido o mesmo, que noto que quem tem a correr nas veias o mesmo sangue que o meu tem demonstrado que não são, não pensam e não agem como eu. Nada de estranho e este não será caso único. Muito menos irei julgar as pessoas em questão, gosto demasiado delas para o fazer além de não merecerem. Mas, na realidade, isto entristece-me porque não consigo com as pessoas do meu sangue ter uma ligação, um amor que ultrapassa chatices, que evita palavras duras e frases destruidoras contra mim sem que sequer antes as tenha atacado. Sinto-me triste, como se me tivessem tirado algum do chão que sinto debaixo de mim.
Gostava de ser feliz também com elas, com as pessoas do meu sangue, os mais novos e os mais velhos, mas estes últimos retiram os primeiros. Óbvio. Ou pelo menos por enquanto, enquanto a idade não lhes permite ver além do que está à frente. 
E sinto-me triste e sozinha por não ter sangue igual ao meu ao meu lado... sei que não estão, tenho a certeza, a noção da realidade. Não os vejo e muito menos os sinto. Mas também tenho a noção e certeza de que tenho de conseguir ser feliz sem eles, há muitos que conseguem. E por mais que isso possa ser triste e infeliz e frio da minha parte, há momentos em que não podemos deixar de ver a realidade tal como ela se nos apresenta. E a minha é assim, sem que eu contribuído para isso, sido injusta ou ter feito algum ataque. Tenho a consciência tão limpa em relação a isso que a tristeza ainda aumenta mais.
Sejam felizes, com vocês não consigo sê-lo por mais que tenha tentado, e já tentei tantas mas tantas vezes, e por isso vou tentar sê-lo sem vocês.
E Feliz Natal.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Come... As You Are


52 pode ser o número fulcral desta história que está dentro de outra história e, de certa forma, é-o. São 52 histórias inseridas em 52 manhãs de 52 pessoas e contadas ao longo de 52 semanas. A ideia é acordar, abrir os olhos e contar a sua história através da lente de Kyle Lamere, um fotógrafo de Chicago. Ao longo do amanhecer de cada uma destas 52 pessoas são lhes feitas perguntas, tiradas fotografias como se de um diário de uma manhã se tratasse. Surgem perante os nossos olhos palavras, frases, vidas diferentes, as imagens mostram-nos outros pormenores não contidos naquilo que é contado. São vidas como as nossas, pessoas com uma manhã díspar, com as caraterísticas intrínsecas à sua forma de viver. É uma leitura de um mundo feita de uma forma simplista mas que significa mais do que possamos imaginar, se conseguirmos ler e observar com os olhos mais observadores aquilo que este projeto transmite na sua essência.

Kyle Lamere concebeu o projeto porque considerou que vivemos num mundo de ficção criado pelas redes sociais e não vemos, ou não queremos ver, a vida real. Aquela que nos surge sem maquilhagem, sem filtros, sem lavar os dentes ou tirar aquela remela mais marota do canto do olho. Nem tudo é como aparece nos filmes e este projeto retrata-o de uma forma que, talvez atualmente que somos quase comidos pela felicidade constante ficcionada muitas vezes nas redes sociais, já nem tenhamos retido na memória mais recente.

Liguem-se à realidade através do link: www.asyouareproject.com


E porque não criamos nós a nossa própria realidade e a mostramos nas redes sociais? É que a vida, pelo menos a minha, tem momentos menos bons e não terei qualquer problema em expô-los perante os outros caso isso me apeteça, não ficando com remorsos por ver os outros à minha volta radiantes por terem uma vida, dizem!, perfeita e isenta de problemas e preocupações. Tretas!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

as crianças. na praça.


