quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Número 955, o último

Inês Serra Lopes, a directora do Independente anunciou ontem à redacção que amanhã irá sair o último número deste semanário. Ao que a imprensa noticia, a manutenção do jornal estava dependente da venda do título. Desde Janeiro que a aquisição estava a ser estudada pelo empresário Alberto Rosário (antigo administrador da Lusomundo e com ligações ao grupo Cofina) e aguardava-se a concretização do negócio. Mas parece que as negociações não foram avante e a decisão de fechar estaria dependente de um novo investidor. Como ele não surgiu, não restou mais nenhuma hipótese a Inês Serra Lopes que também detem 20% do jornal.

A redacção é composta por 25 pessoas que preferiram não prestar declarações, tal como a sua directora. Para o último número estão a ser recuperadas as primeiras páginas e notícias mais relevantes que marcaram a história do semanário. Vários responsaveis pelo semanário já lamentaram o sucedido, à excepção de Paulo Portas que ainda não proferiu declarações.

Parafraseando o presidente do Sindicato dos Jornalistas, Alfredo Maia, acho lamentável esta perda. Apesar de não gostar do jornal e de apenas o ter comprado nas bancas quando algo muito apelativo estava na capa, não posso deixar de achar um desperdício a perda de um jornal com as características do Independente. Não era um mau semanário, talvez um pouco sensacionalista e demasiado virado para uma facção política, mas isto também não é (um título) sensacionalista?
Mas na verdade, o que está aqui em causa é a perda nas bancas de uma pluralidade importantíssima para a democracia. O jornal era como era e não tinha vergonha disso, pelo contrário, e nós leitores apenas tinhamos de estar conscientes dessa realidade quando o compravamos. Agora com o advir do Sol as coisas poderão ficar mais equilibradas, mas temo que este novo semanário seja um irmão gémeo do Expresso. E se o for não ficamos a ganhar muito.

O jornal já existe desde 1988 e Miguel Esteves Cardoso foi o seu primeiro director. Na altura tinha como grande rival o Expresso de Francisco Pinto Balsemão, que também era um jornal de fim-de-semana. O seu momento mais alto ocorreu durante as duas maiorias absolutas do tempo de Cavaco Silva, em que Paulo Portas era director. Era conhecido pela exposição detalhada que fazia de vidas de algumas figuras ligadas à política, o que lhe custou dezenas de processos (alguns ainda não concluídos) em tribunal por difamação e invasão da vida privada. Inês Serra Lopes comprou o jornal em 1999, e desde aí que é a sua directora.

Este é outro dos casos que vem provar como a imprensa está em crise no nosso país. Sobretudo alguns jornais diários: o Público está a preparar uma remodelação (bem precisa) com a saída do seu director "dinossauro", O Diário de Notícias vende cada vez menos, o Expresso também já perdeu muitos leitores sobretudo com a saída do seu director para o outro semanário que irá surgir, etc. etc. etc. Talvez seja necessário mudar alguma coisa. As pessoas andam com menos dinheiro, e consequentemente compram menos jornais, mas essa não é a única explicação para esta quebra nas vendas diárias de jornais (de toda a espécie). A Internet coloca ao nosso dispor as edições online (em alguns sites mais notícias que outros), mas quando algo nos interessa preferimos comprar o jornal a ler no computador. Estas não podem ser as únicas razões da quebra das vendas...

E se experimentassemos dar mais relevância às fotografias, e diminuissemos os corpos de algumas notícias? E se ao invés de publicarmos 5/6 reportagens por edição, se apenas publicassemos 2 mas com destaque merecido e com fotos apelativas? Para além de que podia ser interessante "pedir ajuda" aos leitores, pedindo-lhes que enviassem para os jornais algumas fotografias, ou alguns textos que acrescentassem algo de novo e de merecido destaque. Até podiam haver prémios, um mês grátis do Jornal X por exemplo. São apenas ideias, muitas delas já estão a ser feitas nos jornais: o DN tem uma rubrica para onde as pessoas podem mandar fotografias das férias, e a Visão tem online, uma página para onde se podem mandar textos referentes a determinados assuntos... obviamente que há uma escolha... mas quem manda espera que o seu trabalho seja escolhido, e até o ser, ou não, vai comprar sempre o jornal). Escrever notícias mais pequenas, semelhantes às das agências, é algo que já está a ser experienciado lá fora e com bons resultados. Isto porque as pessoas hoje em dia não tem tempo para ler de extremo a extremo, um jornal de 50 páginas. São mudanças que julgo que irão ocorrer mais ano menos ano nos jornais, porque é isso que os leitores pedem, e porque é isso que a vida diária nos exige.

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Eis ele novamente

As quartas-feiras começam a ser o meu dia da semana favorito. A razão deriva do facto de um jornal, que por acaso também é o meu favorito, ter escolhido (mal na minha opinião) um determinado colunista: Vasco Graça Moura. E todas as quartas as palavras que escreve, fazem-me rir... não porque seja um bom humorista mas porque não consigo entendê-las. Esta semana o assunto principal não mudou muito, mas surgiram assuntos novos: 16 minutos que não mudaram o mundo...


