segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Música da semana

"Friends and liars dont wait for me because I will get on all by myself"

Yeah! Rock :)

Opinar pelo papel

Sempre gostei de eleições, antes e depois dos 18. Pela ansiedade dos resultados, o frenesim das televisões e das rádios e dos jornais, e das opiniões adversas que existem na família. Pelo menos lá em casa cada um tem a sua consciência, e ninguém vota na mesma cor política, o que origina sempre engraçadas discussões. Mas se calhar o meu pai não nos soube educar bem, ensinou-nos a pensar, mas sobretudo a gozar do direito de apresentar o cartão de eleitor e votar. Sempre! Até mesmo um ano em que estava com uma valente gripe, febre, e dores incríveis de garganta me arrastei para as urnas e votei. E nem sempre votei num partido. Já escrevi um nome. Já desenhei um boneco. E ainda estou na casa dos 20 anos! A criatividade ainda deve dar para muito mais.

Mas, e esta é a minha mais sincera opinião, tendo cada uma a sua ainda, acho inacreditável e até vergonhoso para mim portuguesa, que quase metade da população não se tenha dado ao trabalho de ir ás urnas. Nem que fosse só para dobrar o papel em quatro. Porque a abstenção apenas significa que nos estamos a borrifar para a política, para o nosso poder de eleger quem acreditamos. E se nos estamos a borrifar para esse direito, o melhor será tirá-lo. Não vale a pena gastar milhares de euros em campanhas e dias eleitorais se depois o cidadão não dá valor a isso. Só aumenta o défice! As gargantas dos candidatos ficam roucas, o cansaço avoluma-se neles mesmos e tanta outra coisa acontece, sem necessidade. Por mais que consiga pensar na razão de tudo isto não entendo. Não há explicação para tamanha insignificância de uma coisa tão importante. Devem haver mais portugueses a ver jogos de futebol do que a ir votar, e isto tem de significar alguma coisa de muito grave.

Já não sei o que dizer mais. Nunca vivi numa ditadura, sempre me foi dada liberdade para pensar e dizer o que pensava, e não me imagino a viver sem isso. Até no trabalho, às vezes, falo demais e prejudico-me por isso, mas talvez faça parte da minha natureza, ou o meu pai fez um trabalho bem feito quando me educou segundo a regra da liberdade e da justiça, e do trabalho e das recompensas pelo que é feito. Talvez tenha sido assim porque ele viveu na época em que não podia falar aquilo que pensava, porque estava num quartel quando estoirou a revolução, porque fica emocionado sempre que ouve a Grândola. Porque é muito importante, talvez mais importante do que o défice ou o desemprego ou outras coisas, a liberdade que nos foi concedida por meia dúzia de companheiros. Homens que lutaram por aquilo que estamos a desperdiçar. Em memória de alguns deles, não podemos deixar cair este valor tão importante. Não podemos simplesmente!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Mais umas do Medina Carreira

Gosto dele. Gostava de o conhecer um dia, e ter cultura suficiente para trocar meia dúzia de palavras. É despreendido do dinheiro, não gosta de gente sem palavra ou falsidades. Diz o que pensa sem medos ou inibições. É o conturbado Medina Carreira. É competitivo e exigente, não tem meias palavras. Já tem alguns livros, com ideias que concordo a 100% e outros que nem por isso. Mas escreve bem, e é bastante racional. O que falta neste país em que metade da população vive a chupar no Estado. Agora lançou outro livro, a minha próxima compra, e pelo caminho deu uma longa mas interessante entrevista à Visão que pode ler aqui.

domingo, 20 de setembro de 2009

Uma verdade inocente

Gosto destas histórias. Porque há um herói, ou heroína, e porque o "bem" foi feito, mesmo de uma forma que pode ser considerada errada. Começa assim:

No derradeiro acontecimento após o 11 de Setembro de 2001, Tania Head foi uma das sobriventes que mais vezes deu a cara para os meios de comunicação social. A sua história foi contada e ouvida, de forma sentida e nunca questionando a veracidade, por milhares de pessoas em todo o mundo. Mas a verdade, 8 anos após o ocorrido, é que Tania Head nunca existiu, e o nome verdadeiro daquela mulher é Alicia Esteves Head, uma espanhola que nem sequer esteve em Nova Iorqu quando as duas mega torres caíram. Surpreendidos? Há mais.