Na praça onde trabalho há crianças. crianças que brincam no meio da erva a que chamam relva, na imundice deixada pelos adultos viciados em aditivos. naquela praça já não há pais que acompanham as crianças à escola, não há amparos nem preocupações. a chuva cai e, sozinhos na praça, acompanham-na até chegarem à soleira da porta de casa.
as crianças, na praça onde trabalho, vão para a escola sozinhas. acompanhadas pela mochila, o saco de pano que lhes acalenta os conhecimentos que eles querem assimilar. o mundo que habitam não lhes dá esperança para o que trazem, todos os dias, no saco de pano.
a praça onde trabalho é dividida por uma auto-estrada. de um lado há um mundo normal e do outro crianças sozinhas a deambular para a escola. os adultos vivem a sua anarquia em cada esquina. as caras tristes e sem sonhos, os olhos vazios, os cabelos desgrenhados ao sabor do vento e dos raios de sol que se soltam por entre as árvores. a praça onde grassam vícios no chão. onde nem sempre o vento os some para as valetas.
as crianças da praça vão para a escola sozinhas ou com amigos. no silêncio da praça que gravita entre as árvores como que a extrair a esperança de sorrirem um dia com pureza e realismo. as crianças absorvem os seus direitos a cada passo solitário. as folham contam histórias de heróis que mudaram o mundo. esses também seguiam para a escola sozinhos.
aquelas crianças, naquela praça onde trabalho, foram despejadas no mundo sozinhas. com os pensamentos. naquelas crianças habitam sonhos. muitos entraves os irão impedir no amanhã. a eles e a nós que os vemos. o sonho é algo que se desvanece rapidamente. como um sopro. um fechar de olhos.
as crianças que vão para a escola sozinhas na praça serão as crianças do futuro. aqueles que lutarão nas fileiras da justiça, acompanhados por outros que viveram rodeados de solidão que se soltaram de outras praças, ruas e vielas.

Ansiedade, a amiga do equilíbrio

A bolha rebentou, segundo dizem...
Acordei há uns dias sem equilíbrio, não mental mas físico mesmo. Tonturas, vertigens, tudo ao molho e fé na hora em que estaria e sentiria os pés bem assentes na terra. Isso não aconteceu tão cedo e tive de ficar em casa de molho, dormir horas e horas com um cansaço inimaginável. E a ida ao médico veio a seguir. Cansaço, stress, ansiedade. Sempre a ansiedade segundo eles ditam. Nunca ouvi uma história em que alguém tem tonturas e vertigens devido ao cansaço e ansiedade, mas o corpo é que manda e os médicos estudaram anos e anos para alguma coisa, pelo menos gosto de pensar assim.
Solução: entreter-me com algo. Colocar cá para fora os projetos que tenho no meu imaginário, fazer desporto (ontem foram 12 km que me deixaram com umas dores que me fazem andar tipo pata seca), ter um pensamento mais positivo (a vida também não está assim tão má, caramba!), fazer aquilo que mais gosto (já tenho um puzzle e um livro iniciados e à espera que vá ter com eles..."só mais um bocadinho, amigos!"). Simples, não? Parece... até poderia dizer ao cérebro: "já chega de pensar nisso! Vamos agora regar as plantas e semear nabiças!", mas e se ele não me obedecer? Bato-lhe? Já pensei em ter conversas com ele como se ele fosse o meu amigo imaginário - mas não é ele o meu amigo imaginário na realidade? - para pensar noutras coisas, desanuviar, sair deste mundo e ir para outro onde as expetativas são mera opção de vida.
A questão é bem mais complicada do que isso. Além do coração que é o tipo que nos mantém aqui, resistentes enquanto ele acha que merecemos isso, o cérebro é o gajo que domina a cena. Não podemos pensar em dominar o que quer que seja, se o tipo decide que não lhe apetece dominar porque não está para aí virado. E aqui só nos resta viver com ele, ir tentando moldá-lo ligeiramente a cada dia que passa que o gajo é chato e teimoso e nem sempre é fácil que ele faça o que nós queremos.
O que fazer? De imediato não podemos fazer nada. Tentar contornar o problema, controlar a ansiedade, ter respeito por ela, senti-la mas não ter medo dela. Ela sabe que nos pode dominar e fá-lo sem rodeios nem ansiedades. O Pilates, o Yoga, a Natação, as pessoas, um abraço, um beijo podem ajudar mas sentir ansiedade, viver com ela e saber viver com ela não é o mais fácil do mundo. Resta-nos respirar fundo e esperar que amanhã ela não nos desperte medos. Que esteja connosco como sempre esteve mas a caminhar ao nosso lado, sem interferir com a nossa vida. Obrigada amiga ansiedade.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

