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Opinar pelo papel

Sempre gostei de eleições, antes e depois dos 18. Pela ansiedade dos resultados, o frenesim das televisões e das rádios e dos jornais, e das opiniões adversas que existem na família. Pelo menos lá em casa cada um tem a sua consciência, e ninguém vota na mesma cor política, o que origina sempre engraçadas discussões. Mas se calhar o meu pai não nos soube educar bem, ensinou-nos a pensar, mas sobretudo a gozar do direito de apresentar o cartão de eleitor e votar. Sempre! Até mesmo um ano em que estava com uma valente gripe, febre, e dores incríveis de garganta me arrastei para as urnas e votei. E nem sempre votei num partido. Já escrevi um nome. Já desenhei um boneco. E ainda estou na casa dos 20 anos! A criatividade ainda deve dar para muito mais.

Mas, e esta é a minha mais sincera opinião, tendo cada uma a sua ainda, acho inacreditável e até vergonhoso para mim portuguesa, que quase metade da população não se tenha dado ao trabalho de ir ás urnas. Nem que fosse só para dobrar o papel em quatro. Porque a abstenção apenas significa que nos estamos a borrifar para a política, para o nosso poder de eleger quem acreditamos. E se nos estamos a borrifar para esse direito, o melhor será tirá-lo. Não vale a pena gastar milhares de euros em campanhas e dias eleitorais se depois o cidadão não dá valor a isso. Só aumenta o défice! As gargantas dos candidatos ficam roucas, o cansaço avoluma-se neles mesmos e tanta outra coisa acontece, sem necessidade. Por mais que consiga pensar na razão de tudo isto não entendo. Não há explicação para tamanha insignificância de uma coisa tão importante. Devem haver mais portugueses a ver jogos de futebol do que a ir votar, e isto tem de significar alguma coisa de muito grave.

Já não sei o que dizer mais. Nunca vivi numa ditadura, sempre me foi dada liberdade para pensar e dizer o que pensava, e não me imagino a viver sem isso. Até no trabalho, às vezes, falo demais e prejudico-me por isso, mas talvez faça parte da minha natureza, ou o meu pai fez um trabalho bem feito quando me educou segundo a regra da liberdade e da justiça, e do trabalho e das recompensas pelo que é feito. Talvez tenha sido assim porque ele viveu na época em que não podia falar aquilo que pensava, porque estava num quartel quando estoirou a revolução, porque fica emocionado sempre que ouve a Grândola. Porque é muito importante, talvez mais importante do que o défice ou o desemprego ou outras coisas, a liberdade que nos foi concedida por meia dúzia de companheiros. Homens que lutaram por aquilo que estamos a desperdiçar. Em memória de alguns deles, não podemos deixar cair este valor tão importante. Não podemos simplesmente!

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