quarta-feira, 9 de setembro de 2015

a minha vida é o título de um jornal


Pensamos no significado da palavra felicidade. Limpamos as arestas e atestamos que é difícil chegar a esse patamar juntamente com outra pessoa, completamente diferente de nós. Mas acreditamos ser possível apesar de nos surgirem muitas escadas ainda por subir, muitas arestas por limpar e picos por limar. Pensamos no resto que nos rodeia, o mundo à nossa volta, as pessoas e os seus problemas que acabam por nos abalar da mesma forma. Questionamos se será possível, algum dia, sermos verdadeiramente felizes com aquela pessoa. Por vezes não é uma questão de querer, simplesmente não dá, os pontos não ligam, as estrelas não estão alinhadas para isso porque, simplesmente, têm outras propostas de futuro para nós.

E depois de já nos termos comprometido com essa pessoa. De querermos construir algo ao lado dela, de nos termos esforçado ao ponto de termos vivido fingindo não sermos nós, concluímos que não há ali um alinhamento possível, de que o futuro será pautado de discussões, descarrilamentos, opiniões divergentes. Um futuro a dois limitado pela vida dos que estão no exterior a contaminar aquilo onde ninguém se deve meter, no meio do amor entre duas pessoas. Não é uma chatice surreal, é real e bem real, a justificação de muitos divórcios e separações porque há os outros que metem o bedelho onde não devem e estragam por completo a pintura. Porque não sabem o significado da palavra amizade: um amigo quer sempre ver o outro feliz! Ou então até sabem o significado da palavra amizade mas simplesmente acham que o amigo será bem mais feliz sem aquela pessoa. E aquela que não é bem-vinda, o que pode fazer? Lutar contra as ideologias do amigo do amor da sua vida? Não! Porque os amigos dele são dele e são sagrados, não devem ser questionados nem afastados. Isso seria ser uma má pessoa, não gostar do outro porque ele ficará infeliz se não tiver os amigos perto dele.

O que fazer? Ou deixar de ser o que somos e deixar os amigos “brincar” com a nossa vida. Ou estarmos constantemente em discussão devido a algo que um amigo fez e que o nosso outro-eu não lhe quer chamar a atenção porque é amigo (se não fala agora nunca irá falar por uma outra situação… e o problema agrava-se ainda mais porque já existiram semelhantes problemas com a pessoa em questão e nunca lhe foi dito nada). Ou resta a solução final, a derradeira, aquela que só devemos tomar por último. No entretanto sobra a infelicidade, adiados os planos futuros, o nascimento de um futuro é remetido para o lado porque não há condições de um futuro onde todos têm a possibilidade, e muitas vezes, o dever de “meter o bedelho”. Apesar de a decisão de “meter o bedelho”ser minha e dele, dos dois, mas se um deixa, o outro não pode fazer nada e torna-se um hábito para todos. E a vida deixa de ser dos dois e passa a ser da sociedade, dos amigos, familiares, conhecidos, não-amigos, colegas de trabalho, e outros. Todos opinam menos os que devem opinar. É a liberdade. Quem me mandou defender esta malvada? Agora estou a apanhar os frutos.

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