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O direito de aprender rodeado de respeito

Miguel tem doze anos, é magro, delicado e já superou um cancro no sistema nervoso central. Miguel ainda não foi ás aulas este período, por ser mais um caso de bullying nas escolas portuguesas. Com total consentimento dos professores da Escola Básica 2,3 n.º 2 de Rio Tinto e dos pais das crianças que não entendem uma vida já tão diferente e sofrida.

A pedopsiquiatra de Miguel escreveu, este ano, uma declaração para a escola a relembrar que o menino tinha sofrido vários internamentos, quimio e radioterapia, que lhe deixaram sequelas como debilidade física, fragilidade emocional, dificuldade de reacção a pressões psicológicas e era vítima de bullying. A recomendar uma mudança rápida de turma e uma urgente intervenção clínica do Gabinete de Psicologia da escola junto dos jovens que agrediam Miguel. Em vão.

Depois de nada ter sido feito pela Directora de turma e pela Presidente do Conselho Executivo, os pais de Miguel preferem não arriscar um possível agravamento do estado clínico do filho para actos de auto-agressividade, e decidiram não levar o filho à escola depois das férias da Páscoa. Esperam por uma solução que nem eles sabem identificar qual será a ideal.

A Inspecção Geral de Educação já tomou conhecimento do caso e enviou uma carta ao Conselho Executivo da escola de Miguel para tentar alterar a situação, pensando sempre em primeiro lugar nos interesses, direitos e bem estar da criança. A recomendar a resolução do problema, ainda que para isso tenham de ser tomadas medidas de excepção. O conselho executivo defende que a suposta mudança de turma apenas deverá ser feita no próximo ano lectivo, por razões pedagógicas.

Pedagogia nunca ponderada no caso deste menino que, pelos vistos, não tem direito a uma educação como todas as outras crianças. O seu caso é diferente, por ser diferente, mas um acompanhamento e uma explicação aos colegas de Miguel, iria sobejamente ajudar e muito. O problema é que ninguém se preocupa com o problema desta criança, nem os professores, nem o conselho executivo e nem os colegas, que preferem tornar a vida de Miguel num inferno ainda maior.

Não sei o que os pais estarão a pensar fazer, mas a meu ver, a melhor solução seria mudar de escola. Começar uma "vida" nova, numa turma que desde o primeiro dia se visse confrontada com a situaçãpo de Miguel e a entendesse. Não o encarasse como motivo de chacota e divertimento... uma turma que fosse um verdadeiro escudo protector deste menino que merece bem mais da vida do que isto. Uma escola que respeitasse Miguel e a sua diferença, tornando-o igual a todos os outros.

E a nós também nos cabe tentar mudar este caso, tornando-o mediático de forma a que, a quem compete, tome as decisões acertadas. Finalmente...! E que sintam alguma vergonha pela letargia perante o problema... uma vergonha, sobretudo em termos de cumprimento dos direitos das crianças! Porque eles ainda existem...!

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