Os 5 minutos que demorei a ler não mudaram em nada o meu mundo... só comprovaram aquilo que penso acerca deste senhor.
  • A resolução 1701 não implica apenas o desarmamento do Hezbollah, senhor Moura. Implica muitas outras coisas que, por acaso, não estão a ser cumpridas!
  • Quem está a violar alguma coisa é Israel por não cumprir o cessar-fogo acordado para terminar com a carnificina, e com a invasão de um país (Mas será que não há ninguém que considere grave a invasão de um país?!)... e não tente arranjar justificações para isto, porque simplesmente não as há.
  • Afirma que houve "jornalistas que descreveram a maneira como o Hezbollah fazia trucagens para desinformação tendenciosa na imprensa internacional"... por acaso não vi essa notícia. Onde foi publicada? E de qualquer forma esta tentativa do Hezbollah para piorar a imagem de Israel não deu resultado. A comunidade internacional está totalmente a favor de Israel... tanto neste caso como noutros! Com a excepção daquilo que chama de "extrema-esquerda"...
  • A ameaça iraniana persiste... pois! E então? Qual foi o único país que já fez uso de armas nucleares para matar pessoas? Foi o Irão?... Que memória curta que a humanidade tem!
  • Terrorismo... pois claro! O que é o terrorismo?... depende da noção que defender... para mim terrorismo é muito mais que bombinhas e atentados...
  • O Eduardo Cintra Torres se de facto fosse jornalista nunca iria publicar aquele texto. Ser jornalista não implica que se deva dizer o que bem nos apetecer, apoiando-nos em testemunhas secretas que não revelamos alegando a nossa profissão. As fontes não podem ser uma desculpa para tudo. Toda a liberdade implica responsabilidade, mesmo neste caso. Pedro Rolo Duarte opina de uma forma perspical sobre este caso, o que talvez explique porque o senhor Moura escreveu o que escreveu. Grande Portugal, grande política, e grande jornalismo infelizmente...
  • A verdade é que a RTP este ano elaborou um documento com algumas regras restritivas para o tratamento jornalístico de incêndios florestais. Ora, não dá para entender: o ano passado todos criticaram as televisões por estarem 30 minutos a falar de incêndios florestais, com imagens chocantes e que consequentemente espalhavam o pânico nos telespectadores. E este ano que se apostou numa cobertura mediática mais sóbria na estação pública, e de acordo com as necessidades do público, critica-se e defende-se que foi tudo controlado pelo Governo. Para quem não saiba, este documento elaborado pela RTP também foi dado a conhecer às outras televisões portuguesas, mas estas não o aceitaram (talvez porque a SIC e a TVI, conhecidas pelo seu sensacionalismo, não estivessem dispostas a absterem-se de passar imagens próprias dos seus serviços). Senhor Moura, informa-se primeiro, e aconselhe o seu "companheiro opinativo" a fazer o mesmo. Só vos ficava bem...

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Porque é que não fazem isto a um gajo com 100 kg?



Como é que ainda acontecem estas coisas?

P.S.:Não vou comentar porque estou demasiado cansada... hoje foi o chamado dia de "em busca do apartamento perdido"!E os nortenhos não são assim tão simpáticos...aconteceu-nos cada uma! e é cada espécime...e o pó que anda no ar... mas o prédio que alberga o JN é engraçado!! Mas gostei! Para a próxima levo máquina camuflada (lá terá que ser) e trago umas fotos... pode ser que tenha mais sorte que hoje!

P.S1: Vi o Estádio do Dragão... não é assim tão feio, pronto! Até fica bem na "paisagem"... TALVEZ (é uma dúvida :p) seja o estádio português mais sóbrio e bo (coff) nit(cof cof cof) o! As verdades são sempre bem-vindas, mas podemos fingir que eu não disse isto, e que o Estádio do Benfica é o mais bonito?... obrigado! Amanhã espero estar mais relaxadinha e com vontade de escrever algumas asneiras.

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Em busca de um nascer do sol

Meia-noite... caminhada por estranhos caminhos sempre a subir.. cheiro intenso a queimado... muito cansaço... um objectivo demasiado distante para ser entendido... muitas estrelas no céu... estrelas cadentes nunca antes imaginadas. Deitada numa qualquer estrada de alcatrão a ver estrelas, a gritar quando elas fugiam, o frio do chão a saber deliciosamente bem nas costas... ah! Há momentos que deviam ser vividos inúmeras vezes, ou simplesmente retidos na memória durante anos e anos, meses e meses, dias e dias!

E agora alguém me lembra que imaginei um golfinho numa pedra...

domingo, 27 de agosto de 2006

Racismo em autocarro


Bus driver suspended for alleged racism


A Louisiana school district suspended a white bus driver while it investigates complaints that she ordered nine black children to sit at the back of the bus.
No previous complaints have been lodged against the driver, who has worked several years for the Red River Parish school district, school Superintendent Kay Easley said Thursday. She refused to reveal the driver's name.
"I'm trying to get all this straight, and settled, so we can all move on," Easley said.
Two mothers, both black, sparked the investigation with a complaint on Monday that their children and the other black children had been ordered to sit in two rows of seats in the rear of the bus.
"In all these years, I've never had a problem like this," said Janice Williams, whose four children ride public school buses.
One of her children, Jarvonica Williams, 16, said the bus driver allowed many white students to have seats all to themselves while some blacks were forced to stand or sit in others' laps.
Iva Richmond, whose 14- and 15-year-old children were on the bus, said Thursday that they previously had a black bus driver, but their bus assignment changed this year. When school started this month, the white driver told them she had assigned them seats, with the black children at the back of the bus.
Richmond said she complained to a local principal, who told the driver that if any children were assigned to seats, all would have to be.
Early last week, the driver assigned black students to two seats in the back of the bus, Richmond said.
"All nine children were assigned to two seats in the back of the bus and the older ones had to hold the smaller ones in their laps," she said.
The women said their complaints to parish school officials were not immediately addressed.
Easley said she wanted to settle the matter. She said the driver had been suspended without pay, and she would announce the results of the district's investigation at a school board meeting on Sept. 5.
NAACP District Vice President James Panell told The Times of Shreveport that he would give federal attorneys details of the situation this week.
Coushatta is a small farming town in northern Louisiana. The school district has about 1,600 students, Easley said.
Fonte: CNN
O Martin Luther King bem tentou... mas ainda há mais! O que uma simples ida à CNN pode fazer...

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

E vai tudo pelo canal de esgoto abaixo

Vasco Graça Moura escreveu hoje no Diário de Notícias um artigo de opinião no mínimo demasiado interessante do ponto de vista opinativo. Ele destrói de uma assentada o Hezbollah, a ONU, o Líbano, o mundo árabe, o mundo islâmico, as redes terroristas ou aquelas que não o são mas que são chamadas como tal, a esquerda pós-soviética ou a tão chamada "extrema-esquerda" da qual parece que também faço parte... segundo o ponto de vista deste e de outros senhores com poder nos meios mediáticos. Assim seja!

