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Posso pagar de outra forma?

Pode parecer que é dedicado a algum namorado ou amor perdido. Mas não é! Ou pelo menos um amor de desejo, mas sim um amor de amizade, de irmão para irmão, de alguém que nos conhece melhor que nós próprios. Quem já teve a sorte de encontrar alguém assim? Julgo que poucos. Poucos tiveram a sorte de sentir uma amizade sincera, em que, mesmo longe sabem que o amigo está ali ao lado, para o que der e vier. Mesmo que seja por uma simples tecnologia como o telemóvel.

Sentir uma felicidade imensa porque o outro conseguiu o que queria. Um orgulho naquilo que o outro vive, que conseguiu através do mérito intrínseco a ele próprio. Ainda não é fácil falar, mesmo depois de dois anos passados. Não consigo explicar de uma forma mais racional sobre uma pessoa que me abandonou, que já se esqueceu do que fomos. Não é fácil aceitar que tudo terminou, mesmo 600 dias passados, com as saudades a palpitar a cada dia que passa. Se pudesse pagar o que quer que fosse para ter o que já tive, e que por medo, nem tento ter com nenhuma outra pessoa. Porque cada vez mais, cada um vive a sua vida sem se preocupar com a alma ao lado. Tenho tantas saudades...só nós sabemos o que "tínhamos", e só eu sei que não tive e, provavelmente, nunca terei a mesma cumplicidade com outra pessoa.

Ás vezes dou comigo a pensar em tudo, em todos os momentos, em tudo aquilo que tive de abdicar por uma amizade e não me arrependo, como em quase tudo na vida. Mas se pudesse superar o passado, e se ele o fizesse também, voltaria a estar radiante. A saber que tinha um irmão que me adorava, confiava em mim, gostava de estar comigo, de todos os momentos míticos que vivemos sem nos apercebermos de que os estávamos a viver. Neste momento estou radiante porque sei que ele conseguiu ser aquilo que queria, seguir o seu sonho, e o seu futuro será radiante. Quem sabe se um dia não escreverei sobre um feito qualquer feito por ele? Tenho a certeza de que o fará, mas não sei se serei eu a transmiti-lo ao mundo! Mas triste de saudades, de não estar, não contar tanta coisa que não conto a mais ninguém. Sem ser por mal mas não consigo. Desculpem!

P.S.: Se um dia leres isto – vou estar sempre aqui, mesmo que só daqui a 30 anos queiras falar comigo. Pode ser que tenha sorte. Até lá ou não, sê o mais feliz que puderes!

Comentários

Ana disse…
Lindo, Lena... Nota-se que o que escreveste veio bem do mais profundo e sincero de ti.
Compreendo-te bem, infelizmente tenho uma história bem parecida...

Um beijinho*
Mooncry disse…
E não disse metade do que sinto porque nem sequer o consigo transmitir...sou mesmo assim, só havia mesmo uma pessoa que me conseguia arrancar a ferros alguns sentimentos. E foi-se... anda por aí, bem pertinho de ti..
Enfim, resta-nos as recordações que só vão desaparecer qdo tivermos Alzheimer ;)
Bjinhos

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