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Rapto?

Por tudo aquilo que ouvimos nos noticiários nacionais e estrangeiros e lemos nos jornais, definimos rapto como a retenção e captura de alguém contra a sua vontade. Mas quando se trata das retenções mal definidas ocorridas no Iraque ou noutros países em guerra, a definição de rapto muda drasticamente para outra palavra mais aceitável. Apenas é rapto quando as capturas tenham sido feitas por insurgentes que, afinal de contas, estão a manter acesa a chama da guerra...

Em Abril deste ano um fotógrafo da Associated Press (AP) foi capturado pelos militares norte-americanos, e hoje, 5 meses mais tarde, continua detido sem culpa formada, sem acusação concreta enunciada e sem defesa possível. A AP (uma das maiores agências a nível mundial!) e outras organizações de jornalistas exigiram ao Pentágono a libertação deste profissional da imagem, ou o rápido julgamento em tribunal. Mas, e com toda a arrogância característica, o Pentágono reitera que tem autoridade suficiente para o prender indefinidamente sem formular qualquer acusação, apenas porque acredita que o fotógrafo tem ligações aos insurgentes! Obviamente que deve ter ligações, ainda para mais sendo iraquiano, senão não iria conseguir notícias e as melhores fotografias...

A Federação Internacional de Jornalistas contabiliza 138 jornalistas mortos no Iraque ( a maioria iraquianos), desde o início do conflito em 2003. Já para não falar do sem número de raptos, violações e agressões a jornalistas que apenas estão a fazer o seu trabalho. Aliás, segundo um estudo do Comité para a Protecção de Jornalistas, o Iraque é o sitio mais perigoso para os jornalistas trabalharem. Este mesmo estudo conclui que em média três jornalistas são mortos por mês em todo o mundo. Assustador...

É uma profissão perigosa, disso toda a gente sabe. Mas no meio de tanto perigo, que surge de todos os lados, há a necessidade de se tentar arranjar o melhor furo, a melhor imagem. E pelos vistos agora temos de ter também algumas preocupações nesta investida, pois parece que podemos ser perseguidos e raptados pelas tropas que supostamente entraram no país para o libertarem da falta de liberdade. Mas que quando estamos detidos não nos garantem a possibilidade de nos defendermos, e pior ainda, estamos a ser acusados sem a sustentação de provas e sem a marcação de um julgamento, direito de todos os cidadãos. E tudo acontece num país que tenta ser democrático. Curioso não?

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