Avançar para o conteúdo principal

O quebrar das expectativas

Nos últimos dias não se tem falado de outra coisa que não sejam os Jogos Olímpicos e a participação desastrosa da comitiva portuguesa. Sinceramente falando, estava à espera de mais, muito mais, como a generalidade dos portugueses. As medalhas seriam celebradas e fariam esquecer o tão malogrado futebol, e a participação de alguns atletas portugueses nas finais das suas modalidades ter-nos-iam deixado apreensivos e ter-nos-iam permitido reviver uma ansiedade saudável.

As medalhas no plural serão difíceis, mas não impossíveis pelas pernas do Nélson Évora, mas o que pior nos ficou destes Jogos Olímpicos foram as palavras. As palavras de um jovem atleta que desculpou a sua má prestação por a prova em que participou ter decorrido de manhã, e por ser a hora ideal para estar na caminha (... eu, e a generalidade do mundo acreditamos que é à noite, exceptuando em alguns dias mais festivaleiros). As culpas da derrota atribuídas ao árbitro na participação feminina de judo, a falta de ambição da detentora mundial no ranking de triatlo (prata é prata e ouro é ouro, não vamos confundir as coisas...).

É óbvio que me sinto muito orgulhosa, desde aqueles em que a prova correu mal por azar ou falta de concentração, ou pelos outros que pura e simplesmente, tiveram adversários melhores mas que mesmo assim lutaram até ao fim. Mas não me sinto orgulhosa de algumas palavras menos felizes, desculpas esfarrapadas por não terem levado a sério estes Jogos considerados o supra-sumo de todas as modalidades.

A Vanessa Fernandes, apesar de até agora ser a única medalhada, não esteve bem ao acusar alguns colegas, não apontou nomes, de não encararem bem este género de competição. Isso é algo para eu dizer e outros que não estiveram na comitiva, mas não ela ou outro colega. Isto porque, apesar de serem várias modalidades a participar, eles são um grupo coeso ou deveriam ser, e acusações deste género só piora a imagem que o povo português tem dos atletas. O mesmo seria o Ronaldo acusar o Ricardo de não termos conseguido chegar mais além no Europeu...! Não vale a pena colocar as culpas nos outros quando nós próprios as temos. O mais bonito será admitir os erros e para a próxima, melhorar!

Francis Obikwelu. É o meu preferido. Por ser um grande atleta, lesionado neste momento e por essa razão, sem nenhuma medalha nestes Olímpicos. Mas é o meu preferido pela sua humildade e sinceridade. Não é português de origem mas foi-o mais do que muitos dos outros. Tal como José Sócrates mencionou, sentimo-nos todos muito honrados por ter um atleta com o gabarito dele (físico, psicológico, humano e mais umas quantas coisas) a representar a nossa bandeira verde e vermelha. Não é todos os dias que alguém pede desculpa ao povo português com a humildade dele, desculpas pelo dinheiro que investiram nele e que, apesar de tudo, não trouxe nenhuma medalha. Mesmo lesionado ele acreditava que conseguia qualquer coisa, mas infelizmente o psicológico nem sempre consegue superar o físico, e foi isso mesmo que aconteceu. Abandonou a carreira de atleta olímpico mas espero ainda ouvir falar muito dele... da solidariedade que promove e ajuda que dá aos outros. Ele que também já precisou de ajuda e a teve. Obrigado Obikwelu!

P.S.: Uma palavra de apreço para o Gustavo Lima. Ficar na 4ª posição, com apenas um ponto de diferença do medalhado com o bronze não deve ser fácil de engolir. E pior do que isso é ser o único participante daquela modalidade português, o que pressupõe treinos solitários e sem qualquer palavra de incentivo ou ânimo de um companheiro. Não é fácil batalhar sozinho mas quando o coração nos impele a isso, temos de o saber ouvir e dar importância. No caso deste humilde espaço ser visitado pelo Gustavo Lima, peço-lhe (ou peço-te, visto a diferença etária não ser muito grande) que reconsideres. A frustação de ficar na 4ª posição é muita, acredito que sim, mas o amor à modalidade deve superar isso ou se não fosse assim, não terias chorado para a câmara. Por ter muitos, e consequentemente conhecer bem a raça masculina, sei que é preciso muito (mesmo muito, muito!) para as lágrimas caírem pela cara dos homens. Lágrimas sinceras e sentidas. E por isso, em nome da bandeira e do país que representas, peço-te: Não desistas! Dá um tempo a ti próprio para assentar ideias e conseguir viver com a frustração inerente à 4ª posição, mas que prevaleça o amor ao desporto. Sempre e acima de tudo isso! Obrigado Gustavo Lima!

P.S.2: Infelizmente daqui a poucos dias já ninguém se lembra dos Jogos Olímpicos porque... o Campeonato Nacional vai começar. Infelizmente porque ao contrários das outras modalidades, o futebol é que é importante neste país. Apenas e somente o futebol!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Com ainda uma semana de férias: "bora" a Londres?

Há quem diga que tenho um "fetiche" musical por quem morre aos 27 anos. Não é mentira muito por culpa dos meus amores do rock'n roll que se foram demasiado cedo. É o supra-sumo Kurt Cobain, Jim Morrison, não esquecendo a hippie Janis Joplin. A galeria Proud Camden em Londres tem até 9 de Novembro uma exposição denominada "Forever 27" com fotografias dos meus malogrados ídolos, sem esquecer outros que viram a sua vida terminar a 3 anos de serem trintões. A entrada é gratuita. Que vontade, ahhh!

Lindo!

Há pessoas que dizem precisar de um chocolate, um rebuçado, um abraço ou um beijo num determinado momento. Geralmente sem razão aparente... pois eu, neste momento, apetece-me ver Blind Zero ao vivo. O Miguel a cantar esta e outras canções. Sem justificação apenas a de um desejo grande! A razão... ficou o gostinho de o ouvir na Praça da República a cantar este cover!

O novo Diário de Notícias

Sem medo das superstições que rodeiam o dia de hoje, sexta-feira 13, João Marcelino, novo director do Diário de Notícias, marcou para hoje a apresentação de um novo jornal. O novo DN aparecerá nas bancas com ajustes gráficos e com uma nova arrumação, apelando mais à leitura. Diariamente o jornal terá dois temas em destaque, e três páginas de opinião com um editorial não assinado (elaborado por um membro da direcção do jornal e pelos três redactores principais). Na última página também surgirá uma crónica, à semelhança do que acontece com o Jornal de Notícias, de Ferreira Fernandes, redactor principal contratado à Sábado e que também já foi do Correio da Manhã. A introdução de uma zona de obituário é outra das novidades, num jornal sempre considerado sério e de referência, mas tendo de optar por estes "acrescentos" de forma a ser "mais interessante e atraente". O diário tem mais três novidades, três novos suplementos (DN Sport, Gente e Bolsa) de 24 páginas, e uma nov...