segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Há coisas que nunca mudam

Há dias encontrei um amigo de longa data, talvez o primeiro grande amigo, que me fez pensar na diferença que há desde que eu tinha 15 anos. Na altura tinha um sonho, hoje consegui concretizá-lo. E ele fez-me sentir que isso é realidade, quando os seus olhos esbugalhados berraram e quase me abraçaram, "Conseguiste. Mesmo quando ninguém te apoiava, conseguiste. Parabéns!" Acho que nem ele acreditou que um dia eu ia conseguir. Mas consegui, e numa bela cidade, com uma bela equipa de trabalho.

E o ano de 2008 resume-se a isto: a concretização de um sonho. Sem esquecer tudo aquilo que perdi para sempre, porque a vida teima em não ser perfeita. Apenas consigo explicar que nada se consegue sem esforço e determinação, ou pelo menos, no que diz respeito à vida profissional. Alguma teimosia, lutando contra tudo e todos, apenas ao sabor do nosso coração. Porque ele sabe o que queremos, e dá-nos força até quando o destino nos empurra para baixo. E na noite em que tomei consciência de que tinha conseguido concretizar o meu sonho de criança, adolescente e adulta, percebi que há demasiadas coisas importantes para nos prendermos apenas a uma, mesmo quando essa ocupa um lugar muito especial e nos deixa uma saudade imensa. A vida profissional é uma delas, a outra são os amigos que nunca nos esquecem e que conseguem mostrar com o olhar o quanto gostam de nós (e algum álcool à mistura também ajuda à revelação).

É difícil explicar tudo o que senti e tudo o que sinto, já nos meus 15 anos era-me dífícil exprimir mais do que aquilo que demonstrava. Mas posso dizer que nessa noite sorri verdadeiramente, como não sorria já há uns meses. Porque reencontrei um amigo especial, que nunca se esqueceu de mim, que ainda continua a fazer-me sentir especial... e já não me sentia assim há demasiado tempo. Um amigo que sabe mais de mim do que eu própria, e com o qual passei tantas coisas importantes. Sim, porque aos 15 e 16 anos aprendemos muita coisa que nos vai servir de base para o futuro. E sim, um amigo de longa data, rastoso e perdido na vida (e isso terá de mudar, ou não será mais um dos objectivos para 2009), pode continuar a ensinar-nos o nosso caminho, ou pelo menos a descobri-lo. Obrigado, Johnny!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Sentados em lugar estratégico

Estava a jantar num qualquer restaurante conimbricense, numa mesa junto à janela e com visão estratégica para a porta de entrada, quando irrompe um grupo de 4 rapazes na idade dos vinte anos. Não tinham mau aspecto, nem falavam alto, ou fizeram qualquer movimento estranho, mas a verdade é que me fizeram ficar logo demasiado atenta para uma situação normal. Estrategicamente ou não, ficaram sentados mesmo ao lado da porta, e olharam para todos os presentes com olhar fotográfico e prolongado. Pensei que estava demasiada afastada da única porta existente no estabelecimento...

A mesa à minha frente tinha dois homens e uma mulher e duas crianças. Dois minutos depois do grupo entrar, um dos homens, sentado de costas para o grupo, levantou-se e foi ter com o grupo. Falaram durante uns segundos, e três jovens sairam acompanhados pelo adulto que os intercalou. Na altura achei muito estranho, afinal porque não poderiam falar no restaurante e porque sairam três deles, ficando apenas um? Inocentemente e tentando não pensar no impensável, pensei que tinham ido buscar algo ao carro de algum, mas quando o quarto elemento que tinha ficado na mesa, se levantou, abriu a porta e não se afastou. Quando vi o braço de um outro, e a cabeça do adulto mesmo à saída da porta, percebi que não tinham ido para longe. Apenas estavam a ter uma conversa fora de portas.

Uns minutos, e eu já com o coração a pular, entram todos e o adulto senta-se com ar sombrio. Nem levantou os olhos para os companheiros de refeição, nem articulou palavras nuns bons minutos seguintes. O ar assustado daquele pai assustou-me, e pensei em milhentas coisas que se poderiam estar a passar. Algo de bom não poderia ser, ou eles não sairiam do restaurante e nem ele voltava com aquele ar pesado. Obviamente que o grupo percebeu que eu estava atenta, e não tiravam os olhos de mim, mas não aguentei tanta curiosidade, tanta necessidade de captar tudo o que conseguisse.

Ainda hoje sei quantas cervejas bebeu cada um antes de eu sair, o que pediram para jantar, quem bebeu ice-tea, ou aquele que intercalou as 4 cervejas com um ice-tea. Ainda hoje me lembro de, dois segundos depois de entrarem, terem colocado a chave do carro em cima da mesa. Ainda hoje me lembro que o condutor já tinha bebido, à minha saída, cinco cervejas com álcool. E dificilmente me vou esquecer da cara dele porque era o mais observador do grupo, e o que mais me topava. Ainda hoje estou a remoer o que raio se terá passado. Ainda hoje a minha curiosidade não está satisfeita e inquieta-se por aquilo que pode acontecer àquele homem. Ainda hoje me lembro de quando me dirigi ao carro, e percebi que o carro deles, ou pelo menos a marca da chave, era a chave de abertura do carro que estava estacionado atrás do meu. E, ainda hoje me lembro da matrícula. Nunca se sabe se pode dar jeito. Ás vezes não entendo o que me dá para fazer estes filmes, mas garanto que tudo isto aconteceu, e não foi nenhum filme na minha cabeça. Posso estar a exagerar, e eles terem saído lá para fora apenas para ver se fazia mais frio do que quando entraram, e a cara pesada do adulto estar relacionada com o casaco de que se esqueceu em casa. Quem sabe...

