segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

as casas são ocupadas pelas pessoas

Há 11 milhões de casas desabitadas um pouco por toda a Europa! Números assustadores porque me parecem suficientes para serem habitadas pelos milhões de sem-abrigo que abundam um pouco por todo este continente. Estas são notícias que mecausam alguma insensatez mental porque não entendo a letargia de países paupérrimos, como o nosso, ao ter casas vazias de humanos não as podem ocupar com os mesmos, muito esquecidos por todos nós!

Enquanto escrevo isto confortável na minha casa, tenho a noção que sou uma privilegiada porque estou confortavelmente sentada e tenho uma cama quente à minha espera. E tantos que não têm nem metade do que tenho. E ensinaram-me que todos temos os mesmos direitos - habitação, cuidados de saúde, educação, amor, conforto - e já não sei se me ensinaram bem ou se o mundo está virado do avesso. Tenho noção que é a segunda opção que está correta mas sinto um nó gigante na garganta! Amanhã posso ter um mundo e realidade Mais justos? Sim? Obrigado.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

cegonhas e a A25

Os humanos não entendem, definitivamente, os animais. Sobretudo as pobres cegonhas que, há muitos anos se albergam para os lados da A25.

Por considerarem que era mais seguro para os condutores mas também para os animais voadores, a Ascendi resolveu mudar-lhes a morada, para um local mais seguro mas também mais cinzento e aborrecido. Haverá melhor local para viver e educar os filhotes do que próximo do perigo? Não há melhor educação além da preventiva: "aquilo é o que te pode acontecer caso não tenhas cuidado e não ouças aquilo que te digo". Isto digo eu que não sou cegonha e nem cheguei a este mundo no bico de uma... mas teria sido engraçado!

Hoje se passarmos pela A25 já vemos os animais voadores a fazerem os ninhos, animadas com o sol e novas vidas que surgirão do alto das traves que ladeiam aquela estrada. É uma visão bonita, quase de comunhão com a natureza mesmo rezando para que os paus que transportam não caiam em cima de nenhum automóvel. Elas, suponho, já por ali andavam antes da construção da autoestrada, nós é que nos metemos no espaço onde famílias nascem e querem crescer felizes em harmonia.

Vamos deixar as pobres aves de bico aguçado em paz e estar mais atentos aos animais que largam cães e gatos nas mesmas autoestradas? E que venha a Primavera com cegonhas a deliciarem-nos o olhar na A25!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

uma nova cor para a liberdade

Quase que já passaram 40 anos desde um dia em que, irmãos portugueses bravos e com esperança, quiseram mudar o mundo. Ou o nosso mundo. Apareceram de armas em punho, mentes pacíficas e sonhadoras, a acreditar que era possível lutar por uma vida melhor. Uma realidade onde a liberdade, igualdade e democracia fossem os baluartes de todos os minutos e segundos da nossa existência.

Hoje parece-me um sonho. Um sonho deles, concretizado há quatro décadas, e que não soubemos interpretar. Jorge de Sena disse um dia, "nao quero morrer sem ver a cor da liberdade" mas temo que tenha de continuar a viver com um cinzento a espelhar aquilo a que chamam liberdade.

Porque liberdade não é libertinagem, nem egoísmo, individualismo. Liberdade é união, mãos dadas, objetivos comuns e luta incessante de todos pelos mesmos. Estou a pagar uma crise, pela qual julgo não ter contribuído. Mas estou a pagá-la de uma forma civilizada, mesmo participando em lutas nas ruas mostrando o meu descontentamento. A minha falta de esperança, cada vez mais calada e com os sonhos mais longínquos do que nunca. Sem saber o que fazer à minha vida que já conta 33 anos.

Felizmente trabalho, algo que nem todos se podem vangloriar neste momento e neste país. Mas não consigo vislumbrar um horizonte que me faça feliz, que me permita sonhar e lutar por aquilo que sempre ambicionei. Sinto que apenas estou a sobreviver e não a viver porque não posso sonhar, evoluir, construir algo. A minha realidade, sei que bem melhor do que muitas outras, não mo permite.

Olho para o meu país e nem sempre vejo aquilo que gostaria. Gostava de encontrar conterrâneos a acreditar que é possível, que podemos ainda ser felizes, construir um mundo melhor para nós, os nossos filhos, os nossos pais, os nossos amigos, os nossos vizinhos e conhecidos. Para todos aqueles que vivem neste país que não tem consciência das riquezas que guarda dentro de si.

