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o vazio a preencher

Querido Pataco,

Desapareceste da minha vida, sendo um dos mais importantes amigos que tenho no meu parco círculo, num dos momentos mais felizes e bonitos que podia estar a viver. estou grávida como imagino que já saibas. é um momento bonito e especial para qualquer futuro pai ou mãe, avô (não irias reconhecê-lo, nem agora e nem no dia em que foste para outra paragem, o dia em que ele finalmente demonstrou o quanto gostava de ti!) e avó, tio e tia e até primos (a Sofia está radiante, e não pretende ficar-se apenas por ser tia... sonha em alguém lhe chamar "mainha" como ela fez comigo), e gostava tanto de o partilhar contigo. Foste quem mais me ouviu, me escutou, me amparou, por isso decidi que não pretendo fazer mais esta viagem sem ti porque não teria sentido fazê-lo, haveria sempre um espaço para ocupar.
Pensei em escrever num pedaço de papel as minhas deambulações mas dei por mim a pensar que podem um dia, amparar alguém, tal como muitos me tem amparado nos meus medos, confusões, dúvidas, e por aí fora.

Estou na 15.ª semana e já se desconfia do sexo do bebé mas prefiro ainda não o clamar aos sete ventos. Imagino que fosses ficar feliz por ser menino ou menina, e é nos momentos em que penso nisso que me lembro da tua elegância e cuidado com a Sofia há cerca de 8/9 anos quando ela teimava em querer passear o Pataco de trela junto à estrada. E o medo que tinha por algo errado acontecer, tu puxares muito a trela, ela pôr-se a correr contigo com a trela na mão junto àquela estrada onde passam carros desvairados. Mas tudo correu sempre bem, a tua paciência, a tua bondade e sorriso no olhar, o olhar para trás a ver se a miúda estava bem. Magia é a única palavra que me ocorre. Foram momentos que ficarão sempre cá por dentro, na minha memória e no meu coração.
E como queria ir agora passear-te por estes caminhos da Senhora da Hora. Junto ao mar. Ouvir o silêncio do mar contigo, absorver a energia do mar e da lua em conjunto. Contigo teria outro sabor e o que daí retiraria ainda seria mais poderoso.

Uma das coisas que mais me tem custado nestes últimos meses é estar com pessoas. Talvez porque uns amigos foram se afastando deixando de falar mesmo comigo, outros estão emigrados e apenas comunicamos através de processos eletrónicos e outros vivem longe de mim e que só consigo estar com eles em momentos escassos. A somar a isso as pessoas que tenho conhecido não valem grande coisa, aquilo que me fez apaixonar pelo Porto - pessoas verdadeiras e genuínas - não estou a encontrar por aqui. Outras há que surgem e simplesmente não tem nada muito em comum comigo e acabo por me afastar. A verdade é que me sinto deslocada e sozinha e talvez poir isso seja complicado interagir com pessoas, ir a locais públicos muito povoados. A auto-estima está baixa e pouco estável talvez derivado das hormonas. Sinto uma necessidade enorme de sorrir com vontade e com uma gargalhada estridente e tenho tantas razões para isso, de tão abençoada que fui e sou. Mas falta algo, sinto um vazio enorme e oco e não sei como o preencher. Sei que não estás aqui para me aconselhar pelo olhar, mas se to permitirem manda um sinal de como resolver isto, uma dica simples mas acessível à minha razão. Estou sempre contigo em pensamento por isso não te deverá ser difícil :)


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