Esta mentira fez parte do documentário "A impostora do 11/9", uma mistura de arquivo, entrevistas e depoimentos de sobreviventes verdadeiros. A mentira foi descoberta em 2006, já depois de Tania ter cumprido os seus objectivos. Ela doou dinheiro, transformou o grupo de sobreviventes numa organização oficial, e com isso, garantiu financiamento do governo para as famílias mais necessitadas. Em 2003, pela sua persistência, foi dada permissão aos sobreviventes do atentando para que pudessem visitar a zona de impacto. Fez vários discursos em variados locais para receber apoios para os sobreviventes do incidente, fez visitas guiadas, e tudo de uma forma gratuita, voluntária. E entretanto, Tania desapareceu e os sobreviventes receberam um email onde lhes era dito que Tania se tinha suicidado. Mas será verdade?

Não gosto de mentiras e nem as defendo mas esta pareceu-me que valeu a pena porque conseguiu ajudar pessoas com traumas, com imensas histórias para contar. E numa altura em que chovem mentiras, inverdades e exageros por toda a comunicação social, aplaudo mentiras destas. Sem consequências.

P.S.: E, sinceramente, e porque não quero escrever um post sobre isto, apenas tenho a dizer que depois do último mês, mais dia menos dia, cada vez tenho mais vergonha da minha classe. E com as eleições a uma semana a coisa tende a piorar, e por isso até daqui a oito dias não vou ler jornais, ver televisão ou ouvir pessoas. Já não suporto mais machadadas na liberdade e responsabilidade de informar.

domingo, 13 de setembro de 2009

"Isto é o beijo do adeus, espécie de cão", berrou!

Mas ainda há boas notícias nos jornais de hoje. O jornalista iraquiano, Muntadar al-Zaidi, que lançou em Dezembro de 2008 o seu par de sapatos ao Presidente dos EUA, George W. Bush, irá sair em liberdade amanhã, tendo cumprido 9 meses de prisão. É tratado como um herói do mundo árabe, sobretudo porque a sua acção é encarada como particularmente ofensiva para com um visitante. Já existem t-shirts com o seu nome, e chegaram a haver manifestações de apoio em Londres, Rabat, Cairo, Faixa de Gaza entre muitos outros locais.

Inicialmente tinha sido condenado a três anos de cadeia por assalto (ele roubou-lhe alguma coisa? Só lhe faltou a pontaria...) a um chefe de Estado estrangeiro, no entanto, a pena foi reduzida depois de ter interposto um recurso. Está a ser organizada uma mega festa para quando sair da prisão, e a estação de televisão na qual trabalhava ofereceu-lhe um apartamento mais espaçoso já que Al Zaidi vivia numa zona muito pobre. Al Zaidi pretende aproveitar o dinheiro que lhe estão a oferecer para construir um centro de apoio a órfãos e viúvas.

O Iraque merecia um Presidente assim! E todos os outros países. Tem coração, noção do que aconteceu no seu país, sente ganas e solta-as para cima de quem prejudicou o seu país e o destruiu. Gostava de lhe perguntar qual o Iraque que escolhia, se tivesse essa opção: o actual ou o do Saddam Hussein? Mas um bem-haja a um jornalista sem medo e com noção do que é a liberdade de fazer aquilo que deve ser feito! Uma lição para muitos que por aí deambulam...!

Onde isto vai parar!?