a minha vida é o título de um jornal


Pensamos no significado da palavra felicidade. Limpamos as arestas e atestamos que é difícil chegar a esse patamar juntamente com outra pessoa, completamente diferente de nós. Mas acreditamos ser possível apesar de nos surgirem muitas escadas ainda por subir, muitas arestas por limpar e picos por limar. Pensamos no resto que nos rodeia, o mundo à nossa volta, as pessoas e os seus problemas que acabam por nos abalar da mesma forma. Questionamos se será possível, algum dia, sermos verdadeiramente felizes com aquela pessoa. Por vezes não é uma questão de querer, simplesmente não dá, os pontos não ligam, as estrelas não estão alinhadas para isso porque, simplesmente, têm outras propostas de futuro para nós.

E depois de já nos termos comprometido com essa pessoa. De querermos construir algo ao lado dela, de nos termos esforçado ao ponto de termos vivido fingindo não sermos nós, concluímos que não há ali um alinhamento possível, de que o futuro será pautado de discussões, descarrilamentos, opiniões divergentes. Um futuro a dois limitado pela vida dos que estão no exterior a contaminar aquilo onde ninguém se deve meter, no meio do amor entre duas pessoas. Não é uma chatice surreal, é real e bem real, a justificação de muitos divórcios e separações porque há os outros que metem o bedelho onde não devem e estragam por completo a pintura. Porque não sabem o significado da palavra amizade: um amigo quer sempre ver o outro feliz! Ou então até sabem o significado da palavra amizade mas simplesmente acham que o amigo será bem mais feliz sem aquela pessoa. E aquela que não é bem-vinda, o que pode fazer? Lutar contra as ideologias do amigo do amor da sua vida? Não! Porque os amigos dele são dele e são sagrados, não devem ser questionados nem afastados. Isso seria ser uma má pessoa, não gostar do outro porque ele ficará infeliz se não tiver os amigos perto dele.

O que fazer? Ou deixar de ser o que somos e deixar os amigos “brincar” com a nossa vida. Ou estarmos constantemente em discussão devido a algo que um amigo fez e que o nosso outro-eu não lhe quer chamar a atenção porque é amigo (se não fala agora nunca irá falar por uma outra situação… e o problema agrava-se ainda mais porque já existiram semelhantes problemas com a pessoa em questão e nunca lhe foi dito nada). Ou resta a solução final, a derradeira, aquela que só devemos tomar por último. No entretanto sobra a infelicidade, adiados os planos futuros, o nascimento de um futuro é remetido para o lado porque não há condições de um futuro onde todos têm a possibilidade, e muitas vezes, o dever de “meter o bedelho”. Apesar de a decisão de “meter o bedelho”ser minha e dele, dos dois, mas se um deixa, o outro não pode fazer nada e torna-se um hábito para todos. E a vida deixa de ser dos dois e passa a ser da sociedade, dos amigos, familiares, conhecidos, não-amigos, colegas de trabalho, e outros. Todos opinam menos os que devem opinar. É a liberdade. Quem me mandou defender esta malvada? Agora estou a apanhar os frutos.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Dos 60 aos 72


