domingo, 1 de outubro de 2006

Em crise


A situação do Jornal diário português, Público, está em crise e a cada dia que passa parece que esta aumenta de dimensão sem cessar e sem uma solução à vista! Pelo que me parece não será apenas o Público a entrar em crise nos próximos tempos mas outros jornais e revistas portugueses que lhe seguirão as pisadas. Porquê? Porque as quebras nas vendas não param de aumentar, apenas com algumas excepções "estranhas", e porque nada se faz para inverter este problema! As justificações podem ser muitas mas não trazem em si nenhuma solução viável para travar este cenário, que também é uma realidade noutros países da Europa. Para compreender esta situação a leitura disto ajudará!

Falando no caso português, o Público já há algum tempo que vem a aludir a uma reestruturação do jornal e do grafismo que seria feito por um conceituado profissional, tudo para tentar derrubar as quebras nas vendas que se fazem sentir de há alguns (muitos) meses para cá. Esta reformulação foi denominada "Projecto Leonardo" e consiste numa estruturação do jornal como se de uma folha em branco se tratasse. Até o "dinossauro", José Manuel Fernandes declarou que se iria demitir do cargo de director para dar lugar a alguém com sangue novo e espírito descansado para travar esta guerra de vendas. Mas até agora nada disso sucedeu! Também se pensou na fusão das redacções das edições electrónicas e de papel, com muitas outras ideias que foram sendo publicadas nos outros meios de comunicação social.

Com a descida nas vendas do Público, quem ficou a ganhar foi o Diário de Notícias que com uma nova cara desde Janeiro deste ano tem subido as expectativas mais baixas que se esperavam em relação a ele. Mas também o Diário de Notícias esteve à beira da crise no final do ano passado e início deste ano, no entanto foi, pelo menos aparentemente, ultrapassada com a reformulação do jornal, com novas matérias, com uma nova revista e uma tentativa de reedição de um conceito surgido há muitas décadas atrás. Não se fez grande alarido, não se colocou os profissionais em situações angustiantes de ansiedade e receio do futuro, e assim o jornal rejuvencesceu, procurou o seu caminho calmamente e sem bradar aos céus o que se estava a passar no seu seio, fossem lá os problemas que fossem! E é isso que o Público necessita, e que já devia ter feito desde o início deste processo. Ao anunciar uma reformulação no ínicio do Verão, ao voltar a anunciar (re-anunciando assim sendo!) essa reformulação em Setembro, coloca a situação do diário na arena pública, sem necessidade nenhuma, e sem levar qualquer vantagem aos profissionais que diariamente trabalham naquele jornal do grupo Sonaecom.

O problema do Público neste momento é que a reestruturação e redefinição de novos princípios e objectivos não estão suficientemente delimitados para que os que lá trabalham possam agir com profissionalismo. A incerteza do amanhã, a publicação quase todas as semanas de notícias novas relacionadas com o futuro do jornal fazem com que a vontade do rejuvenescimento tenha desaparecido nos últimos tempos. A última das notícias dita que o Público vai reduzir os salários para tentar prevenir alguns despedimentos, sem contar com os 26 profissionais que já foram convidados a sair. "Provavelmente, vamos propor a todos os trabalhadores da empresa que abdiquem de algumas das suas condições actuais para baixar custos sem ter de aumentar o número de pessoas de que teríamos de prescindir”, dita o director do jornal, José Manuel Fernandes. Com uma situação tão grave como esta, misturada com toda esta incerteza é natural que o jornal não melhore enquanto não houver confiança e estabilidade quanto ao seu futuro.

No entanto, e apesar de não ser o meu jornal de eleição, estou a torcer para que o Público saiba reagir de forma positiva a esta crise e que em 2007 surja um novo jornal, diferente, mais dirigido aos seus leitores e àquilo que eles pedem que ele seja! E que entre na luta pelo maior número de vendas de jornais no nosso país, porque isso é extremamente estimulante para os outros jornais diários portugueses. A ver vamos o que os próximos episódios denunciam do futuro deste diário...!

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