«A ONU não presta para nada. Não evita conflitos, não evita guerras, não evita destruições, não evita catástrofes humanas. É a instância mais empatativa e mais desprestigiada de toda a História internacional. Falha cronicamente em todas as situações em que intervém e em que as normas de direito tenham de ser impostas pela força coerciva. Nunca evitou nenhum genocídio. Há mais de 20 anos que falha no Médio Oriente. Vai agora falhar mais uma vez.

Decretou-se um cessar-fogo em que os beligerantes não têm o mesmo estatuto. O Hezbollah é uma canalha assassina que não pode ser tomada a sério nem é fiável como interlocutor. A única solução é varrer as suas milícias da zona que ocupam e o Líbano não consegue fazer isso. Praticamente não existe como Estado. É um joguete de várias forças e não tem qualquer capacidade negocial. O seu exército nunca foi capaz de limpar o Sul do país, nem nos tempos da OLP nem nos do Hezbollah. Este participa no Governo do país e contribuirá jubilosamente para a aprovação de novos fornecimentos de armas e para que ao exército seja conferido um mandato suficientemente inócuo no Sul do território.

Está-se mesmo a ver o sinistro resultado que Israel colheria se embarcasse nas injunções tão penosamente cozinhadas da comunidade internacional. Até se sentir em segurança, Israel dirá "sim, mas" ao cessar-fogo e fará o que entende que deve fazer. Felizmente para os judeus e para o mundo civilizado. O quadro da sobrevivência de Israel passa pela criação de um conjunto de condições que respeitam ao mundo árabe, ao mundo islâmico em geral e às redes terroristas. É inalcançável sem fortes dispositivos militares e sem parcerias em que o Ocidente intervenha decididamente, mas, para já, só os Estados Unidos e a Grã-Bretanha é que parecem ter compreendido todas as implicações civilizacionais e geostratégicas de uma questão cujos termos estão todos interligados, ao contrário do que pensam algumas almas ingénuas e do que afirma a esquerda pós-soviética.

Não se vislumbra que a tal força militar da ONU venha a ter uma composição satisfatória. Franceses, italianos e espanhóis, cuja participação nela se anuncia, acabarão a contribuir submissamente para o falhanço da missão: é o que pode esperar-se da mediocridade congénita e irremissível dos srs. Chirac e Villepin, da periclitante salada de esquerda do sr. Prodi e do progressismo alvar do sr. Zapatero. A França já começou a fazer as pantominas esperáveis. E o acordo para o cessar-fogo já começou a ser desrespeitado, pois nem a ONU nem o Líbano desarmarão o Hezbollah.

A força-tampão da ONU não estará em condições de disparar um único tiro. Não terá estômago para matar e morrer, como diria Miguel Monjardino, e sem isso não será possível impor uma autoridade nem fazer cumprir o direito. No dia em que os capacetes azuis esfolassem a falangeta do dedo mindinho de um só membro do Hezbollah, logo o aveludado sr. Koffi Annan se desdobraria em manifestações de pesar idiota e pedidos de desculpa irracionais.

E, depois, a União Europeia não existe militarmente. Não tem condições para integrar, enquanto tal, o contingente e, se as tivesse, ficaria bloqueada pelas divergências abissais entre os Estados membros, como já aconteceu quanto ao Iraque. Uma força da UE, se existisse, também não dispararia um único tiro e muito menos arriscaria a vida de um único soldado, porque isso faria perigar as veleidades eleitorais imediatas de alguns dos seus tenores políticos.

A UE, além disso, ainda não percebeu que todas estas questões são interdependentes e que, sem capacidade militar, ficará suicidariamente a ver passar os comboios.

"Diria que a Al-Qaeda, Hezbollah, Irão e Síria se uniram para acabar com Israel e com o Ocidente" (Bernard Lewis, Sábado, 17-8-06).

O jornalista e escritor egípcio Magdi Allam diz o mesmo: "A guerra no Médio Oriente está a caminho de consagrar uma frente nacional anti-imperialista, formada por grupos terroristas e por Estados islâmicos, assim como por países da América do Sul, da Europa e da Ásia que se inspiram na ideologia comunista" (cit. por J. A. Carvalho, Público, 18-8-06).

Os israelitas não terão outro remédio senão neutralizar o potencial nuclear do Irão. Mas a União Europeia continua a contentar-se com as patéticas deslocações do sr. Solana por esse mundo fora e a achar que tantas andanças tão exemplarmente sem sentido correspondem ao papel mais eficaz que a História lhe reservou. »

Sinceramente acho que vivo noutro planeta que este senhor porque tudo o que ele disse são incongruências da sua mais alta espécie. Todos sabemos que a ONU não tem feito muito nos últimos tempos, mas também todos sabemos o porque dessa inoperância. Sabemos quem controla a ONU, e porque em algumas situações o não fazer nada é melhor para quem manda! Mas ainda me lembro de tudo positivo que a ONU já fez por nós, humanidade!

Fala do Hezbollah como se fosse ele que estivesse a quebrar o cessar-fogo, como se Israel fosse um país que não invadiu outro e que apenas estivesse a tentar manter-se em segurança. Se Israel está a defender o Ocidente, então não quero ser ocidental! Simplesmente porque não quero cooperar com a invasão de um país, com uma tentativa de imperialismo sem nexo, e com a carnificina ocorrida em crianças, mulheres e outros inocentes!

Não entendo este texto, não entendo o porquê desta "personagem"... já há muito tempo que não via alguém defender tão afincadamente os States. Já estou um bocado farta deste mesmo assunto e por isso só digo a este senhor que já que está tão preocupado com a força militar no Líbano e no que ela vai fazer ou não fazer... acho que ele devia integrar essa força. Iria disparar uns tiros a quem o atacasse.. com sorte seriam membros do Hezbollah... ou também com sorte talvez lhe caisse uma bomba israelita em cima...