Qual Contemporâneos, ou Gato Fedorento, o debate de ontem Manuela Ferreira Leite-José Sócrates é que foi um fartote de rir. Do início ao fim. Pelo que foi dito e pelas expressões maravilhosas que saem da cara dos candidatos. Em primeiro lugar, a mim disseram-me que viviamos num país democrático, e como tal podiamos discutir tudo e falar sobre tudo. Ontem não foi isso que transpareceu na Manuela, quando lhe perguntaram como tinha integrado na sua lista dois membros com processos em tribunal. E ela, sem olhar para o candidato ou para a jornalista apenas dizia que não queria falar disso, e esse assunto não tinha de ser discutido ali. Pensei que até a cor das cuecas podia ser discutido num debate daqueles, mas pelos vistos a inocente sou eu...

Entre outras coisas, surgiu o problema do TGV. Pelos vistos foi o governo da Manelinha que assinou um papel que trazia o TGV para Portugal (o Sócrates vinha bem artilhado de papelada e mostrou-nos o que os media teimam em não fazer recordar, curiosamente), mas agora está contra porque estamos a viver uma crise diferente. Explicações dadas meia hora depois de ter dito que ela também teve de fazer frente a uma crise em 2003, estranhamente o ano em que assinou a vinda do TGV para Portugal. Que há uma crise mundial neste momento, que afecta todos os países numa era de globalização também não foi referenciado, por nenhum dos dois, estranhamente! Se calhar não é importante. Mas o pior foi quando ela disse que não quer nada dos espanhóis, e que estes não têm nada que se meter na política portuguesa, e que não somos uma província de Espanha... os meus olhos estavam a ficar muito esbugalhados, não saltaram fora da sua órbitra por alguma razao estranha desconhecida. A verdade é que ela tem razão no que diz - não somos uma província de Espanha e a política portuguesa é o mais importante neste momento - mas na política, como num prédio ou numa aldeia, o importante é também manter boas relações com os vizinhos. Nunca sabemos quando vamos precisar de meia dúzia de grãos de sal... E imaginei logo o futuro: manchetes por toda a Espanha (El Pais ou El Mundo, do que a Manela disse, e quiça, pela Europa fora (já se fala em França também). As sondagens dão um empate entre os dois candidatos mas ela nem precisava das acusações do Sócrates porque cavou o seu próprio buraco. Só não viu quem não quis!

As SCUT foi outra das piadas. Sempre quis portagens, e sempre acusou o governo de nao colocar portagens nas SCUT's, no entanto, não tem essa medida no seu programa eleitoral. Cumé Manela? Há portagens ou não nas SCUT's? Ou quantos votos pensas ganhar com a inexistência dessa medida no teu programa eleitoral? Foi um fartote de rir, sobretudo pela forma arrogante e com raiva com que ela respondia. Pode ser do feitio da senhora mas, para mim, é assustador que uma pessoa daquelas, que não gosta de discutir aquilo que não lhe interessa, venha a ser primeira-ministra de Portugal. Com o apoio do Cavaco Silva, ora essa, como se ela não fosse uma das suas protegidas (Sr.º Presidente ainda não me esqueci da falta de liberdade jornalística - até porque estudei qual foi o momento em que houve menos liberdade jornalística em Portugal depois do 25 de Abril, e não digo mais... - de que falou aquando do caso da Moura Guedes. Devia-se informar melhor antes de falar e não entrar nas jogadas de ataque que andam para aí. Só lhe fica mal, mas isso vejo eu que nunca gostei de si... lamento)!

E continuo na bela da indecisão onde hei-de meter a cruz. Mal por mal, venha o Diabo e escolha...

sábado, 5 de setembro de 2009

Felicíssima!