Desconfiança a mais?

Quando o vi na televisão a fazer mea culpa do que não fez, achei piada, e todas as palavras que soaram no ecrã me pareceram anedóticas. A mentiras. Muitos disseram que eu era demasiado desconfiada e que deviamos duvidar até prova do contrário. Mas nós, mulheres, temos uma coisa denominada de sexto sentido, e o meu, está cada vez mais apurado! Falo do Dias Loureiro, embuste à partida para mim por ter feito parte do Governo do Cavaco Silva há demasiados anos atrás. Hoje, vejo uma notícia no jornal que me fez sorrir porque mais uma vez... eu tinha razão!

"Entrou na política a ganhar quarenta contos e só lucrou quando saiu. Ficou rico com a valorização do grupo de José Roquette e declarou rendimentos superiores a Belmiro de Azevedo. Gosta de poker e diverte-se a ganhar dinheiro. (...) A vitória eleitoral de António Guterres em 1995, e a consequente queda dos anjos do cavaquismo deixou Dias Loureiro sem dinheiro nenhum. Seis anos mais tarde declarou em sede do IRS renumerações mais elevadas do que Belmiro de Azevedo, ou seja, quase 200 mil contos gerados pelos negócios e pela sua actividade como advogado. É preciso também dizer que o empresário nortenho costuma ser um líder habitual das tabelas "homem mais rico de Portugal".

(...) Quando saiu do governo, José Roquette convidou-o para integrar a Pleîade, avaliado na altura em cerca de 1 milhão e 700 mil contos. Dias Loureiro aceitou o repto. Ficou com uma "stock option" até 15 % da "holding" do grupo e mais 7 % na repartição dos lucros. As acções foram baratas e estavam muito longe da valorização conseguida nos anos seguintes com a liderança de Dias Loureiro. É nesta altura que começa a ganhar dinheiro através das amizades que estabelecera nos tempos de ministro. "Os contactos na política ajudaram, mas não tem nada de mal", reconheceu diante da jactância das primeiras contradições no seu processo de ligação ao BPN. O dinheiro chega-lhe dos investimentos na Bolsa de Valores e dos bem sucedidos negócios de Marrocos. Desloca-se por várias vezes ao país norte-africano em jactos particulares, onde continua a ser tratado como "monsieur, le ministre", e priva com o influente ministro do Interior marroquino - de quem ficara amigo e que goza de boa influência junto do rei Hassan II. Dias Loureiro consegue garantir uma concessão no fornecimento de água e electricidade a Rabat e prepara-se para o seu primeiro milhão. A Águas de Portugal recusa a parceria, a EDP aceita e Dias Loureiro envolve a empresa espanhola Dragados. O negócio da Redal - empresa que assume a liderança - exige um forte investimento, mas irá revelar-se muito lucrativo na hora da venda já na órbita do grupo SLN/BPN.

Em 2000, José Roquette confessa a Dias Loureiro estar "cansado" e disponibiliza-se para vender o grupo. O negócio é apresentado a José Oliveira e Costa, e o antigo secretário de Estado do PSD propõe-se comprar tudo por 11 milhões de contos. Dias Loureiro recebe 1 milhão e 650 mil contos. Está ganho o primeiro milhão. Investe idêntica quantia em acções da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) e torna-se administrador executivo do grupo detentor do BPN e de várias empresas herdadas da Pleîade. O lustroso negócio de Marrocos acaba por sair do grupo SLN/BPN por pressão de alguns accionistas preocupados com a instabilidade política provocada pela sucessão de Hassan II. Dias Loureiro usufrui generosamente dos lucros da venda a um grupo francês.

Este é o homem que em 1981 ganhava menos de cinquenta contos por mês como Governador Civil de Coimbra, e que duas décadas mais tarde declarou rendimentos a rondar os 200 mil contos. Um homem a quem se atribui com facilidade qualidades de inteligência, influência e de gestão de informação."

in Jornal de Notícias

Qualquer um de nós gostaria de ascender desta forma na vida em termos financeiros, mas nem todos nós temos a sorte ou o azar de cair nas malhas da política, com tudo o que ela significa. Tráfico de interesses, demasiados conhecidos e amigalhaços que nada perdem com parcerias e compras disto e daquilo. Assim se explica esta ascensão monetária,igual ou em muito semelhante à história de outros tantos políticos espalhados por este Portugal.

Ontem li um artigo de opinião no Diário de Notícias, onde se fazia uma crítica aos jornalistas do actual que andam muito amigos de todas as classes, sem investigar algumas histórias demasiado óbvias para serem descartadas. Assino por baixo. Já não quero saber das últimas declarações deste ou daquele, sobretudo quando eles dizem aquilo de que nós estamos à espera (ou ainda alguém se vai surpreender com as palavras de Cristiano Ronaldo ao ganhar a Bola de Ouro?), quero investigação útil ou inútil ao pessoal que acha que andamos todos a dormir. Será pedir muito?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Que dia é hoje?

Depois de muito procurar pelos jornais de hoje, e semanários de ontem, fiquei na dúvida, por não surgir nada que o referenciasse:

Afinal o que se comemora no dia 1 de Dezembro?