quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Sangue do meu sangue

Dizem que a vida é como um gelado... temos de o aproveitar e saborear rápido ou ele derrete-se num ápice. E esta é uma verdade. Há dias, semanas, momentos que nos fazem parar, estagnar no meio da noite e do dia, e geralmente são estes os momentos que mais magoam e que mais se prolongam nos tempos.

Até por via das circunstâncias já pensei muito no meu sangue, esse tal que tem uma disfunção que me irá obrigar a ter cuidados redobrados para o resto da vida. Já o aceitei assim, custou mas já fiz as pazes com ele e seremos eternamente os melhores amigos. Mas talvez esse facto genético não tenha sido obra do acaso. Nos últimos tempos, e já há muitos anos que tenho sentido o mesmo, que noto que quem tem a correr nas veias o mesmo sangue que o meu tem demonstrado que não são, não pensam e não agem como eu. Nada de estranho e este não será caso único. Muito menos irei julgar as pessoas em questão, gosto demasiado delas para o fazer além de não merecerem. Mas, na realidade, isto entristece-me porque não consigo com as pessoas do meu sangue ter uma ligação, um amor que ultrapassa chatices, que evita palavras duras e frases destruidoras contra mim sem que sequer antes as tenha atacado. Sinto-me triste, como se me tivessem tirado algum do chão que sinto debaixo de mim.
Gostava de ser feliz também com elas, com as pessoas do meu sangue, os mais novos e os mais velhos, mas estes últimos retiram os primeiros. Óbvio. Ou pelo menos por enquanto, enquanto a idade não lhes permite ver além do que está à frente. 
E sinto-me triste e sozinha por não ter sangue igual ao meu ao meu lado... sei que não estão, tenho a certeza, a noção da realidade. Não os vejo e muito menos os sinto. Mas também tenho a noção e certeza de que tenho de conseguir ser feliz sem eles, há muitos que conseguem. E por mais que isso possa ser triste e infeliz e frio da minha parte, há momentos em que não podemos deixar de ver a realidade tal como ela se nos apresenta. E a minha é assim, sem que eu contribuído para isso, sido injusta ou ter feito algum ataque. Tenho a consciência tão limpa em relação a isso que a tristeza ainda aumenta mais.
Sejam felizes, com vocês não consigo sê-lo por mais que tenha tentado, e já tentei tantas mas tantas vezes, e por isso vou tentar sê-lo sem vocês.
E Feliz Natal.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Come... As You Are


52 pode ser o número fulcral desta história que está dentro de outra história e, de certa forma, é-o. São 52 histórias inseridas em 52 manhãs de 52 pessoas e contadas ao longo de 52 semanas. A ideia é acordar, abrir os olhos e contar a sua história através da lente de Kyle Lamere, um fotógrafo de Chicago. Ao longo do amanhecer de cada uma destas 52 pessoas são lhes feitas perguntas, tiradas fotografias como se de um diário de uma manhã se tratasse. Surgem perante os nossos olhos palavras, frases, vidas diferentes, as imagens mostram-nos outros pormenores não contidos naquilo que é contado. São vidas como as nossas, pessoas com uma manhã díspar, com as caraterísticas intrínsecas à sua forma de viver. É uma leitura de um mundo feita de uma forma simplista mas que significa mais do que possamos imaginar, se conseguirmos ler e observar com os olhos mais observadores aquilo que este projeto transmite na sua essência.

Kyle Lamere concebeu o projeto porque considerou que vivemos num mundo de ficção criado pelas redes sociais e não vemos, ou não queremos ver, a vida real. Aquela que nos surge sem maquilhagem, sem filtros, sem lavar os dentes ou tirar aquela remela mais marota do canto do olho. Nem tudo é como aparece nos filmes e este projeto retrata-o de uma forma que, talvez atualmente que somos quase comidos pela felicidade constante ficcionada muitas vezes nas redes sociais, já nem tenhamos retido na memória mais recente.

Liguem-se à realidade através do link: www.asyouareproject.com


E porque não criamos nós a nossa própria realidade e a mostramos nas redes sociais? É que a vida, pelo menos a minha, tem momentos menos bons e não terei qualquer problema em expô-los perante os outros caso isso me apeteça, não ficando com remorsos por ver os outros à minha volta radiantes por terem uma vida, dizem!, perfeita e isenta de problemas e preocupações. Tretas!