Do reino das bicicletas para o gigante do século XXI

Há 15 anos, os poucos automóveis que existiam na China eram de grandes empresas ou do Estado. Em 2006, o país do Sol Nascente tornou-se no maior fabricante mundial de automóveis, com uma produção de 7,2 milhões de veículos, o que significa uma subida de 27% em igual período de 2005. Este crescimento é similar noutras áreas como a rede de viação, com 34 mil quilómetros de auto-estradas, nas telecomunicações, na construção civil e até mesmo no imobiliário.

A economia chinesa tem crescido cerca de 10% todos os anos, e pode ultrapassar o Japão dentro de uma dezena de anos, e até mesmo os Estados Unidos da América. Esta força é nos mostrada quando compramos um televisor, micro-ondas, sapatos, brinquedos, leitores de DVD e até roupa que como país de origem/fabricação têm a marca da China. Feito por operários que trabalham dez horas por dia, folgam dois dias por mês e ganham apenas 100 euros por mês.

Mas num país com 1.315 milhões de habitantes, o desenvolvimento não é igual para todos, sendo as zonas rurais as mais esquecidas e onde, por isso, tem havido mais conflitos devido à pobreza que aí se instalou. Com cerca de dois terços da população chinesa, ou seja 800 milhões, o rendimento anual não chega aos 350 euros. E em muitos casos, os pobres camponeses ainda têm de se submeter a caciques locais, que impõem e cobram taxas ilegais, deixando para trás uma onda de violência que não problemas em matar e/ou prender os que denunciam o seu despotismo ao governo central.

Por tudo isto e para promover a igualdade económica para todos, o governo comunista chinês está empenhado em "promover a equidade social". É uma meta que prometem vencer nos próximos anos, mesmo sendo a China um país comunista e não democrático. O Partido Comunista domina o país desde os anos 30 com Mao Tsé-tung, e os seus líderes são pensados 5, 10 ou 25 anos antes de subirem ao poder. Tudo é planeado ao pormenor, de uma forma racional como se a política apenas se tratasse de algo apenas administrativo.

Talvez por estas e outras razões, se as soubermos interpretar convenientemente, tenha sido tão importante a visita de José Sócrates à China: porque é um bom parceiro e poderá vir a ser ainda melhor no futuro, e porque pela sua evolução podemos tirar muitas conclusões. Para responder aos que defendem que os chineses podem acabar com a nossa indústria do calçado, vestuário, etc., a resposta é simples: Somos seres racionais como eles, temos vontade de trabalhar como eles (temos?), por isso não há razão nenhuma para não aprendermos qualquer coisinha com o estado da economia chinesa. Globalização? Sim, parece que existe... só há uma opção, adaptarmo-nos a ela! É isto que a generalidade dos portugueses ainda não entendeu!

Vale a pena ler isto!

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