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Desconfiança a mais?

Quando o vi na televisão a fazer mea culpa do que não fez, achei piada, e todas as palavras que soaram no ecrã me pareceram anedóticas. A mentiras. Muitos disseram que eu era demasiado desconfiada e que deviamos duvidar até prova do contrário. Mas nós, mulheres, temos uma coisa denominada de sexto sentido, e o meu, está cada vez mais apurado! Falo do Dias Loureiro, embuste à partida para mim por ter feito parte do Governo do Cavaco Silva há demasiados anos atrás. Hoje, vejo uma notícia no jornal que me fez sorrir porque mais uma vez... eu tinha razão!

"Entrou na política a ganhar quarenta contos e só lucrou quando saiu. Ficou rico com a valorização do grupo de José Roquette e declarou rendimentos superiores a Belmiro de Azevedo. Gosta de poker e diverte-se a ganhar dinheiro. (...) A vitória eleitoral de António Guterres em 1995, e a consequente queda dos anjos do cavaquismo deixou Dias Loureiro sem dinheiro nenhum. Seis anos mais tarde declarou em sede do IRS renumerações mais elevadas do que Belmiro de Azevedo, ou seja, quase 200 mil contos gerados pelos negócios e pela sua actividade como advogado. É preciso também dizer que o empresário nortenho costuma ser um líder habitual das tabelas "homem mais rico de Portugal".

(...) Quando saiu do governo, José Roquette convidou-o para integrar a Pleîade, avaliado na altura em cerca de 1 milhão e 700 mil contos. Dias Loureiro aceitou o repto. Ficou com uma "stock option" até 15 % da "holding" do grupo e mais 7 % na repartição dos lucros. As acções foram baratas e estavam muito longe da valorização conseguida nos anos seguintes com a liderança de Dias Loureiro. É nesta altura que começa a ganhar dinheiro através das amizades que estabelecera nos tempos de ministro. "Os contactos na política ajudaram, mas não tem nada de mal", reconheceu diante da jactância das primeiras contradições no seu processo de ligação ao BPN. O dinheiro chega-lhe dos investimentos na Bolsa de Valores e dos bem sucedidos negócios de Marrocos. Desloca-se por várias vezes ao país norte-africano em jactos particulares, onde continua a ser tratado como "monsieur, le ministre", e priva com o influente ministro do Interior marroquino - de quem ficara amigo e que goza de boa influência junto do rei Hassan II. Dias Loureiro consegue garantir uma concessão no fornecimento de água e electricidade a Rabat e prepara-se para o seu primeiro milhão. A Águas de Portugal recusa a parceria, a EDP aceita e Dias Loureiro envolve a empresa espanhola Dragados. O negócio da Redal - empresa que assume a liderança - exige um forte investimento, mas irá revelar-se muito lucrativo na hora da venda já na órbita do grupo SLN/BPN.

Em 2000, José Roquette confessa a Dias Loureiro estar "cansado" e disponibiliza-se para vender o grupo. O negócio é apresentado a José Oliveira e Costa, e o antigo secretário de Estado do PSD propõe-se comprar tudo por 11 milhões de contos. Dias Loureiro recebe 1 milhão e 650 mil contos. Está ganho o primeiro milhão. Investe idêntica quantia em acções da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) e torna-se administrador executivo do grupo detentor do BPN e de várias empresas herdadas da Pleîade. O lustroso negócio de Marrocos acaba por sair do grupo SLN/BPN por pressão de alguns accionistas preocupados com a instabilidade política provocada pela sucessão de Hassan II. Dias Loureiro usufrui generosamente dos lucros da venda a um grupo francês.

Este é o homem que em 1981 ganhava menos de cinquenta contos por mês como Governador Civil de Coimbra, e que duas décadas mais tarde declarou rendimentos a rondar os 200 mil contos. Um homem a quem se atribui com facilidade qualidades de inteligência, influência e de gestão de informação."

in Jornal de Notícias

Qualquer um de nós gostaria de ascender desta forma na vida em termos financeiros, mas nem todos nós temos a sorte ou o azar de cair nas malhas da política, com tudo o que ela significa. Tráfico de interesses, demasiados conhecidos e amigalhaços que nada perdem com parcerias e compras disto e daquilo. Assim se explica esta ascensão monetária,igual ou em muito semelhante à história de outros tantos políticos espalhados por este Portugal.

Ontem li um artigo de opinião no Diário de Notícias, onde se fazia uma crítica aos jornalistas do actual que andam muito amigos de todas as classes, sem investigar algumas histórias demasiado óbvias para serem descartadas. Assino por baixo. Já não quero saber das últimas declarações deste ou daquele, sobretudo quando eles dizem aquilo de que nós estamos à espera (ou ainda alguém se vai surpreender com as palavras de Cristiano Ronaldo ao ganhar a Bola de Ouro?), quero investigação útil ou inútil ao pessoal que acha que andamos todos a dormir. Será pedir muito?

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