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Onze razões



As 11 vitórias em 11 frentes de luta do Hezbollah:

  1. Político: foi o único factor de unidade no Líbano;
  2. Militar: colocou em questão o poder do exército israelita, considerado por muitos como o mais forte do mundo;
  3. Social: reforçou a sua profunda inserção e representatividade entre as massas do Líbano;
  4. Internacional: conseguiu por ampla maioria condenar Israel no Conselho de Direitos Humanos da ONU, por sucessivas violações;
  5. Mediático: ridicularizou o uso extremo e incoerente de termos como "fundamentalismo", "terrorismo", "anti-semitismo", e "fanatismo" para explicar qualquer manifestação contrária ao que os EUA e Israel defendem;
  6. Histórico: proferiu a Israel um dos maiores golpes da sua história desde a sua fundação desde 1948;
  7. Cultural: aumentou a auto-estima da comunidade xiita;
  8. Religioso: rompeu o espírito sectário das comunidades religiosas e a política imperialista;
  9. Académico: deram um novo significado a noções como "povo", "nação", "soberania", "revolução" e "luta de classes";
  10. Psicológico: iniciou na comunidade israelita uma profunda crise ideológica, política e de auto-percepção. O direito "a existir" exige a ocupação de territórios, a violação de tratados, o massacre sistemático de crianças, mulheres e idosos, o assassinato de dirigentes políticos estrangeiros, a tortura legal, a destruição de casas, a construção de muros?
  11. Moral: transmitiu uma mensagem de esperança aos povos do mundo, sobretudo aos povos do Islão e da Palestina.

Volto a bater na mesma tecla de "extrema-esquerda" como alguns lhe chamam: porque é que o Hezbollah é um grupo terrorista? Aguardo respostas... ou talvez não!

sábado, 19 de agosto de 2006

Janela com vista para...


Um dia quando tinha 10 anos perguntaram-me o que queria ser quando fosse grande. Aquelas perguntas de que nenhuma criança consegue fugir, apesar de não saber muito bem o que significam aquelas palavras. Algumas não sabem o que vão fazer no futuro, outras gostariam de ser como os seus ídolos, e outras gostariam apenas de ser "alguém". Eu respondi convictamente que gostaria de ser jornalista. E quando me perguntaram se não achava a profissão demasiado arriscada, concordei mas logo repliquei que isso não a tornava menos apetecível. Era a época da Guerra no Iraque e o Artur Albarran, na altura, fascinava-me.
Anos mais tarde estou a pensar se ela ainda se lembra desta conversa. Ela era a minha professora da escola primária. Até aos meus 12 anos vivi numa aldeia, como tantas outras em Portugal, onde existia fome, miséria, frio... onde há 15 anos atrás não havia ajudas para famílias carenciadas. Eu via alguns membros desses agregados, na mesma escola que eu, com o nariz "sujo" porque não tinham dinheiro para lenços de papel. Nem de papel nem de pano. E a realidade era crua... muitos chegavam à escola sem tomar o pequeno-almoço, e lembro-me muito bem disso. O leite dado na escola era para eles um rebuçado! Lembro-me bem quando um se sentiu mal ao jogar futebol, ficou sem forças e logo toda a gente entendeu a razão... Mas nem todas as pessoas passavam dificuldades... quatro famílias eram talvez as mais carenciadas da aldeia, tinham crianças da mesma idade que eu. O que significa que contactei com a miséria dos outros junto de mim... e não é bom recordar!
Não sabia como ajudar, não sabia o que fazer e muitas das vezes nem me apercebia do que se passava à minha volta. A minha professora da escola primária (a tal) era esposa do Presidente da Câmara o que muito ajudou, sobretudo quando ela própria tomou contacto com os problemas da aldeia. E ajudou-os! Deu-me o exemplo que nunca vou esquecer... tal como nunca vou esquecer as crianças iguais a mim que apareciam na escola com fome, com os sapatos rotos, com frio, ou simplesmente sem lenços para se assoar... Mas eram iguais a mim! E ainda o são!
Hoje estão bem... todos trabalham... não tem cursos superiores porque a vida não lhes deu essa hipótese... mas continuam boas pessoas como na escola primária... lutam para ganhar o seu sustento e nunca mais sentir o estômago vazio... E continuam iguais a mim! Apenas nasceram com azar, e sem os privilégios que sempre tive! Nasceram sem oportunidades, sem esperança e ajuda. Hoje ao olhar para o passado não consigo justificar o porquê de tanta desigualdade... acho que ninguém entende. Olhamos para nós, para a nossa vida e achamos que temos tão pouco comparativamente com o companheiro do lado... mas esquecemo-nos de que em Portugal nem 15% da população tem computador... já para não falar do acesso à Internet. Gozamos com o "povo" na televisão (e também estou a falar de mim), mas esquecemo-nos de que eles não tem a nossa cultura, os nossos conhecimentos, a nossa educação, e os nossos meios... apesar de serem iguais a nós.
Este "discurso" não surgiu de repente mas foi despoletado por um filme... "Amor sem fronteiras"... era uma história banal como tantas outras se não nos transportasse para uma realidade pouco vista pelo nosso consciente. Imagens de países em crise, em guerra, com secas extremas, com pessoas a morrer à fome, crianças demasiado magras e fracas prestes a ser comidas vivas por pássaros esfomeados. Que pesadelo! Mas em que planeta vivemos nós!? É tão raro emocionar-me nos filmes, ficar revoltada com imagens supostamente ficcionais caracterizadoras de um filme, mas este tocou-me bem no fundo. Não só pelas imagens, palavras mas sobretudo pela grande lição de vida que nos dá, e também porque me fez pensar que somos tão pequenos ...
Quando nos acontece algo de errado ficamos revoltados e pensamos que somos imensamente infelizes nas a verdade é que não fazemos a mínima ideia do que é ser infeliz. No filme havia um miúdo que tinha enterrado a família... devia ter à volta de 10/11 anos, e no entanto continuava a viver e a lutar pela vida. Era corajoso... e sim, era... porque também ele morreu de frio em Inglaterra! O filme tem um final triste e não é triste por as duas personagens principais não ficarem juntas como em qualquer filme romântico... é triste porque as situações de fome e miséria que o filme reporta ainda existem no mundo... e parece que tem tendência para aumentar e piorar. Porque não tenho falado de outra coisa nos últimos tempos neste blog, e não só, relembro que o Líbano está a viver uma situação de calamidade porque um determinado país decidiu invadi-lo... mas não se preocupou com as vidas de milhares de inocentes que iriam terminar, ou com a fome que ia ser sentida, ou com as crianças que não iam crescer porque nasceram na época errada... e quem sabe, na família errada, na cultura errada, no país errado.
Quando olho para uma pessoa com menos qualificações do que eu, ou com menos dinheiro do que eu, ou com menos algo do que eu... não penso que é inferior, mas apenas que não teve as oportunidades (tantas vezes desperdiçadas) que eu tive. E porque odeio injustiças, gostava que o meu mundo não as tivesse... e por isso aos 10 anos quis ser jornalista...

