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Confissões aos 91 anos

Augusto Pinochet admitiu através de uma declaração lida pela sua mulher em Santiago do Chile, a sua responsabilidade política por tudo o que fez no Chile, entre 1973 e 1990, em que milhares e milhares de presos políticos foram assassinados e torturados.

A arrogância ditou o seguinte: "Hoje, perto do fim dos meus dias, quero dizer que não guardo rancor contra ninguém, que amo a minha pátria acima de tudo e que assumo a responsabilidade política por tudo o que foi feito e que não tinha outro objectivo senão tornar o Chile maior e evitar a sua desintegração". Rodeado pela sua família, defendeu o sangrento golpe militar que depôs Salvador Allende, presidente marxista e eleito em escrutínio livre. Jusfificou este acto como sendo necessário para evitar uma desintegração do país. No exterior cerca de 200 apoiantes cantaram-lhe os parabéns e entoaram "Longa vida ao Chile! Longa vida a Pinochet!", ao som de uma banda de mariachi que tocou uma das suas músicas favoritas.

Este comunicado lido no passado dia 25, data de aniversário de Pinochet, também serviu para enviar uma palavra de apoio e apreço "aos seus camaradas de armas, muitos dos quais estão presos, sofrendo perseguições e vingança", denunciando a violação dos direitos humanos de que foram vitimas os oficiais nos julgamentos. Também lamentou as perseguições, humilhações e injustiças de que tem sido alvo,tal como a sua família.

Confiante na justiça que a História lhe fará no futuro, o ex-ditador chileno terminou o seu discurso dizendo que "estou absolutamente seguro de que amanhã, depois das paixões políticas e dos ressentimentos terem chegado ao fim, a história julgará objectivamente o nosso trabalho e reconhecerá que colocamos o Chile no topo das nações do nosso continente."

Dois dias depois de ter proferido estas declarações, Pinochet foi colocado sob prisão domiciliária por conexão com o assassínio de dois guarda-costas do ex-presidente Salvador Allende, o homem que ele derrubou num golpe de estado em 1973.

Hoje de madrugada Augusto Pinochet sofreu um ataque de miocárdio, e foi de imediato internado num hospital militar em Santiago do Chile. O seu estado é considerado estável depois de uma intervenção cirúrgica ao coração para realizar um by-pass ou cirurgia de vascularização, estando neste momento a respirar sem assistência mecânica. No entanto, e apesar do ex-ditado estar consciente, a sua situação clínica é considerada como sendo grave.

De relembrar que a ditadura de Pinochet (1973-1990) foi responsável pela morte por motivos políticos de 3197 mortos, entre os quais cerca de mil pessoas desapareceram e cujos corpos ainda não foram encontrados. Cerca de 28 mil foram presos ilegalmente, torturados e alguns forçados ao exílio. Esta é a primeira vez que Pinochet assume a sua culpa nestes actos, sendo muitas das vezes acusados e culpados os seus subordinados pelos abusos e violações da lei. No entanto, o antigo ditador está indiciado em dois casos de violação de direitos humanos e fuga ao fisco, e estão pendentes dezenas (e dezenas!) de processos criminais, movidos por vítimas ou familiares das vítimas. Os tribunais têm abandonado estas acusações devido à saúde débil de Pinochet.


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