O futebol interessa a todos, unem-se e choram e riem em uníssono, os festivais de verão estão coloridos com jovens e adolescentes e adultos a divertir-se mas há um outro mundo que não vibra dessa forma. Há centenas e milhares de portugueses em dificuldades, uns com fome, outros sem dinheiro para medicamentos, uns sozinhos e sem sorrisos, largados no meio desta terra. E nós, os outros que julgam que não estão sozinhos, esquecemo-nos deles, da sua realidade. Da sua tristeza. Não vem retratado nos media, não leio sobre isso, não vejo imagens dos mais desafortunados, e assim é como se eles não existissem.

Uma pessoa muito próxima há um par de anos que me dita que os media têm muita culpa do que se passa porque não mostram toda a realidade e apenas a que lhes interessa, e infelizmente, apesar de nunca o ter admitido verbalmente, essa é a verdade. Quantas capas de jornais não apareceram com o Ronaldo e a sua bota de ouro? E quantas capas surgem com as milhares de histórias menos felizes espalhadas por este país fora? Não precisávamos de ir muito longe... há histórias péssimas mesmo ao nosso lado. Mesmo assim continuam sem aparecer. E tão agitados andamos com a nossa vida, com merdas que não interessam nada mas que parecem sobejamente importantes para nós, que nos esquecemos dos menos afortunados mal lhes viramos as costas. Individualistas no pensar e no sentir e no agir que nos tornámos. Não foi isso que se sonhou em abril de 1974. Não foi para isso que muitos não se importavam de morrer em abril.

Como Luther King hoje também tenho um sonho. Um meu, ser feliz. Outro para o meu país, ser mais justo, distribuir liberdade e responsabilidades e permitir que todos nós possamos sonhar e lutar pelos nossos sorrisos mais puros.

Quero continuar a ter um trabalho e também um emprego. Quero desafios, crescer, poder dar trambolhões, dormir menos horas porque tenho um trabalho importante para terminar que me dá um gozo do caraças. Sonhar e lutar por algo que sempre quis.

Hoje tenho um sonho. Quero continuar a acreditar nele. Quero revitalizar esta liberdade de que tantos falam e poucos sabem o significado. Quero uma nova cor para a liberdade, um novo rumo. Um rumo feito pelo povo e para o povo.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Ucrânia, Síria... o resto do mundo


Andamos todos preocupados com a chuva que não cessa de cair por terras lusas. Com a crise, impostos, subida de preços mas parece que ninguém atenta à realidade além fronteiras. Na Ucrânia há dias e dias, realidades que nos são adversas como país pacífico que habitamos. Muito se defende na Ucrânia, uns para um lado e outros para outro. Fora da Ucrânia, aqueles que estão inertes à sua realidade também não estão quietos e tomam decisões que nos passam ao lado. É preocupante porque a Ucrânia está completamente alheia às nossas preocupações tal como à da maioria dos meios de comunicação.

Não é positivo. Não gosto. Tal como não gosto de desconhecer a realidade da Síria. Será que um dia iremos olhar para os lados e não apenas para a nossa frente?

uma palavra para sorrir

E quando se chega ao fundo de um caminho que sempre evitamos? Num percurso cheio de dúvidas, pedras aguçadas, pensamentos menos positivos, desconfianças, perda de amor-próprio, lágrimas e algum desespero. Evitamos ao longo da nossa vida percorrer esta estrada. Desviamo-nos amiúde, saltamos para outro caminho quando os dias assim nos permitem mas a dada altura não há hipótese de escapar, já caminhamos há muito por este caminho sem percebermos a sua perigosidade e agora não dá para recuar.

Sorrir não é fácil. Chove lá fora. O silêncio que os ouvidos não querem ouvir impera. O turbilhão do falatório sem importância ecoa na cabeça que prefere não pensar. Como sair daqui? Preciso sair daqui. Respirar. Ser feliz. Ter noção do que é viver, aprender, crescer e ser feliz. Dedicar-me de corpo e alma ao que mais quero fazer e não mo permitem neste local que não clama por mim. Dos que o habitam e não respondem às minhas expetativas. Do ar que me expulsa de cada sala que existe. Dos passos de desconhecidos que passam como esqueletos sem som. Cansaço é o que me resta. Muito cansaço.

Devia, há uns anos atrás, ter decidido ir pelo caminho dos sonhos, seguido o meu coração e deixar a racionalidade a um canto. Deixá-la simplesmente para trás, esquecida, como quem se desvia de um caminho apenas porque o coração assim o ordena. Devia, pois devia Mas não o fiz, não fui suficientemente corajosa para tal e agora parece-me tudo tão longínquo que as esperanças esmorecem cada vez mais. É preciso acordá-las, respirar-lhes para os pulmões, sorrir-lhes com um olhar de futuro e esperança. Sonhar.

