sábado, 1 de fevereiro de 2014

(para sempre) Love you like in poetry

Blind Zero. Fizeram vinte anos no meu mês, a 29. 


Conheci a banda numa qualquer queima das
fitas de Coimbra, não sei exatamente o ano mas lembro-me tão bem daquela hora e
meia de concerto que é como se o estivesse a reviver agora. Talvez por isso
seja tão estranho pensar que já passaram tantos anos. Big Brother e o Recognize
ainda soam na minha cabeça como naquela noite. Por alguma razão que me escapa
agora, estava nas grades à espera dos James julgo eu, e fiquei irritada quando
me dizem que ainda viria uma banda oriunda do Porto. Nenhum dos meus amigos conhecia
muito bem, fazem-me acreditar que irei gostar porque era rock semelhante aos
Pearl Jam. Não acreditei e pensei seriamente em sair daquele lugar magnífico
mesmo em frente ao palco para não ter de levar com mais moche e música
desconhecida. Mas estava curiosa e ainda não totalmente esgotada dos encontrões
e lá me aguentei em cima das grades, felizmente!

No pouco silêncio da noite e numa
imensidão de escuridão entram alguns membros da banda, gadelhudos e com ar
rockeiro e grunge o que me agradou logo. Surge-me à frente um tal de Miguel
Guedes que mais tarde lutei por entrevistar numa primeira entrevista mais
profissional onde tentei, e consegui, colocar os amores de lado. O Miguel tinha
um olhar cativante, uma energia contagiante e colocou-me a cantar letras que
nunca tinha ouvido, aos saltos e com ganas de descer as grades e entrar no
moche mesmo atrás de mim. Começava a sorrir, a esquecer o encontro imediato
muitos minutos antes que me tinha deixado desnorteada como adolescente
apaixonada que era na época. O concerto foi mágico, talvez pela surpresa da
maravilhosa música, lembro-o como um dos melhores da minha vida! Até que...

Até que mesmo no final do concerto ele
explica que a música seguinte era sobre amor (fiquei irada, não queria mesmo
nada daquilo naquela noite, e muito menos naquele momento em que dentro de mim
apenas residia a música deles e nada mais) e ditou que "por vezes é
preciso olhar para os lados e não apenas para a frente" ou algo muito
semelhante (o que ecoou no meu cérebro como algo demasiado ensurdecedor).
Aborrecida com uma banda de rock se revelar tão picuinhas com aquelas tretas do
amor, olho desvairada para o lado e lá estava ele a olhar para mim com aquele
olhar ao qual não consegui impedir de corresponder. E dois mundos se uniram. A
música começava com o Miguel e uma viola e ficamos durante a música a olhar ora
para o palco ora para um para o outro, como se soubéssemos quando devíamos
olhar para a frente ou para o lado, de forma a que os nossos olhares se
tocassem pelo menos naquele momento mágico. Não sei o que ele pensava mas
fiquei completamente estarrecida quando o Miguel cantou no meio da letra
"Love you like in poetry" por finalmente saber como o amava. Que bela
descrição! Um amor que surgiu de um olhar duradouro que parecia não ter fim,
como nos filmes, nos romances, na poesia, como nunca imaginei que me fosse
acontecer um dia. E através de uma letra, de uma música tudo tinha ficado
explicado. O sentimento apesar de adormecido, hoje continua.

E durante estes anos sempre que a minha
"música favorita" toca num qualquer concerto as lágrimas surgem, a
angústia, a saudade de amar e ser amada assim, simplesmente como na poesia. Não
é difícil. Foram os Blind Zero que me fizeram perceber como amava e como amarei
aquele humano até ao resto dos meus dias. E em todos os concertos que virão
nestes próximos e longos anos, e sempre que tocarem A música irá acontecer o
mesmo e irei procurar exatamente a mesma pessoa. E talvez, num futuro, irei
encontrá-lo novamente durante um concerto de Blind Zero, como tantas vezes
sucedeu em Coimbra, sempre que os Blind Zero cantavam a música que nos
explicava, como se o amor tivesse justificação. Só naquela música. 

E como alguns grandes amores o nosso não
deu certo talvez porque a poesia traz tragédia e dor carregada em si. Ou talvez
porque estamos destinados a fazer felizes outros, depois de termos descoberto
de que cor é feito o amor puro. Obrigado Blind Zero por estes 20 anos da melhor
música. E que venham mais 20 e mais 20 e mais 20. E mais amores como na poesia!
Não é pedir muito :) 



E a música toca mais ou menos assim
(estava lá mas não o encontrei)...







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