quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Ode II

Ontem ouvi e re-ouvi histórias de amores impossíveis e difíceis de concretizar. Amores imperecíveis e inesquecíveis, e lembrei-me de ti. Ao ouvir tudo o que o B. fazia, imaginei como teria sido bom teres-me feito o mesmo. De forma a que pudesse sentir o mesmo, imaginar o mesmo, tentar o impossível mas ter a certeza de que tudo tinha feito para te ter junto a mim. Bem pertinho, bem aconchegadinho, ter o teu ombro sempre ao alcance da minha cabeça. Ter a boca sempre ao alcance do meu desejo.

E se sai daí, e se fugi, de certa forma, sem olhar para trás foi por tua causa. Disso não tenho a certeza apesar de nunca o ter confessado a ninguém. Nem nunca ninguém o ter imaginado. Fugi duma realidade não desejada, de uma visão demasiado forte para voltar a ser vivida e sentida. O ter-te visto uma, apenas uma e única vez, com outra pessoa fez-me pensar em como essa tua liberdade tanto magoa. E liberdade é a minha palavra, sentimento e posse mais querida!

A imagem nunca me vai sair da cabeça, até mesmo a reacção de uma amiga (talvez a única que entenda um pouco deste sentimento) me ter acenado para não ir, para não andar mais e eu sem conseguir entender porquê e fui. E fui e vi, e fixei para nunca mais esquecer. A outra, comprovado pela tal amiga, era tão parecida comigo que a dor conseguiu ser ainda maior! E ainda hoje, a escrever estas linhas, estou lá, a ver a mágoa maior, a conseguir ultrapassar o problema com um sorriso, a procurar o ombro de um amigo para chorar sem que ele se apercebesse. Como se fosse hoje! O mais incrível é ainda me lembrar da roupa que tinhas vestido, do facto dela estar totalmente vestida de bege, de quando paraste de a beijar e me viste e conseguiste ficar mais envergonhado que eu. E de como me ignoraste e fingiste que não me viste depois. Imagino que hoje já seja outra e não se vista diariamente de bege! E imaginar que isso pode de facto acontecer faz-me desejar que essa liberdade não te fosse permitida! Como se pudesse fazer isso a alguém…

Nunca pensei que ainda pudesse sentir isto depois de tanto ter passado. De ter deitado tanta felicidade pela borda fora, e foi mesmo muita. Ainda hoje me lembro de, depois de ter criticado um ex-namorado, alguém me responder com a maior frieza possível, “nunca percebeste que ele gostava mesmo de ti pois não?” E deitei-o fora! E não o consegui suportar depois de, muito tempo sem te encontrar, um dado dia te ter visto e ter-lhe dito com a maior das naturalidades quem tu eras. E agiu normalmente! E lembro-me do quanto bebi nessa noite para ter coragem para o beijar e tentar que o teu reencontro não fosse demasiado forte para estragar o que tinha. Mas conseguiste estragar tudo! A tua memória, o reencontro, a lembrança de tudo, o renascer de um amor ignorado conseguiu destruir um amor que poderia ter dado certo. E hoje em dia ele nem me quer ver! Compreendo… eu faria o mesmo na situação dele.

E agora, aqui, neste quarto sozinha e olhando para ao lado à espera de ti sinto-me fraca. Por nunca te ter tentado explicar o quanto eras importante, por ter considerado que nunca ia resultar mesmo sem ter tentando. O não ter feito o impossível para ter estado contigo quando não era assim tão fácil, por não ter ido quando deste pela minha falta apesar da enorme quantidade de pessoas presentes.


E dói, dói mesmo muito pensar que nunca mais vou poder olhar para ti e sorrir ao ver-te olhar e sorrir, de amor! Simples amor! Porque ele existiu e isso ninguém mo pode tirar! A recordação desse amor, daquele encontro que ambos recordamos (e não vale a pena negar!), do amigo sempre especial que nos aproximou, do edifício que nos albergou, do filme da nossa vida, dos concertos ( e só eu sei porque uma banda é tão especial, não só pela música), do dia fatídico em que cheguei a casa ao início da tarde e não conseguir parar de verter lágrimas até que chegasse a noite.

De volta a Coimbra sei onde te encontrar. Mas não quero… ia tudo voltar ao que era. Ias conseguir estragar-me a vida, a noite, a esperança, o futuro. A mente! Porque não consigo apagar todas as memórias da minha mente… apagar-te a ti. Conseguir fazer o mesmo em relação a todos os locais que partilhamos, todas as datas que são apenas nossas. Acho que sou demasiado fraca para conseguir seguir com a vida depois de tudo, conseguir respirar livremente, viver um dia sem me lembrar de ti, sem sair de casa à espera de te ver na rua, a passar de carro. Sem olhar para a estrada à espera de um apito, um olhar, um berro, um aceno, qualquer coisa que me levasse a ti...

E um amigo em comum sempre que fala comigo comenta que te viu, em tal sitio, em tal data e que falaram de tal coisa, e fala repetidamente dos teus erros e defeitos. E rio-me e apenas digo: “Ele é mesmo assim”.. e aponto mais uns quantos, e depois penso, “consigo odiar todas as pessoas com esse feitio menos este idiota…”! E a minha mente fica vazia. E não entendo porque razão ele me fala sempre sem eu perguntar por ti. Porquê reavivar?

E já não sei o que mais dizer. Há dias parece que vou explodir de tanto para contar, tanto para desabafar como se alguém pudesse imaginar e entender o que sinto. Ainda hoje… como se fosse algo racional, ao contrário de tudo o resto na minha vida. Estou cansada, realmente saturada deste sentimento e quero ter novas perspectivas, conseguir amar novamente sem medo nem erros. Conseguir falar do que sinto sem me sentir culpada, triste ou envergonhada… como se o amor tivesse algum tipo de constrangimento.

O engraçado é que no primeiro dia em Lisboa ouvi uma historia tristíssima de amor. Ouvi, dei conselhos e insisti para que a pessoa reconstruísse a sua vida. E a minha, onde fica?

P.S.: Ou não fosse eu ou ninguém saberia a quem isto é dedicado…

P.S.1: E são três da manhã e eu gostaria de dormir!!

P.S.2: Se o meu avô fosse vivo tenho a certeza de que daria um par de estalos e o conselho acertado! Mas infelizmente ele conseguiu morrer três meses antes de te conhecer…

Sem comentários: