domingo, 20 de setembro de 2009

Uma verdade inocente

Gosto destas histórias. Porque há um herói, ou heroína, e porque o "bem" foi feito, mesmo de uma forma que pode ser considerada errada. Começa assim:

No derradeiro acontecimento após o 11 de Setembro de 2001, Tania Head foi uma das sobriventes que mais vezes deu a cara para os meios de comunicação social. A sua história foi contada e ouvida, de forma sentida e nunca questionando a veracidade, por milhares de pessoas em todo o mundo. Mas a verdade, 8 anos após o ocorrido, é que Tania Head nunca existiu, e o nome verdadeiro daquela mulher é Alicia Esteves Head, uma espanhola que nem sequer esteve em Nova Iorqu quando as duas mega torres caíram. Surpreendidos? Há mais.

Esta mentira fez parte do documentário "A impostora do 11/9", uma mistura de arquivo, entrevistas e depoimentos de sobreviventes verdadeiros. A mentira foi descoberta em 2006, já depois de Tania ter cumprido os seus objectivos. Ela doou dinheiro, transformou o grupo de sobreviventes numa organização oficial, e com isso, garantiu financiamento do governo para as famílias mais necessitadas. Em 2003, pela sua persistência, foi dada permissão aos sobreviventes do atentando para que pudessem visitar a zona de impacto. Fez vários discursos em variados locais para receber apoios para os sobreviventes do incidente, fez visitas guiadas, e tudo de uma forma gratuita, voluntária. E entretanto, Tania desapareceu e os sobreviventes receberam um email onde lhes era dito que Tania se tinha suicidado. Mas será verdade?

Não gosto de mentiras e nem as defendo mas esta pareceu-me que valeu a pena porque conseguiu ajudar pessoas com traumas, com imensas histórias para contar. E numa altura em que chovem mentiras, inverdades e exageros por toda a comunicação social, aplaudo mentiras destas. Sem consequências.

P.S.: E, sinceramente, e porque não quero escrever um post sobre isto, apenas tenho a dizer que depois do último mês, mais dia menos dia, cada vez tenho mais vergonha da minha classe. E com as eleições a uma semana a coisa tende a piorar, e por isso até daqui a oito dias não vou ler jornais, ver televisão ou ouvir pessoas. Já não suporto mais machadadas na liberdade e responsabilidade de informar.

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