Fim..



domingo, 13 de agosto de 2006

Mundo real?


Relembrem-se do que aconteceu há uns anos atrás na Europa quando um determinado país invadiu outros países. Na altura provavelmente toda a gente achou o acto normal tal como hoje está a acontecer. Mas no final de uma guerra mundial (que essas invasões deram origem) já todos condenavam os invasores. Uma das coisas que não entendo hoje é como nós podemos achar normal a invasão de um país, qualquer que ele seja (com a excepção obviamente de países que possam prejudicar o nosso próprio país e que seja necessário como defesa invadi-los... o que não é o caso do Líbano, do Iraque e de outros países que já passaram pela mesma realidade)... não entendo como as Nações Unidas estão tão "acomodadas" a esta realidade.
Há dias surgiu uma "notícia" de que no 11 de Agosto iriam ocorrer ataques terroristas, fazendo uso novamente de aviões. Surgiu o alarme dado pela polícia britânica... ao final do dia surgia a divulgação de que 24 pessoas já haviam sido presas. Mas nada de provas apenas presunções, um alarme geral, pânico na face de muitas pessoas que surgiam nos ecrãs. "É a primeira vez que vou viajar e não estou optimista depois de ouvir estas notícias", dizia uma voz. "Falei com um senhor que precisava de apanhar o avião porque a filha tinha uma operação marcada. E só podia ser nesse dia. O senhor estava muito preocupado e desesperava por apanhar o primeiro avião" (penso que ia para Inglaterra). As vidas que ficaram transformadas devido a esta notícia, os planos que sairam frustrados devido a uma suspeita que se era real, não se concretizou!
Nas televisões não se falava de outra coisa. Ataques terroristas, o que se sabe e o que ainda não se sabe que podia acontecer, o pânico, as longas filas para arranjar um bilhete de avião, o kit que se podia levar para dentro do avião, as longas esperas ("Há quanto tempo está aqui?" "Desde as 7horas da manhã"), as caras de desespero, o mundo transformado... 20 minutos de telejornal a falar sobre isto! Restava 5 minuts para falar dos 10 ou 18 incêndios que lavraram no nosso país e 2 minutos para falar da guerra no Líbano, das inúmeras pessoas que passavam fome, das crianças que morriam às dezenas todos os dias por falta de comida. Que conveniente!
É apenas uma opinião e nada mais que isso. Mas julgo que esta notícia surgiu no momento certo! As pessoas estavam a ficar demasiado preocupadas com a situação de crise humanitária que estava a surgir já há uns dias no Líbano, e era necessário fazê-las esquecer isso e fazê-las pensar noutro assunto mais grave. Até imagens do 11 de Setembro vi no ecrã...
Não preciso de enumerar as inúmeras situações semelhantes a esta que já sucederam...de manobras da opinião pública fazendo uso dos meios de comunicação social. Por exemplo, os EUA andaram imenso tempo a declarar ao mundo que o Iraque tinha armas de destruição maciça que estavam escondidas. E por isso tornava-se imperativo invadir o país para que eles não as utilizassem... isto não foi assim há tanto tempo! Até mapas eles mostraram e imagens de satélite que provavam que Saddam de facto tinha armas de destruição maciça. E a população mundial acreditou sem pestanejar nas provas dadas pelos nossos "amigos" americanos que anunciaram a invasão em solo português. E todos estavam contentes e sorridentes... para a fotografia! E uns anos depois, quando já tinham invadido um país, destituído o líder desse país e destruído um país, vieram a público desmentir essas "armas de destruição maciça". Vieram dizer que tinha sido tudo mentira, e que as imagens de satélite tinham sido inventariadas. E todos voltaram a acreditar como se o Homem não tivesse um cérebro para questionar o que vê e ouve! E a notícia do desmentido foi ouvida uma vez porque nestas situações convém não fazer muito alarido.
E desta vez sucedeu algo parecido. Lançaram a notícia, colocaram os aeroportos em situações complicadas devido ao cancelamento de voos e às esperas intermináveis dos passageiros, prenderam uns quantos muçulmanos, e deixaram o mundo novamente em situação de alvoroço. O assunto vai ser esquecido daqui a uns tempos, mas a justificação dada por este acontecimento para combater grupos terroristas (como o Hezbollah é chamado nas televisões pelo mundo fora, incluindo a portuguesa) não vai ser esquecida tão cedo. Porque o medo é um sentimento forte que não nos deixa raciocinar!
Nos jornais vem referenciado um alegado terrorista que confessou a existência de planos para explodir aviões com destino aos Estados Unidos da América. Mas mesmo assim parece-me muita coincidência, parece-me que esta notícia surgiu no momento certo. Quando Israel está a bombardear as pontes de acesso a Beirute, a não permissão da passagem das ajuda humanitária por Israel, a morte de milhares de pessoas libanesas e dezenas de israelitas (estou a exagerar?... vejam os números...), a catástrofe humanitária existente no Líbano que toda a gente tenta ignorar... tantos problemas que foram esquecidos há quatro dias atrás quando surgiu a possível existência de um ataque terrorista.
Não vou dizer mais nada. Acho que já tentei expôr claramente a minha posição relativamente a este assunto e como não sou nada nem ninguém, a minha opinião não é assim tão importante. E por isso mesmo, termino com o desejo de que este pesadelo que começou há um mês e dois ou três dias no Líbano termine o mais rapidamente possível (se cumprirem o cessar-fogo irá terminar amanhã) e que seja feita justiça.

sábado, 12 de agosto de 2006

Alerta ao invisível

Ainda não me pronunciei sobre isto aqui mas o meu dia-a-dia tem sido povoado por inúmeras reflexões sobre o assunto. Guerra, fome, condições desumanas a que milhões de pessoas estão obrigadas a suportar. Líderes mundiais, poderosos e frios completamente indiferentes ao que se passa no Médio Oriente. E não falo só do Líbano que actualmente é muito noticiado devido à guerra que suporta. Não podemos esquecer o Iraque que está em plena guerra civil (como eu e muitas outras pessoas previram no início da ofensiva americana de invasão de um país), e de outros países que desconhecem os direitos humanos como o Afeganistão ou o Paquistão. Talvez ainda existam outros mas infelizmente desconheço a sua realidade e portanto não me reservo o direito de opinar.

