quarta-feira, 8 de julho de 2015

Os nossos educadores. Impostos ou os melhores?


Acho piada, já há algum tempo ou talvez desde que comecei a pensar no assunto que, determinados portugueses ora porque são amigos deste ou daquele ou porque têm paleio suficiente para o fingirem ser, que ganham a vida a escrever/ter ... blogs! É inacreditável, ou então é a minha inveja pessoal a falar por si própria, se bem que nunca imaginei que ela tivesse uma voz audível.

E, acordamos, ligamos o computador e muitas das coisas que a generalidade das pessoas leem ou ouvem na televisão surgem de mortais que não têm muito mais cultura do que um cidadão normal ou experiência mas que tem pinta, é bonito ou agradável nas palavras que canaliza para quem ouve os seus pensamentos. E penso na minha ingenuidade: serão estes agora os novos educadores do mundo e do que o rodeia? Falam como se soubessem a próxima chave do Euromilhões!

Não quero ser inebriada perante o que oiço. Julgada por ter pensamentos diferentes ou sequer criticada, sem justa causa, por ser diferente. Estou cansada de todas estas coisas. A última das vezes que o senti mais profundamente, qual faca espetada bem funda em qualquer parte do corpo, foi na primeira reunião de condomínio no prédio onde já posso dizer que tenho algo um pouco meu: senti-me além de estupidificada, completamente ignorada porque pensava de forma diferente e não parecia ser ninguém para ter estes pensamentos. Nem sequer era ouvida, quanto mais percebida? Ora, depois de respirar fundo umas 50 vezes de seguida - é nestes momentos que gostava de conseguir fazer o ohm-ohm do yoga sem adormecer 5 segundos depois - fingi acenar com a cabeça e logo pensar no que tinha para fazer no dia seguinte.

A verdade é que trabalho. Estou a escrever isto na minha hora de almoço, que entre ler as novidades e escrever e tratar de coisas pessoais, emagrece meia hora. Não tenho filhos - apesar do desejo ser igual à vontade, a maior do mundo - ou se já os tivesse talvez nem houvesse tempo para ler as últimas novidades mas tenho felizmente um emprego que não sendo o melhor do mundo me permite ser independente, mesmo não fazendo o que mais gosto mas permitindo-me pagar as minhas despesas. E depois de tanto esforço laboral, psicológico e de acarretar as escolhas que a vida dá a cada um, olho para o lado e vejo uma mulher mais velha cerca de 5 anos, sem quase nunca ter um emprego estável porque foi mãe solteira de dois miúdos (como se isso fosse uma doença incapacitante...atenção que ela justifica o facto de nunca ter trabalhado por ter de cuidar dos seus filhos porque infelizmente para muitos empreendedores deste país ter filhos é uma doença mesmo!), que tem um blog que todos leem e aplaudem e dizem que é o melhor.

Esta é uma pessoa que nos fala da vida como se realmente tivesse custado viver: mãe solteira, pais dos filhos presentes (felizarda!), os pais a pagarem-lhe as contas (ela própria o admite), sem nunca ter um emprego estável e que mesmo assim nos dá ou finge dar lições de vida. Mas ela viveu? Ou melhor, viveu sim e até bem mais do que eu!! Mas o que é que ela sabe de ter dois empregos ou três para cuidar dos filhos ou pagar a casa, ou a comida? E a dor que sentem ao não acompanhar o crescimento dos filhos porque os 2 ou 3 trabalhos não lho permitem! Essas sim têm conhecimento para nos falar da vida, dar conselhos mas talvez não tenham tempo para o fazer, ou não conheçam as pessoas certas e, por isso mesmo, não têm tempo de antena nos meios de comunicação. E será que têm dinheiro para ter um computador só para elas... e já agora daqueles mais chiques e caros, da Apple, sim?

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