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Ratzinger coopera com abusos sexuais

O documentário "Crimes Sexuais e o Vaticano", que foi exibido no passado domingo pela rede de televisão britânica BBC, revela que o cardeal Joseph Ratzinger, hoje o Papa Bento XVI, ajudava a ocultar casos de abusos sexuais contra menores cometidos por padres católicos. O programa, que começou a ser produzido em 2002, colheu informações e depoimentos nos Estados Unidos, no Brasil e em Roma, tendo descoberto sete padres acusados de pedofilia.

Segundo o programa, durante mais de 20 anos Ratzinger era responsável por garantir que fossem cumpridos os termos de um documento secreto da Igreja, que dava instruções de como os bispos lidariam com acusações de abusos sexuais cometidos por padres nas suas paróquias. O documento de 39 páginas intitulado de "Crimen Sollicitationis" ("Crime da Solicitação", em latim), a que a reportagem teve acesso, data de 1962 e impõe um pacto de silêncio entre a a vítima menor, o padre que é acusado do crime e quaisquer testemunhas ou pessoas a par do ocorrido. Quem quebrasse esse pacto seria excomungado pela Igreja Católica.

Crimen Sollicitationis terá sido mantido no segredo da hierarquia católica durante todos estes anos, marcado como altamente confidencial. Fornece elementos detalhados, segundo a BBC, sobre como proceder em caso de "crime de solicitação de actos obscenos, por palavra ou gestos, no quadro da confissão" - mas também sempre que se verifique "qualquer acto obsceno externo (...) com crianças de ambos os sexos". Os críticos garantem que o documento servia apenas para evitar a eficácia de qualquer acusação judicial por crimes sexuais - e também para silenciar as vítimas.

Os representantes britânicos da Igreja Católica reagiram imediatamente, acusando a reportagem da BBC de ser "falaciosa" e garantindo que o documento não se refere a eventuais actos de pedofilia por parte dos padres, mas apenas ao "uso impróprio do confessionário". Esse aspecto da reportagem do programa Panorama é assim classificado como "completamente falso" pelo arcebispo de Birmingham, Vincent Nichols, que assumiu falar em nome do prelado de Inglaterra e do País de Gales. A BBC "deforma dois documentos do Vaticano e utiliza-os de forma enganadora, ligando o horror do abuso de crianças à figura do Papa", acrescentou o arcebispo. O programa Panorama garante ter encontrado sete padres acusados de abuso sexual de menores que vivem dentro ou perto da cidade do Vaticano - um deles com 13 acusações feitas por um júri dos EUA, sem que tivesse sido aconselhado pela hierarquia católica a regressar àquele país para ser julgado.

O padre Tom Doyle, demitido pelo Vaticano depois de criticar a forma como lidam com as denúncias de abusos, disse à BBC que o documento era "uma política escrita explicitamente para cobrir os casos de abuso sexual de crianças pelo clero, para punir aqueles que chamassem atenção para esses crimes dos membros da Igreja". Doyle, por sua vez, disse que tudo era controlado pelo Vaticano e que Ratzinger estava envolvido durante os anos em que o 'Crimen' foi reforçado.

O programa foi apresentado por Colm O'Gorman, que sofreu abuso de um padre quando era criança e que agora dirige a One In Four, uma organização irlandesa de caridade que apóia as pessoas que foram abusadas sexualmente.

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