A minha memória é, por vezes curta, outras vezes baralha-se e não me deixa enquadrar o passado no real. A saída do Moniz na TVI, e até a proclamada candidatura ao SLB, foram uma surpresa para mim. Mas como gosto sempre de responder a perguntas que me assolam a cabeça, questionei na altura porque razão ele tinha escolhido esta altura para sair da TVI, a denominada televisão contra Sócrates, contra o regime. Provavelmente não há nenhuma razão escondida daquilo que foi dito, mas talvez até haja, porque na altura, houve quem dissesse que esta era mais uma medida do Sócrates para controlar os meios de comunicação social. Não acredito que o Sócrates, que é bicho matreiro, fosse estúpido a esse ponto. E não o defendo, apenas dito aquilo que me parece ser mais racional, não sendo eu professora ou funcionária pública, e não tendo por isso uma venda nos olhos denominada Mário Nogueira ou como eu prefiro chamar-lhe, "o homem do bigode", o sucessor do Jerónimo. Aquele que se assemelha a um jovem irrequieto, em que parece que nada está como ele quer, nem mesmo quando o mundo se pinta de cor-de-rosa.

Esta saída da Manuela Moura Guedes, que envergonha qualquer pessoa que seja jornalista ou conheça um pouco daquilo que ditam as regras de o ser, foi para mim uma vitória. Algo que já devia ter sido feito há imenso tempo, pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social ou por outro organismo poderoso que conseguisse entender o "crime jornalístico" que era ter aquela mulher a apresentar um telejornal. Obviamente que, a semanas das eleições, surgem histórias de pressões de Sócrates com este e aquele, e por isso é que ela se foi embora. Coitadinha! Mas será que o Sócrates é algum deficiente mental?

E o PSD? Que legitimidade tem para falar quando foram eles próprios que afastaram o Marcelo Rebelo de Sousa, nos tempos do Santanismo, da TVI, porque ele falava demais. E já o assumiram publicamente. Que moral tem para falar ou sequer comentar o que se está a passar?

A generalidade dos portugueses não pensa assim, e vai acreditar nas cabalas de que foi o Sócrates, burro-estúpido-idiota-môr, que quis afastar a Manuelinha, não pelo seu mau profissionalismo mas porque ela dizia muito mal dele. Até o Cavaco Silva já veio proclamar que o Jornalismo vai mal, e claro, cabeças amnésicas como as nossas, vamos todos acreditar que de facto o jornalismo vai muito mal agora, mas nos oito anos de cavaquismo era útópico. Não tenho dúvidas de que ninguém acredita nisto, nem pensa nas notícias que as televisões vão veicular nos próximos tempos não acreditando totalmente nelas mas sabendo ler nas entrelinhas. Porque isto é normal acontecer em tempos próximos das eleições, e se não acreditam tenho uns livros interessantes que posso recomendar do que já aconteceu, e ainda acontece, nos States em epóca de eleições. Uma comédia! E esta também é! Até o Menezes de Gaia veio dizer que andam para aí a trocar umas mensagens, usando a lista da TV Cabo... o Menezes, esse exemplo de purificação!

Vou apreciar de camarim. Ver quem ganha daqui a umas semanas, se bem que infelizmente tenho uns "feelings à gaja", e depois comento. Mas neste momento, estou muito feliz por não ver mais a carantonha da Manuela à Sexta-feira (pronto, eu não via aquela merda mas sabe-me bem saber que o circo já terminou), e ter mais orgulho na minha classe. Se bem que também ouvi uns comentário de um tipo da ERC que não me cairam muito bem... Há sempre a hipótese de estar errada, e o Sócrates ter mandando demitir a Manuelinha, e eu ser a atrasada mental por ainda acreditar na história da Carochinha. Mas a verdade virá ao de cima, seja daqui a um mês ou daqui a uns anos, e aí saberei se estou certa ou errada. Mas, por favor, saibam ler nas entrelinhas das notícias...e percebam quem ganha com toda esta história! É fácil responder...

P.S.: E para que fique registado, e bem registado, não sou a favor do Sócrates nem de ninguém em especial. Ireri votar sim, como sempre advoguei, em memória de uns tais capitães de Abril que quase deram a vida para termos hoje esse direito, mas ainda nem decidi onde colocar a cruz. Sei onde não vou colocar, apenas! O resto vou decidir entretanto...