O tempo vai passando e o mundo à nossa volta vai mudando. As expetativas profissionais e pessoais vão aumentando, tendo mais sonhos e desejo de conquistar o nosso mundo. No entretanto, a balança é algo que não é das coisas mais imprescindíveis quando se arrenda uma casa e se mobila a mesma. Há tanta coisa para comprar e com tão pouco dinheiro, a labuta continua e o tempo escasseia. Depois de algum tempo numa nova caminhada, a casa mais composta, e numa ida relaxada a um supermercado a balança simples e barata surgiu perante os meus olhos, ao que o meu cérebro respondeu “sim, compra que já nem sabes quanto suportam os teus pés!” E lá a levei.
Experimentei mal cheguei a casa e conclui que tinha aumentado de peso, 4 a 5 kg, não sabia ao certo de há tanto tempo que não fazia as contas. Resolvi que ia fazer dieta mas como o fazer se no meu trabalho havia o hábito de se comer um pão ou um croissant com queijo a meio da manhã… e eu que nem sou apreciadora de pão ou croissant tinha embarcado no hábito e não sabia como sair sem dar nas vistas ou ser criticada mesmo estando a trabalhar há tão pouco tempo. Poucas semanas depois, e apões ter concluído que uma das minhas camisolas favoritas me ficava apertada, resolvi acabar com aquele hábito terrível. Custou-me, sentir o cheiro do croissant quentinho ou do pão com queijo derretido, e eu a comer um iogurte natural que mal matava a fome a um estômago habituado a mais substância. Mas foi! E na mesma onda, arranjei por acaso uma companheira para ir caminhar à beira-mar 2 ou 3 vezes por semana, e que bem que sabia. Julgo que emagreci 1 ou 2 quilos no máximo mas andava bem mais relaxada e sentia-me mais magra, apesar do sentir ao estar ir uma grande diferença e que no meu caso já se notava. Começou o verão e muita roupa ficou de lado porque me ficava apertada.
O tempo foi passando, inscrevi-me duas vezes num ginásio sem resultados uma vez que a minha resistência física é terrível (correu 1 quilómetro já é uma vitória e o coração parece querer saltar do peito no final) e a resistência e força de vontade emocionais também não estavam nos melhores níveis. Pelo caminho arranjei um segundo trabalho que me ocupava a maioria das noites pelo que a ginástica ou os passeios à noite na praia ficaram completamente fora de questão. De vez em quando ouvia os outros dizerem que estava mais gordinha e mais bonitinha (já o dita a gíria popular, “gordura é formosura”, o que é uma bela de uma treta nos dias atuais), e apesar de não concordar que estava melhor também não fazia nada para emagrecer.

E não sou a típica pessoa que não gosta de vegetais. Pelo contrário! Adoro vegetais. Crus, salteados, assados, cozidos, de várias formas e feitios, desde que no final me sinta satisfeita e com força. Não sou gulosa, os bolos e tudo o que tenha doces dispenso com imensa facilidade, o que julgo ser uma vantagem. Mas tenho a tensão baixa, muito baixa, tenho muitas vezes tonturas que me fazem ir logo comer um rebuçado ou um iogurte (ainda) com um pacote de açúcar. A sala onde trabalho não ajuda muito uma vez que é muito fechada e quente, baixando logo a tensão para valores terríveis, fazendo-me ter medo de me sentir mal e já tendo sentido mesmo mal amiúde. No meio de tudo isto tinha um hábito que começou aos 17 e terminou aos 33 anos depois da vida me pregar uma rasteira. Algo que adorava, que me dava o silêncio que tanto admiro e que me dava momentos de só eu com ele. Fazia-me lembrar o meu avô e sentia-o quando o tinha no dedo a fumegar e o inalava. Porque o meu avô além de outras coisas, era um fumador inveterado. Já não me lembro de ele fumar mas sei e ele contou-me peripécias de fumar quando era emigrante no Brasil, naquelas longas tardes de sol radiante e saboroso na varanda na quinta, com gatos e tremoços. Os meus pais não sabem, ou pelo menos, diretamente e também não pretendo que saibam porque sei que seria mais uma desilusão para eles.
Com tudo isto engordei, sobretudo depois de deixar o meu amigo de mais de uma década. Depois de terminar a minha relação com ele, passei a somar 70 kg. Com a compra da casa, o stress inerente, as refeições feitas à pressão, o casamento e longos dias de muitas preocupações, a lua de mel e de fel, contabilizei mais 2. Hoje peso 72 quilos, e umas gramas de certeza! Os hidratos de carbono à noite são escassos, tenho uma passadeira elétrica que ainda não me habituei a utilizar. Vejo-me há 10 anos atrás e nem acredito como foi possível esta transformação mas a realidade é que estou, seguramente, mais gorda 10 quilos. Tenho imensa roupa que já nem consigo enfiar, além de outras peças mais recentes que já me ficam apertadas. Sei que tenho de emagrecer até porque planeio entrar na melhor fase que uma mulher pode ter daqui a uns meses mas não sei como o fazer. O pior são as minhas quebras de pressão, parece que vou desfalecer o quanto antes, os medos e inseguranças que isso me dá.