No Líbano algo se passa de muito grave. E o mais grave na minha opinião é, para além da guerra que é sempre o pior, o nome dado a um grupo que não sei porque se denominou desta forma. Lembram-se do Xanana Gusmão e do grupo de resistência armado que ele comandava? Porque nunca lhe chamaram grupo terrorista? Porque não foi esse o nome dado pelos meios de comunicação social? Ou o nome não surgiu porque os EUA não quiseram? Não lhe dava jeito? Ou ele não se integrava no conceito elaborado por eles de grupo terrorista?
Há muita coisa que não entendo, que não consigo arranjar uma justificação, mas duma coisa tenho a certeza: há uma espécie de força superior, ou uma elite superior que comanda aquilo que vai e pode acontecer (tirando obviamente alguns acontecimentos imprevisiveis!) e esse grupo ou elite também comanda os nomes dados a tudo aquilo que exste no mundo!
O Hezbollah é uma organização política e militar dos muçulmanos xiitas do Líbano, criada em 1982 aquando da invasão de Israel ao sul do Líbano. Desde 2005 que contam com 14 deputados na Assembleia Nacional do Líbano. É considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos da América e por Israel, mas não pela União Europeia (apesar de todos os meios de comunicação social, dos EUA e da Europa, o denominarem agora como tal). Para muitos habitantes do Líbano (incluindo cristãos) e do mundo islâmico, o Hezbollah é uma organização de resistência a Israel.
Eles estão constituidos como um dos principais movimentos de combate à presença israelita no Médio Oriente e já tem objectivos declarados: pretendem o deslocamento integral do Estado de Israel e a expulsão da população israelita.Também desenvolve uma série de actividades, como a ajuda a familiares de "mártires", possui uma rede de hospitais em todo o Líbano (220 mil pessoas em 130 cidades libanesas são ai tratadas), possui uma rede de escolas onde é ministrada a educação religiosa xiita e não só (12 escolas com 7 mil alunos). Tem ainda como objectivos e funções (acho que podemos chamar assim) a reconstrução do seu país destruído por Israel, e ainda o desenvolvimento da agricultura suportada por muitos técnicos especializados que asseguram a subsistência do povo do Líbano.
Porque o post já vai longo só quero afirmar que os ataques terroristas supostamente previstos pela polícia britânica, para mim nunca existiram! Sou da opinião de que foram uma boa forma de desviar a atenção do que se está a passar no Líbano e na guerra vergonhosa que Israel está a provocar! E ainda, para justificar a ofensiva no Iraque e para justificar aquilo que ainda não foi feito no Líbano... amanhã desenvolvo! Entretano deixo duas opiniões diferentes retiradas do Diário de Notícias de hoje:

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

José Rodrigues dos Santos

José Rodrigues dos Santos é o novo director de informação depois de Emílio Rangel ter saído da estação pública. Esta substituição foi feita porque a administração da RTP considerou que o novo projecto para a televisão do Estado não seria adequado a Rangel.
A informação é a grande aposta da RTP, apresentando a partir de agora resumos noticiosos às 17 e às 19 horas, avançando ainda com três espaços de actualidade por semana em horário nobre. Estes resumos noticiosos de dois minutos são uma das novidades, a par do programa de debate Prós e Contras que será antecipado para as 21 horas de Segunda-feira. À quinta-feira Judite de Sousa irá apresentar a Grande Entrevista, programa que irá alternar com as reportagens inseridas no Grande Repórter. O regresso da informação económica ao final da tarde é outra das novidades, além do Domingo Desportivo que passa a ser transmitido logo a seguir ao Telejornal.

Na minha modesta opinião, a informação da RTP (tanto do canal generalista como o da RTPN) estão a melhorar dia após dia. Vejo muita imparcialidade, muita informação completa e abrangente, muitos temas diferentes a serem retratados. Muita realidade a passar no ecrã, o que é o exigivel a uma estação televisiva. Os fabulosos directos e os fantásticos jornalistas presentes no Líbano e em Israel que nos transmitem o dia-a-dia da guerra só provam como esta televisão está a melhorar dia-a-dia. Sem sensacionalismos e notícias sem razão aparente como sucede nos outros dois canais portugueses. Até mesmo a SIC que tinha uma informação aceitável, está a descer de nível, forncendo-nos muita informação pouco isenta e com muito sensacionalismo. O povo gosta, é verdade, mas sem melhorias no tratamento da realidade dada aos telespectadores, o povo nem sequer pode saber que há uma outra realiadade que merece ser retratada.
Não defendo a omissão da tristeza, desânimo, fome, desemprego e outros malefícios espalhados por Portugal. O que defendo é o tratamento adequado dado a estes temas, que terá de ser feito de forma coerente e racional, sem exageros e maleficiências. O exigível é mesmo muita seriedade e bom jornalismo!

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Orgulho português


Francis Obikwelu é um atleta português, nascido na Nigéria. É especialista nos 100 e 200 metros de atletismo, como se pode comprovar no Europeu de Atletismo de 2006. Venceu graciosamente os 200 metros e sem dificuldades os 100! Há poucos minutos decorreu a corrida dos 200 metros e os nervos por aqui eram muitos. Tudo por culpa de uma veneração algo exacerbada da minha parte por este africano de olhar triste.

