quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Implosão social. Onde?

Mesmo vindo de um jornal que não tenho por hábito consultar, é uma boa entrevista. Pela forma como foi conduzida e por aquilo que nos revela. Vale a pena ler e reler, e admito imprimir e guardar, para mais tarde recordar as previsões. Não muito tarde, espero.

"Uma implosão partidária é uma questão de tempo"

Transcrevo o que encarei como sendo o mais importante:

"reconhecendo que há uma grande necessidade de se fazerem reformas neste País, grandes reformas que este Governo está a fazer, muitas ao mesmo tempo, com muitas dificuldades, muitas reacções e eventualmente com erros, os sacrifícios só serão compreendidos desde que sejam feitos para toda a gente, da mesma maneira."

"Há um grupo, uma elite dominante que controla a componente político-partidária e económica que vive noutro País e com rendimentos, benefícios e mordomias que não têm nada a ver com a grande maioria da população."

"Pode dar origem a movimentos. Eu escrevi explosão social, mas pode dar origem também a um desinteresse, a um desacreditar e a uma tentativa de enganar o Estado de qualquer maneira. Mas em vez da tal explosão social, o que pode acontecer é uma implosão social. É toda a estrutura social que se vai abaixo por falta de credibilidade e por as pessoas não acreditarem em quem nos chefia."

"como é que é possível aparecerem agora tantos hospitais privados. Onde é que há médicos, onde é que há doentes para tantos hospitais privados. (...) Vão abrir seis hospitais privados no Porto. Como é que é possível? São negócios que estão claramente feitos e há uma relação público-privada nisto."

"Eu julgo que se houver mais pressão da opinião pública e mais movimentos de cidadãos acaba por ter de se reformar. E tem de ser dentro do quadro das instituições que as reformas se fazem. Não vejo outra maneira. Tem de ser dentro do Estado de direito. Eu sou profundamente institucional. Tudo isto deve ser feito pelos responsáveis políticos. "

"As grandes áreas de concentração urbana vão ser os sítios, os locais, das novas guerras. As novas guerras, as novas explosões sociais ou os novos conflitos vão acontecer e já acontecem exactamente nas áreas metropolitanas. Acontecem em Buenos Aires, acontecem em Caracas, acontecem em Bangkok, acontecem em Kinshasa, acontecem em Paris. Isto não tem relação com geografia, com regime político e com a cultura. Só tem uma coisa em comum que é a concentração de pessoas e a dificuldade de inclusão de grupos que vêm de fora. Quer de imigrantes nacionais, quer estrangeiros."

Uma faca de dois gumes. Andamos todos revoltados com isto ou aquilo, mas a precariedade da nossa vidinha impede-nos de entrarmos numa manifestação, de expressar o nosso desagrado. E consequentemente, nada muda enquanto não houver coragem para colocarmos em causa o que temos, numa luta por algo bem melhor.

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