sexta-feira, 23 de março de 2007

Qual a importancia de ser licenciado?!

O assunto não é novo mas pela blogsofera não se fala de outra coisa: as verdadeiras habilitações de José Sócrates. Já há uns tempos, surgiu o boato de que Sócrates não seria realmente engenheiro, como ele proclamava. Boatos têm sempre uma ponta de verdade, foi o que pensei na altura, mas achei o assunto demasiado irrelevante para lhe ser dada importância. Continuo a pensar da mesma forma, e ontem e hoje ao olhar para as notícias "reais" e para este assunto, continuei sem entender o problema da veracidade da existência ou não da licenciatura. Será de mim?

A "bomba" explodiu ontem com a publicação no Público de uma investigação que levantava algumas dúvidas sobre uns documentos. Pode ler-se aqui, juntamente com uma nota da direcção. Existem coisas estranhas de facto, mas vindo de uma secretaria de uma universidade não me surpreende. Sei de histórias de secretarias em Coimbra, que chegaram a trocar notas, e num dos casos os nomes nem sequer eram parecidos. Se o visado não se apercebe pode ter uma nota na pauta e outra na sua ficha... não é assim tão dificil! Claro que, numa época em que a Universidade Independente está na praça pública por casos de corrupção, o caso ganha contornos diferentes.

No meio de questões que não vi respondidas ontem, hoje descobri esta notícia no Diário de Notícias, que colmatou algumas das minhas dúvidas. A história surgiu, afinal, de um blog, Do Portugal Profundo, pela voz de um tal António Caldeira, que se dedica a investigar ou caluniar a vida de Sócrates. Fazendo uso do papel comunicativo do blog lançou dúvidas sobre a veracidade da licenciatura de Sócrates, desde o dia em que este foi eleito para primeiro-ministro. Pelos vistos, apenas agora alguém lhe deu ouvidos. Um tal de David Oliveira, que admite ter enviado um email ao director do Público, José Manuel Fernandes (relevante dizer que não é licenciado?), a contar das desconfianças e a desafiá-lo para uma investigação. A história foi investigada e publicada e António Caldeira é agora um herói, e o seu blog um dos mais visitados!

Um amigo de Caldeira disse ao DN, que António devia ir para a política porque tinha jeito. Um professor de uma universidade defende que há algo por detrás daquilo que António faz e escreve no blog. Lamento que não seja verdade, mas é o que parece com tudo isto que se tem dito!

Para mim não é relevante que José Sócrates seja engenheiro, engenheiro técnico, apenas técnico ou que esteja ou não inscrito na ordem dos Engenheiros. E não estou aqui para o defender, até por aquilo que escrevi no post anterior. Mas a verdade é que não vejo que uma licenciatura faça dele um melhor ou pior primeiro-ministro! Se o problema deriva da Universidade Independente, então também deveremos verificar e investigar as credenciais de outras personalidades, como: Armando Vara, José Alberto Carvalho, Catarina Furtado, Margarida Marante, Batista-Bastos. Este último não precisa de me provar sequer que tem a 4ª classe! Tudo no Correio da Manhã de hoje, aqui!

Quando já tivemos um doutorado em Economia como primeiro-ministro que nos deixou as contas públicas num estado deplorável, não vejo como podemos exigir uma licenciatura ou outro qualquer grau académico. Como se fizesse alguma diferença um político ser licenciado, mestrado ou doutorado, ou ter apenas a escolaridade mínima... nem a um político, e nem a outra pessoa qualquer!

Uma curiosidade que pode não estar relacionada, mas também pode. A verdade é que este assunto já anda na blogosfera e nos boatos de cafés há uns tempos, e não acredito que os jornais ainda não soubessem destas desconfianças. Mas foi o Público quem agarrou no tema, será que o email do David Oliveira teve mesmo efeito!?, e agora. Uns dias depois do falhanço da OPA da Sonae com a PT. E de quem é o Público!?... do Belmiro de Azevedo, ou mais actualmente do Paulo Azevedo. Curioso, não? Mas talvez seja simples coincidência...!

2 comentários:

Daniel Oliveira disse...

«Um tal de Daniel Oliveira, que admite ter enviado um email ao director do Público, José Manuel Fernandes (relevante dizer que não é licenciado?), a contar das desconfianças e a desafiá-lo para uma investigação.»

Onde é que eu admiti tal coisa? Não enviei mail nenhum. O senhor deve estar em delírio. A primeira vez que escrevi sobre o assunto foi no dia em que a notícia saiu no "Público". Só se está a falar de outro já que o chama primeiro de Daniel e depois de David. Já agora, acha relevante que eu (ou o David) não seja licenciado? Porquê?

Mooncry disse...

Peço desculpa pelo erro... de facto quem enviou o email não se chama Daniel mas sim, David Oliveira. Já está ratificado no post, como pode verificar!

Não acho relevante que alguém, sendo quem é ou exercendo as funções que exerce (exceptuando alguns casos, como é óbvio), seja licenciado! Não sei se o David Oliveira é licenciado, mas sei que o José Manuel Fernandes (era a ele que me referia), director do jornal Público não o é! A ideia era mesmo questionar: se é tão importante ter um primeiro-ministro licenciado, não será tb importante ter um director de jornal com uma licenciatura...!

Só mesmo num país como Portugal, há tanto orgulho em ter uma licenciatura ou outro grau académico. Devíamos ter mais orgulho nas nossas capacidades e naquilo que fazemos e não no grau académico que temos! Mas esta é apenas a opinião de uma licenciada, que continua sem emprego estável... não me serve de nada afinal!