Desde o Campeonato da Europa de Atletismo de 2002 que conheço este atleta, e desde aí que tenho acompanhado a sua carreira. Nos Olímpicos de 2004 sofri, como muitos portugueses, e sorri com satisfação no final da prova dos 100 metros quando ele conseguiu arrecadar para o meu país uma medalha de prata. Ainda mais orgulhosa fiquei quando soube que aquela medalha tinha sido a primeira de sempre para Portugal em provas rápidas e constituia também o recorde europeu dos 100m livres com o tempo espectacular de 9,84 segundos!

Obikwelu veio para Portugal quando tinha 16 anos. Depois de ter sido rejeitado pelo Benfica e pelo Sporting não sentiu medo e foi para a construção civil no Algarve. Com muita preserverança aprendeu português e o seu professor ajudou-o nos contactos com o Belenenses, onde começou a correr. Apesar de permanecer no nosso país continuou a correr pela Nigéria, até os responsáveis nigerianos o abandonarem depois de ter sofrido uma lesão numa corrida pela Nigéria. Em 200o chegou mesmo a ir ao Canadá submeter-se a uma operação ao joelho, suportando todos os custos económicos que essa ida acarretou.

Em Outubro de 2001 adquiriu a nacionalidade portuguesa e actualmente corre pelo Sporting . Já arrecadou sete medalhas:
  • 3 Medalhas de Prata (Olímpicos de Atenas em 2004, Campeonatos do Mundo Atenas 1997, Campeonatos da Europa Munique 2002)
  • 1 Medalha de Bronze (Campeonatos do Mundo Sevilha 1999)
  • 3 Medalhas de Ouro (Campeonatos da Europa Munique 2002 e Gotemburgo 2006 nos 100 e 200 metros)

E não podia terminar este post sem voltar a referir o quão orgulhosa estou deste atleta radicado português (pelo menos este sabe o hino... e fala bem português!!!) ter corrido tão bem na Suécia. Obrigado Obikwelu! :) E bom bom seria um dia conhecê-lo, escrever sobre ele... seria mesmo muito bom!... podemos sempre sonhar..

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Obrigado...

Diário de Notícias


"Olá! Sou uma iraquiana e estou aqui para agradecer aos EUA e à comunidade internacional pelo estado em que se encontra o meu país. Antes tínhamos um ditador mas não havia guerra! Tinhamos falta de alguns tipos de comida mas agora temos fome. Antes conheciamos uma ou outra pessoa que tinha morrido às mãos de Saddam Hussein, mas agora conhecemos famílias inteiras que desapareceram mortas à custa desta guerra que ninguém pediu. Antes conseguíamos viver neste país com algumas limitações, mas agora tornou-se impossível permanecer aqui, na terra onde nascemos, crescemos, tivemos os nossos filhos e sonhamos morrer um dia.

Mas obrigado de qualquer forma por terem transformado o meu país num inferno!"

Não sentem a consciência pesada? Eu sinto!

Ontem ouvi na rádio que morrem em média 100 iraquianos por dia! Quantos morriam na época do "diabo em forma de gente" chamado Saddam Hussein? Volto a dizer que não o estou a defender... apenas defendo que as coisas não se resolvem como os EUA decidiram resolver este assunto! Relembremo-nos que sem o consentimento e aprovação da comunidade internacional (à excepção da Inglaterra e Espanha), mas mesmo assim tiveram a coragem de fazer o que lhes apetecia... e aconteceu o que eu e muitas outras pessoas previram na altura do ataque!
Ainda me lembro das infinitas discussões com amigos e familiares sobre isto... e no que acabavam sempre por me chamar... na cara estupefacta com que me olhavam... na cara de certeza quando alguém disse que haviam misseis escondidos no Iraque ao que eu respondi "Não acreditem em tudo o que vêem"... e novamente ares atónitos! Sinceramente não é preciso ser muito inteligente... mas cauteloso e realista! Perceber como se comportam os xiitas, os sunitas, todos os povos do Médio Oriente! E os políticos também sabiam como isto ia terminar... duvido que os americanos não soubessem onde se iam meter.... mas porque se meteram é a grande questão.
Na Madeira também há uma ditadura, se bem que está camuflada... será que os EUA se importam de a invadir e prender o Alberto João!? Nós aqui do continente até agradeciamos...
E Cuba! E a Coreia do Norte? E a China? 'Bora acabar com todas as ditaduras e fazer um mundo democrata! Mas por favor, não tão democrata como os States... ou então eu prefiro mudar de planeta!

E sim, podem chamar-me anti-americana! Mas não posso achar bem o que aconteceu no Iraque e muito menos o que está a acontecer no Líbano (sim... porque Israel não está sozinho nesta guerra ou porque será que a ONU e toda a comunidade internacional ainda não fizeram nada!? A Condolezza está apenas a despistar o "pessoal" porque na verdade tenta não fazer nada... e chega mesmo a conseguir, com muito esforço... não fazer nada)


P.S. Gostaram da fotografia? Não!!Temos pena... mas é a realidade!

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Cuba: novo Iraque?

Fidel Castro confiou o Governo interino de Cuba ao seu irmão, Raúl, devido a um grave problema de saúde. A menos de duas semanas de celebrar 80 anos (no dia 13 de Agosto), e depois de ter dito de forma irónica que não pensava estar no poder até aos 100 anos, Fidel toma esta decisão única em 47 anos de ditadura comunista.

A oposição cubana no exílio saiu para as ruas para festejar aquilo que acreditam ser o princípio do fim da ditadura castrista, enquanto que em Havana o clima é de tensa expectativa. A questão pertinente que se coloca é: estarão os cubanos preparados para viver sem aquele que foi o único líder que alguma vez conheceram?

A mesma questão também se colocava antes da ofensiva americana contra o Iraque e vejam no que se transformou o país. Agora a questão é outra: quando vão acabar as mortes? Quando é que o país vai voltar ao que era?

