quinta-feira, 22 de março de 2007

Razões ambientais para não construir na Ota

A construção de um aeroporto na OTA tem sido assunto diário em todos os telejornais e jornais de Portugal. Os políticos debatem-se pela melhor solução, sempre com a teimosia do nosso primeiro-ministro à cabeça, e com os partidos da oposição a contradizê-lo, como é habitual! A bancada da direita com maior assento parlamentar não deveria criticar tanto a investida de José Sócrates, porque já no tempo de Durão Barroso e Santana Lopes se falava neste projecto. A ideia na altura seria um novo aeroporto para desenvolver o país, e a Ota, por razões não avaliáveis, surgia como a melhor opção. Comunistas, bloquistas e verdes recusam terminantemente esta construção e apresentam novos locais, posteriormente sempre negados por quem tem poder para o fazer! Os populares também devem ter a mesma posição de oposição ao partido no poder, mas têm andado demasiado ocupados em tentar travar lutar ferozes no seio da sua "família". Para que não haja mortes, feridos ou decapitados. A ver vamos!

A opinião pública ainda não entendeu o que está em causa, ou seja, quais as reais consequências e vantagens deste investimento. Vivemos todos num casulo, onde a informação que entra por diversos canais é sempre a mesma, incompleta e deixando muitas questões no ar, sem respostas. Surgem estudos parciais ou imparciais, como podemos nós saber?, mas nem se avança e/ou se recua. E aquilo que uns comentam num primeiro estudo, irão negá-lo num segundo, de conclusões adversas. A hipótese de escolher outro sítio para este empreendimento parece nem sequer se colocar. A razão talvez seja simples, ou demasiado lógica num país como Portugal.

Através de uma reportagem e investigação feita por um jornalista da Rádio Renascença, descobri "pormenores" (enormes!, e que fazem toda a diferença), mas continuo sem respostas para as minhas dúvidas. Começo a achar que nunca as vou ter, ou vou ter de esperar uns anitos para as obter (a ferro e fogo?). Obviamente já todos percebemos ou, pelo menos, a maioria, na quantidade de dinheiro e interesses que a construção deste novo aeroporto mexe. O que este jornalista descobriu é que este novo empreendimento mexe com coisas bem mais importantes, pelo menos para mim. O nosso património da natureza, aquele que nos permite viver melhor... aquele que nos ajuda ou permite a viver. Estarei certa?!

Estes são pontos que nunca são falados na comunicação social pelos políticos ou mesmo pelos jornalistas, não por não serem importantes, mas por não significarem dinheiro. Ora, vejamos o que o jornalista da RR descobriu, e depois podemos tirar as nossas próprias conclusões. Os números e factos são assustadores e por isso merecem a nossa máxima atenção:

1. Desafectados 517 hectares da Reserva Ecológica Nacional;

2. Expropriados 1.300 hectares de terreno;

3. Destruído coberto vegetal;

4. Abatidos cerca de 5.000 sobreiros;

5. Movimentados, pelos menos, 80 milhões de metros cúbicos de terra;

6. Desvio da Ribeira de Alvarinho, com uma bacia de mil hectares a montante do aeroporto;

7. Destruição do Paul da Ota, local de abrigo de várias espécies;

8. Impermeabilização de uma enorme zona húmida que regularmente alaga durante o Inverno;

Bastaria uma destas razões para fazer um Primeiro-Ministro tão preocupado com o ambiente mudar de ideias. Acredito na sua racionalidade, sr. primeiro-ministro! Adie o projecto o tempo necessário e possível... prefiro não ter um novo aeroporto nos próximos vinte anos, do que ter um Paul destruído...! Pelo menos...

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