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A inevitável mudança

A França está ao rubro! Depois de uma primeira volta nas eleições presidenciais muito participativa, com 85% dos eleitores a exercerem o seu direito de voto, a próxima etapa será escolher entre um candidato de esquerda e outro de direita. Direita versus Esquerda! Ou Homem versus Mulher!

Este duelo final culminará no próximo dia 6 de Maio, com a 2ª volta das eleições, e no entretanto, tudo é possível para se vencer a denominada "guerra civil". Dum lado temos o conservador Nicolas Sarkozy, filho de aristocratas húngaros imigrados em França (engraçado ele ser filho de imigrantes e mesmo assim, estar contra a imigração...), e do outro, Ségolène Royal, filha de um oficial do exército e mãe de quatro filhos. A única certeza é o culminar do reinado de 26 anos do defunto socialista François Miterrand e do Presidente ainda em funções, Jacques Chirac.

As reformas em França foram sendo adiadas, ou impostas com alguma brutalidade, o que no futuro não poderá acontecer pela esperança depositada num destes candidatos. As expectativas são muito elevadas e o não cumprimento pode desembocar numa guerra civil no futuro... com mais carros ardidos e violência nos bairros dos subúrbios de Paris, e outras cidades!

Segundo todas as sondagens- a França é o país que mais sondagens consome - Sarkozy será o vencedor, apesar da distância entre este candidato conservador se estar a encurtar relativamente à sua rival de esquerda. Sarkozy que ontem proclamou: "Desafio os franceses a romperem realmente com o espírito, com o comportamento e com as ideias de Maio de 68". Não sou francesa mas se o fosse não ia gostar destas palavras...!

Jean-Marie Le Pen foi um dos derrotados da primeira volta destas eleições, mas o vencedor numa outra batalha. Como ele próprio reconhece: "ganhámos a batalha das ideias - a nação e o patriotismo, a imigração e a insegurança foram postas no centro da campanha por adversários que ainda ontem repudiavam estas noções com um ar enojado".

A (quase) inevitável vitória de Sarkozy assusta-me mas lembro-me um dia de alguém dizer que a história é feita de ciclos, bons e maus. Talvez tenhamos de passar por um tempo de ditadura, e ausência de liberdades, discriminação e outras coisas que Sarkozy promete. Tenhamos de recuar cinquenta anos para assim darmos um passo verdadeiro! rumo ao futuro. Talvez assim haja uma nova revolução! ... verdadeira!

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