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Reacções

Saddam Hussein foi enforcado às 06h00 locais (03h00 em Portugal) num local não identificado fora da Zona Verde, a área de alta segurança onde ficam as instalações do governo iraquiano e as sedes das embaixadas dos Estados Unidos e do Reino Unido. A execução decorreu três dias depois de o tribunal ter indeferido o recurso apresentado pela defesa contra a condenação por pena de morte. Condenação essa relativa à morte de 148 xiitas em Dujail, na década de 80. As reacções não demoraram a chegar:
  • O Conselho da Europa condenou a execução desta madrugada. Consideram Saddam um "ditador impiedoso, mas não era preciso matá-lo". E acrescenta: "Os iraquianos precisam de justiça, de reconciliação e de paz, não de enforcamentos e vinganças". Considerou esta como uma oportunidade perdida pelo Iraque para se juntar ao mundo civilizado, e apelam à retirada da pena de morte na legislação iraquiana;
  • O Vaticano considerou esta morte como "uma notícia trágica". "Existe o perigo de que isto alimente o desejo de vingança e traga novos episódios de vingança. A morte de uma pessoa é um motivo de tristeza, incluindo quando essa pessoa foi culpada por vários delitos. A Igreja Católica reitera a sua oposição à pena de morte em todas as circunstâncias". E concluiram: "Com a morte de um culpado não se abre caminho para reconstruir a Justiça e reconciliar a sociedade";
  • Romano Prodi, primeiro-ministro italiano manifestou-se preocupado por esta execução "poder agravar as tensões no Iraque;
  • O vice-ministro iraquiano dos Negócios Estrangeiros, Hamid Reza Assefi, considerou esta execução como "uma vitória para os iraquianos". O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki congratulou-se com esta morte mas apelou à reconciliação com os partidários do antigo regime: "Foi feita justiça em nome do povo iraquiano, com a execução do criminoso Saddam, o que torna impossível o regresso da ditadura do partido único;
  • Israel declarou que com este enforcamento "se fez justiça";
  • O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, reiterou o seu apoio ao Iraque mesmo depois da execução ter sido consumada;
  • Na Líbia foram decretados três dias de luto oficial pelo "prisioneiro de guerra Saddam Hussein";
  • O governo indiano mostrou-se indignado pelo acto e mostrou-se infeliz por ele. No dia 27 de Dezembro, o país tinha pedido uma comuta da pena de morte de Saddam, à qual se opunha por entender que o processo de justiça devia ser credível, por considerar que se não o fosse ia contra a paz e reconciliação iraquianas;
  • O ministério russo dos Negócios Estrangeiros lamenta a execução e afirma: "Infelizmente os numerosos apelos de representantes de diversos países e organizações internacionais para que as autoridades iraquianas revissem a pena capital não foram ouvidas";

E as mortes no Iraque continuam sem parar...!

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