Foi um desabafo num dia em que li o que a Catarina Beato, por razões diferentes das minhas mas similares em alguns aspetos, fez e como o fez e como se sentia quando perdeu imenso peso. Reli-me naquelas linhas. O meu ar desleixado – deixei de usar lentes por simples preguiça e abracei os óculos apesar de não me sentir bonita com eles -, a inércia em mudar e saber que caminhos tomar para mudar. O ter algumas restrições do que ele fez porque, felizmente, tenho um trabalho a full time e não tenho dois filhos para me tirarem toda a energia que acredito que exista dentro de mim. Talvez a passadeira. Um dia. Hoje, talvez..

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Os nossos educadores. Impostos ou os melhores?


Acho piada, já há algum tempo ou talvez desde que comecei a pensar no assunto que, determinados portugueses ora porque são amigos deste ou daquele ou porque têm paleio suficiente para o fingirem ser, que ganham a vida a escrever/ter ... blogs! É inacreditável, ou então é a minha inveja pessoal a falar por si própria, se bem que nunca imaginei que ela tivesse uma voz audível.

E, acordamos, ligamos o computador e muitas das coisas que a generalidade das pessoas leem ou ouvem na televisão surgem de mortais que não têm muito mais cultura do que um cidadão normal ou experiência mas que tem pinta, é bonito ou agradável nas palavras que canaliza para quem ouve os seus pensamentos. E penso na minha ingenuidade: serão estes agora os novos educadores do mundo e do que o rodeia? Falam como se soubessem a próxima chave do Euromilhões!

Não quero ser inebriada perante o que oiço. Julgada por ter pensamentos diferentes ou sequer criticada, sem justa causa, por ser diferente. Estou cansada de todas estas coisas. A última das vezes que o senti mais profundamente, qual faca espetada bem funda em qualquer parte do corpo, foi na primeira reunião de condomínio no prédio onde já posso dizer que tenho algo um pouco meu: senti-me além de estupidificada, completamente ignorada porque pensava de forma diferente e não parecia ser ninguém para ter estes pensamentos. Nem sequer era ouvida, quanto mais percebida? Ora, depois de respirar fundo umas 50 vezes de seguida - é nestes momentos que gostava de conseguir fazer o ohm-ohm do yoga sem adormecer 5 segundos depois - fingi acenar com a cabeça e logo pensar no que tinha para fazer no dia seguinte.

A verdade é que trabalho. Estou a escrever isto na minha hora de almoço, que entre ler as novidades e escrever e tratar de coisas pessoais, emagrece meia hora. Não tenho filhos - apesar do desejo ser igual à vontade, a maior do mundo - ou se já os tivesse talvez nem houvesse tempo para ler as últimas novidades mas tenho felizmente um emprego que não sendo o melhor do mundo me permite ser independente, mesmo não fazendo o que mais gosto mas permitindo-me pagar as minhas despesas. E depois de tanto esforço laboral, psicológico e de acarretar as escolhas que a vida dá a cada um, olho para o lado e vejo uma mulher mais velha cerca de 5 anos, sem quase nunca ter um emprego estável porque foi mãe solteira de dois miúdos (como se isso fosse uma doença incapacitante...atenção que ela justifica o facto de nunca ter trabalhado por ter de cuidar dos seus filhos porque infelizmente para muitos empreendedores deste país ter filhos é uma doença mesmo!), que tem um blog que todos leem e aplaudem e dizem que é o melhor.

Esta é uma pessoa que nos fala da vida como se realmente tivesse custado viver: mãe solteira, pais dos filhos presentes (felizarda!), os pais a pagarem-lhe as contas (ela própria o admite), sem nunca ter um emprego estável e que mesmo assim nos dá ou finge dar lições de vida. Mas ela viveu? Ou melhor, viveu sim e até bem mais do que eu!! Mas o que é que ela sabe de ter dois empregos ou três para cuidar dos filhos ou pagar a casa, ou a comida? E a dor que sentem ao não acompanhar o crescimento dos filhos porque os 2 ou 3 trabalhos não lho permitem! Essas sim têm conhecimento para nos falar da vida, dar conselhos mas talvez não tenham tempo para o fazer, ou não conheçam as pessoas certas e, por isso mesmo, não têm tempo de antena nos meios de comunicação. E será que têm dinheiro para ter um computador só para elas... e já agora daqueles mais chiques e caros, da Apple, sim?