Será que voltará a nascer um dia quente de um sol mágico, os pássaros a rodeá-lo e a cantarem músicas coloridas e com um aroma a esperança no ar. Como mudo para este caminho? O meu coração apenas quer voltar a sorrir com candura e inocência.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

(para sempre) Love you like in poetry

Blind Zero. Fizeram vinte anos no meu mês, a 29. 


Conheci a banda numa qualquer queima das
fitas de Coimbra, não sei exatamente o ano mas lembro-me tão bem daquela hora e
meia de concerto que é como se o estivesse a reviver agora. Talvez por isso
seja tão estranho pensar que já passaram tantos anos. Big Brother e o Recognize
ainda soam na minha cabeça como naquela noite. Por alguma razão que me escapa
agora, estava nas grades à espera dos James julgo eu, e fiquei irritada quando
me dizem que ainda viria uma banda oriunda do Porto. Nenhum dos meus amigos conhecia
muito bem, fazem-me acreditar que irei gostar porque era rock semelhante aos
Pearl Jam. Não acreditei e pensei seriamente em sair daquele lugar magnífico
mesmo em frente ao palco para não ter de levar com mais moche e música
desconhecida. Mas estava curiosa e ainda não totalmente esgotada dos encontrões
e lá me aguentei em cima das grades, felizmente!

No pouco silêncio da noite e numa
imensidão de escuridão entram alguns membros da banda, gadelhudos e com ar
rockeiro e grunge o que me agradou logo. Surge-me à frente um tal de Miguel
Guedes que mais tarde lutei por entrevistar numa primeira entrevista mais
profissional onde tentei, e consegui, colocar os amores de lado. O Miguel tinha
um olhar cativante, uma energia contagiante e colocou-me a cantar letras que
nunca tinha ouvido, aos saltos e com ganas de descer as grades e entrar no
moche mesmo atrás de mim. Começava a sorrir, a esquecer o encontro imediato
muitos minutos antes que me tinha deixado desnorteada como adolescente
apaixonada que era na época. O concerto foi mágico, talvez pela surpresa da
maravilhosa música, lembro-o como um dos melhores da minha vida! Até que...

Até que mesmo no final do concerto ele
explica que a música seguinte era sobre amor (fiquei irada, não queria mesmo
nada daquilo naquela noite, e muito menos naquele momento em que dentro de mim
apenas residia a música deles e nada mais) e ditou que "por vezes é
preciso olhar para os lados e não apenas para a frente" ou algo muito
semelhante (o que ecoou no meu cérebro como algo demasiado ensurdecedor).
Aborrecida com uma banda de rock se revelar tão picuinhas com aquelas tretas do
amor, olho desvairada para o lado e lá estava ele a olhar para mim com aquele
olhar ao qual não consegui impedir de corresponder. E dois mundos se uniram. A
música começava com o Miguel e uma viola e ficamos durante a música a olhar ora
para o palco ora para um para o outro, como se soubéssemos quando devíamos
olhar para a frente ou para o lado, de forma a que os nossos olhares se
tocassem pelo menos naquele momento mágico. Não sei o que ele pensava mas
fiquei completamente estarrecida quando o Miguel cantou no meio da letra
"Love you like in poetry" por finalmente saber como o amava. Que bela
descrição! Um amor que surgiu de um olhar duradouro que parecia não ter fim,
como nos filmes, nos romances, na poesia, como nunca imaginei que me fosse
acontecer um dia. E através de uma letra, de uma música tudo tinha ficado
explicado. O sentimento apesar de adormecido, hoje continua.

E durante estes anos sempre que a minha
"música favorita" toca num qualquer concerto as lágrimas surgem, a
angústia, a saudade de amar e ser amada assim, simplesmente como na poesia. Não
é difícil. Foram os Blind Zero que me fizeram perceber como amava e como amarei
aquele humano até ao resto dos meus dias. E em todos os concertos que virão
nestes próximos e longos anos, e sempre que tocarem A música irá acontecer o
mesmo e irei procurar exatamente a mesma pessoa. E talvez, num futuro, irei
encontrá-lo novamente durante um concerto de Blind Zero, como tantas vezes
sucedeu em Coimbra, sempre que os Blind Zero cantavam a música que nos
explicava, como se o amor tivesse justificação. Só naquela música. 

E como alguns grandes amores o nosso não
deu certo talvez porque a poesia traz tragédia e dor carregada em si. Ou talvez
porque estamos destinados a fazer felizes outros, depois de termos descoberto
de que cor é feito o amor puro. Obrigado Blind Zero por estes 20 anos da melhor
música. E que venham mais 20 e mais 20 e mais 20. E mais amores como na poesia!
Não é pedir muito :) 



E a música toca mais ou menos assim
(estava lá mas não o encontrei)...