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A luta continua!

Homens com bigode nunca foram a minha paixão. Apenas houve um de quem gostei demasiado, porque todos os outros me causam alguns sentimentos menos nobres. Mas o Nogueira da Educação é o homem de bigode, que de longe, me faz sentir mais sentimentos de raiva e vontade de dar uns abanões. Lamento a sinceridade mas ele não é assim tão importante, e não diz assim tantas coisas inteligentes para aparecer tantas vezes no jornal, rádio e televisão. Que tudo isto é o caminho para ser o próximo Jerónimo já eu desconfio à muito, mas já não há paciência para o aturar. Até porque o tenho de aturar nos variados media, e por vezes a passear pelos passeios junto da casa dos meus pais. É azar a mais e já não tenho paciência!

Ora é porque os professores são uns coitadinhos e não devem ser avaliados, ora é porque os ministros são todos uns mentirolas e uns pulhas, ora é por mais umas quinhentas mil incongruências que saem daquela boca com bigode. As greves sucedem-se tal como as críticas, e soluções viáveis nem cheirá-las. E isto é que acho imensa piada. Ele é nitidamente o tipo que gosta de acender fogueiras, e ateá-las a cada pedaço de lenha que para lá atira. Ou acham que esta "luta" dos professores alguma vez irá terminar? Se não fosse a avaliação era outra coisa qualquer, como o não aumento dos seus parcos salários (um dos mais elevados da Europa mas parco mesmo assim), a falta de segurança nas escolas (e aí eles podem ter alguma razão mas já na minha altura haviam alunos que levavam facas para a escola... e já lá vão mais de dez anos!), a falta de aquecimento nas salas ou a falta de condições do ensino. Se quisermos podemo-nos queixar de tanta coisa, mas a verdade é que não me recordo do ano em que os professores não se manifestaram por alguma coisa... coitados! Tristes pobres coitados de funcionários públicos!!

Depois de tantas manifestações e ausência de aulas derivado da greve de quem as devia dar, os pais dos alunos, também resolveram manifestar-se. E aqui sim, aplaudo mil vezes. Até que enfim os oiço a rogar ao meu mui querido Presidente da República para que ele faça alguma coisa (ainda nem se deve ter apercebido do que se passa...). Os pais dos alunos, os mais prejudicados nesta história toda mas que ninguém refere, os primeiros porque têm de faltar ao emprego nos dias de greve dos professores porque não têm onde deixar os filhos, e os segundos porque aprendem ainda menos do que era suposto. Resultado: a educação fica ainda mais paupérrima do que é. E quem ganha com isso? Ninguém! Apenas o homem do bigode que continua caminhando até ao poleiro de um partido de esquerda.

E só quem nunca andou na escola não concorda com a avaliação. Porque há professores, maus, muito maus, péssimos e horríveis, e também há aqueles que são bons, excelentes e que deviam ser mais bajulados pelo seu mérito. Apenas nos ficam na memória, como aquele professor de matemática sem igual ou a professora de francês que faltou a 90% das aulas de um 8º ano. Um que deveria ser aumentado e subir de escalão, e uma que deveria ficar no desemprego pelas aulas de treta que dava a uns putos adolescentes. Há aspectos na avaliação, como as quotas, que não posso aceitar mas mesmo assim apoio a ministra da educação na avaliação, mesmo com todos os seus defeitos. E apoio os alunos e os pais que se revoltam pela falta de exigência dos professores para com eles mesmos e por aquilo em que transformaram o ensino. Só o Nogueirinha que já há tantos anos que não lecciona, e será que alguma vez o fez?, ainda sonha que a demais sociedade não percebe o seu esquema e não está farta do seu bigode.

P.S.: Uma confidência pessoal. O meu pai sempre sonhou em ter uma filha professora. A primeira escolheu a área dele mas não como professora, e a segunda era tão teimosa como ele, que nunca o ouviu. Hoje agradeço a mim própria por não o ter feito e já aos 8 anos me rir dos desejos de quem se dizia "mais velho e sabedor dos caminhos da vida". É mais sabedor sim, e muito. O que é facto é que ele desejava que uma de nós fosse professora porque, profetizava, que não havia melhor vida do que a de professor... acho que já disse tudo, não? Obrigado pai por não me fazeres uma preguiçosa de vida fácil, mas sim uma teimosa!

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