Pode-se tratar de uma psicologia barata mas parece-me que um país que viveu durante muitos anos uma ditadura, não vai conseguir facilmente entrar numa democracia. E muito menos impelidos por um país estrangeiro, que lhes invade o espaço. (E sim, isso ainda não aconteceu em Cuba, mas vamos esperar a ver se não acontece...) E não falem de Portugal e da ditadura salazarista, porque a nossa ditadura foi muito pacífica quando comparada com a de Saddam e de Fidel.

Obviamente que há países que conseguem ultrapassar melhor esta passagem, mas para que isso aconteça é necessário que estejam preparados para a democracia, com todas as suas liberdades e responsabilidades. Parece-me que isso não acontece em Cuba... Não vou ser mazinha e desejar a morte de Fidel Castro, apenas porque ele é ditador. Quantos se dizem democratas e defensores da liberdade e no fundo são uns autênticos ditadores, responsáveis por milhares e milhares de mortes? Quantos estão verdadeiramente camuflados por aquilo que na realidade não representam? Mas infelizmente apenas conseguimos acusar quem na realidade demonstra o que faz e o que pensa, e não tem poder suficiente para esconder a verdade dos seus actos.

Fidel Castro é o inimigo de estimação dos EUA que já "sobreviveu" a nove presidentes norte-americanos. A sua longa barba grisalha e o seu uniforme são universalmente reconhecidos e consegue discursar durante mais de 10 horas seguidas. Anda sempre rodeado de seguranças, ninguém sabe ao certo onde vive e muda frequentemente o local onde dorme. Foi casado duas vezes e tem sete filhos: uma da primeira esposa, 5 da segunda e outro de uma amante.

Há pormenores engraçados sobre a sua vida. Por exemplo, em 2001 enquanto proferia um discurso, desmaiou. Foi logo levado de ambulância onde recuperou os sentidos e pediu para ser imediatamente levado de volta ao palanque onde justificou o desmaio como causa do intenso calor e cansaço. Uma semana depois deste desmaio, foi ele quem liderou uma manifestação antiamericana de 40 mil pessoas.

E
Matt






Ainda a Madeira...

Numa altura em que começam a escassear notícias sobre a vida política, é com um largo sorriso que os jornalistas do continente recebem dados novos vindos do sempre mediático (por maus motivos) Alberto João Jardim...

Em primeiro lugar, o presidente do Governo Regional da Madeira fez saber que é contra os "maricas e o casamento de homossexuais"... como se ninguém ainda se tivesse apercebido! A verdade é que ele é contra tudo o que seja retirar-lhe dinheiro, não comemorar o carnaval, liberdade de expressão e a não veneração da sua própria pessoa.

Odeia José Sócrates pelas restrições económicas (finalmente) feitas ao Governo Regional. Também o odeia por este não ser declaradamente social-democrata, e por não entender as "necessidades" económicas da Madeira. O que é de louvar é que finalmente exista um político capaz de fazer frente ao Jardim... aqui pelo continente estamos um bocadinho fartos da sua arrogância e má-educação!

Num discurso pronunciado no fim-de-semana passado na Madeira afirmou que: "A nossa resistência é pacífica com base nos ensinamentos de Gandhi"... ele nem deve saber quem foi o Gandhi senão não fazia este tipo de comparações! Porque não nos devemos esquecer da perseguição que o PSD/Madeira fez a alguns jornalistas da Visão quando estes se deslocaram à ilha para realizar uma reportagem sobre alegadas fraudes na politica madeirense (já me fartei de procurar a revista onde vinha a reportagem sobre isto mas não a consegui descobrir. Mas aconteceu e não foi há muito tempo... um dos jornalistas perseguidos foi o Miguel Carvalho). Afinal onde está a não-violência tão desejada por Gandhi, e segundo o que Alberto João Jardim diz, por ele também?

Jardim reivindica a autonomia, mas esquece-se que vive à custa dos dinheiros do continente! Chama "burros" aos políticos de cá mas a verdade é que precisa deles para receber o dinheiro para as suas "coisinhas". Mas a questão fulcral aqui é: se querem tanto a autonomia porque ficam tão aborrecidos quando sabem que lhes vão ser tirados os fundos económicos?

O líder da JSD/Madeira chegou mesmo a acusar José Sócrates de estar a fazer terrorismo contra a Madeira. Será que não entendem que todas estas acusações não tem o mínimo fundamento e que não ganham nada com elas?

Já para não falar das regras de vestuário que foram impostas aos jornalistas... às perseguições feitas a muitos profissionais do continente que vão para a ilha tentar a sua sorte e tentar entender o que ali se passa... entre muitas outras coisas como esta da Grande Reportagem que felizmente já está resolvida.
Pelo menos ainda nos vamos rindo com todas estas situações caricatas...

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Back!

Voltei!

Na verdade cheguei a casa no Domingo às 18 horas, mas só agora tive tempo para dizer alguma coisa aqui. No Domingo foi tempo de dormir o que não dormi na última semana (adormeci no sofá às 23horas e só acordei no dia seguinte as 7.30h quando o meu pai acordou... com televisão acesa, luz... ), e ontem foi tempo de matar saudades dos amigos mais próximos e que estão em Coimbra, e de um cafézinho quentinho. Ahhh :)

Aprendi muita coisa sobretudo sobre mim própria... e não por ter descoberto, mas sim por miúdos de 14/15 e 16 anos me terem feito descobrir! Relembrei os melhores momentos que já passaram porque alguém mo impeliu... sorri com vontade... enfrentei o que viesse por amor .. e descobri que não há impossíveis... apenas dificuldades, angústia, desespero! Descobri que já cresci o suficiente para tomar nas mãos as rédeas da minha vida sem medos... mesmo que esteja um sol abrasador sobre a minha cabeça. E sobretudo descobri que o pôr-do-sol é bem mais bonito que o nascer do sol...


Ficam as recordações, as saudades, o desejo de voltar atrás, o amor, a empatia, as palavras doces... o "Paulo" (que eu ainda não entendi quem era...) , o "rastafari", o "golfinho" e sobretudo a palavra família, com a justificação de "a mana mais velha"... e ficaram a lembrança de todos os sorrisos, de todos os momentos maus que eram ultrapassados pelos sorrisos, anedotas, força... e as 180 fotografias.....