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Um aniversário

Tudo começou num qualquer restaurante chinês em Coimbra, como a tradição ditava, na companhia dos melhores amigos de sempre. Uns por umas coisas, outros por outras, outros melhores que outros, mas todos óptimos. Uns já demasiado longe, outros completamente desaparecidos da minha realidade actual.

Seguiu-se o sítio do costume, o Piano Negro, que tem mesmo um piano e as melhores sangrias do mundo. Que também já tem muitas histórias minhas para contar, umas melhores que outras. E que tem um dono hiper-super-simpático, sempre bem disposto e com ar de quem foi um verdadeiro hippie dos anos 60. Chegámos sóbrios mas saímos mais animados. A máquina não era das melhores e a luz idem, e as fotos não ficaram perfeitas mas conseguem transpor-me para o momento. Sobretudo para aquela cadeira ali atrás...

"Anda lá, bebe que ainda estás muito sóbrio!" Há quem fosse teimoso e não quisesse beber, e eu como anfitriã mais velha tive de levar o copo à boca de quem a consciência estava mais pesada do que a mão. Já repararam na quantidade de pulseiras? A juventude é mesmo uma coisa estranha, ou se calhar, é o maior momento de liberdade em que podemos mostrar aquilo que realmente somos e gostamos de ser. O acarinhado por todos, Rookie, lá acabou por beber...

Já devia ter bebido uns copitos da bela da sangria, mas aqui aparece o segundo pormenor interessante. A mesa atrás de mim, e que momentos depois foi ocupada. E foi isso que tornou a noite tão especial e mais do que memóravel. De todos os momentos bons que passei naquele recanto, todos os momentos que ali começaram com algum/muito álcool este foi sem dúvida o melhor.

Ainda não sabia se o destino me daria a prenda pela qual esperei a noite inteira, e por isso, estava esperançada que sim. E sorria, por entre a sangria e os amigos que falavam de qualquer coisa menos importante do que aquilo que ali iria aparecer.

E porque não mais um V de vitória quando ainda não sabemos se ganhamos? A mesa continua lá atrás. Dali a uns momentos, eu estava encostada à parede, com os olhos brilhantes, o coração saciado e o sorriso mais sincero do mundo. Será possível pedir para voltar só por dois minutos para poder reviver tudo novamente?

E já divagava bem como mostra a cara da Mafalda que devia estar a pensar: "E eu é que fiquei de a levar a casa!"

E no final, depois de tudo o que aconteceu nesta noite, restou isto. E memórias, muitas memórias. Este ano foi o primeiro em que não comemorei o aniversário, não fui jantar a um restaurante qualquer chinês, não fui parar ao Piano Negro no final da noite, não estive com os meus amigos. Não porque deixei de gostar deles mas porque estaria a faltar a minha base. E já não falo da mesma pessoa especial que apareceu nesta noite, mas noutra, que conseguiu tirar-me o chão. Sem pedir licença. Apenas tirou. Deixou-me sozinha com a quantidade de coisinhas que tenho para contar a quem confio de verdade. E as saudades não tendem a diminuir. Mas também sei com aquilo que posso contar, e não será com certeza com aquilo que desejo.

Apenas um desabafo num dia em que por via das circunstâncias de ser mulher, me lembrei de quem gosto e tive saudades. Muitas. Sobretudo de quem sabia o que se passava na minha cabeça mesmo antes de eu o dizer. Será que algum dia vou encontrar alguém igual?

No fim-de-semana passado estava num café com uma amiga, e reparamos numa mesa com duas raparigas e um rapaz. O rapaz e uma das raparigas já me eram conhecidos por antigos amigos em comum,e sabia de antemão que eram namorados. Mas o que me fez empalidecer foi que a outra, de repente, foi abraçada pelo rapaz com imensa força, e ficaram assim durante algum tempo. E quando se afastaram, olhei para ele e desejei com todas as minhas forças que também ele me abraçasse naquele momento porque pelo gesto que fez, provocou-me uma fraqueza tal que tive uma tamanha necessidade de ser abraçada por alguém amigo, em quem confiamos. Que gosta de nós e fica feliz com as nossas alegrias e triste com as tristezas. Que nos acompanha na nossa vida, e não apenas durante dez anos, mas para sempre.

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